Um dia de fúria

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O título desta crônica é um filme protagonizado por Michel Douglas, ator norte-americano, cujo enredo é um cidadão que resolve ser o contraventor, o errado por um dia, porque cansou de fazer tudo direitinho. Resolveu dar trabalho para a polícia.

 Um filme policial de 1993 que mostra como é viver em nossas cidades. O personagem William Foster resolve reverter o seu dia: “Hoje o bandido sou eu!”.

 O trânsito de Araçatuba com excesso de carros nas ruas está tirando até as mulheres do sério, fazendo-as perder a calma, se descabelando.

 A bancária de 29 anos estacionou o seu carro, um Hyundai I-30  (não se trata de gentinha) entre as garagens de duas residências, na Chiquita Fernandes (rua de bairro nobre de Araçatuba). Segundo ela, o seu veículo não atrapalhava a saída ou entrada das duas garagens. Quando foi pegar o carro para ir embora, foi abordada pela dona de uma das casas aos xingos e gritos. Baixaria total.

No mesmo dia (18/3/2015), dessa vez a vítima foi uma funcionária da empresa que controla a Zona Azul do município, de 37 anos. Um Renault Sandero (também não é gentinha) de cor cinza estava estacionado na rua Marechal Deodoro, centro, com o cartão de estacionamento preenchido de forma incorreta e incompleto. A funcionária da Araçapark deixou uma notificação no para-brisa do carro.

 Quando a funcionária caminhava pela rua Rio Branco, centro, começou a ouvir buzinadas. O Renault Sandero, conduzido por uma mulher, vinha na direção dela. Ela chegou a “jogar” o carro na calçada, na direção da vítima, numa tentativa de intimidação e atropelamento. Logo em seguida a condutora chamou a vítima de “vagabunda” e foi embora. O entrevero deve ter gerado denúncias no fórum local.

 Para não ser objeto de páginas de jornais, seção policial, este croniqueiro procura andar devagar, nem tanto, para não prejudicar o trânsito e bem calminho. Confesso que já fui nervosinho nas ruas da cidade, mas atualmente a sabedoria da velhice tomou conta de mim. E ainda se leem alguns recados nos vidros traseiros do carro da frente alguns adesivos irritantes: “Está nervoso? Vai pescar”; “Está com pressa, sai mais cedo de casa”. 

 Ter uma casa no campo é apenas letra de música, a minha vida acontece mesmo é na cidade, que é cada vez mais interdependente. Nem peidar alto no apartamento é mais possível, porque a vizinhança toda escuta.

 Então, é se adequar, treinar o espírito para que sejamos pacienciosos para continuar mocinho, sem trocar de papel com o bandido.

 

 

  

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba.

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