“Teremos uma Jales antes e outra depois de nossa administração”

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Foto exclusiva mostra Luís Henrique e Marynilda posando com o simbólico V da vitória, no momento da votação

Na primeira entrevista que concedeu ao vivo depois da confirmação do resultado, o prefeito eleito, Luis Henrique (PSDB), garantiu que fará uma administração histórica e descartou que pretenda se candidatar a deputado em 2022. “Não serei candidato a deputado em 2022. O nosso projeto é fazer um mandato de quatro anos muito bem feito para ser um divisor de águas. Eu garanto para população: nós teremos duas Jales. Uma antes da nossa administração e outra depois”, disse, ao lado da vice, Marynilda Cavenaghi, durante o programa Antena Ligada, na manhã de segunda-feira, 16 de novembro.

Luis Henrique também concedeu uma entrevista coletiva a outras emissoras de rádio e ao jornal A Tribuna. Durante as conversas, o prefeito eleito se disse muito feliz, enalteceu o papel da candidata a vice-prefeita, reafirmou algumas propostas de campanha, como o corte de despesas, destacou a falta de tempo para conseguir emendas parlamentares, comentou a formação da Câmara, abstenção e medidas relativas à pandemia. Ele rechaçou os rumores de que tenha feito acordo com o prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) para manter integrantes do atual governo no seu mandato. Veja alguns trechos.

PROJETO POLÍTICO

“Não serei candidato a deputado em 2022. O nosso projeto é fazer um mandato de quatro anos muito bem feito, com muito trabalho, muita transparência para ser um divisor de águas. Eu garanto para população: nós teremos duas Jales. Uma antes da nossa administração e outra depois. Eu tenho certeza que vamos encher de orgulho essas 12.114 pessoas que votaram em nós e aquelas que estavam descrentes ou que decidiram votar em outro candidato porque isso é democracia. Vamos fazer um trabalho que vai ficar marcado na história de Jales. Um trabalho incansável para recolocar Jales no seu merecido lugar de destaque no cenário regional ”.

PRIORIDADES

“Assim que a gente retornar de viagem, por volta de quarta ou quinta-feira que vem (24 ou 25 de novembro) a gente precisa se reunir e definir nomes. Muito foi comentado sobre a questão de secretarias, compromisso... “[disseram] ó, tem compromisso com fulano, com beltrano’ e não existe nenhum tipo de compromisso. Os oito partidos que fizeram parte da nossa coligação foram partidos que acreditaram no nosso projeto e a gente fica muito à vontade para colocar pessoas técnicas nos respectivos cargos. É importante que se diga que a eleição acabou e a partir de agora é um processo de pacificação. A gente tem que esquecer sigla partidária, Não tem PSDB, PT, PV etc, o que vai ter é o PJ. Aliás, quero parabenizar os candidatos a prefeito e vereador que colocaram os seus nomes numa eleição tão difícil. Quando a gente fala em prioridades, elas serão a nomeação do secretariado, que faremos em cima de nomes técnicos, independente de em quem tenha votado, porque a gente vai ser prefeito de uma cidade toda e não apenas de quem votou no Luis Henrique e na Marynilda. Precisamos ver a questão de gastos excessivos, como conta de telefone, alugueis e outros que a gente vai conferir quando tiver acesso aos números”. 

DESAFIO:

“O maior desafio é a pacificação. O momento pede isso. É o momento de darmos as mãos e fazermos dessa cidade, uma cidade única, sem guerra. Ontem o Especiato me mandou uma mensagem parabenizando e eu liguei pra ele porque eu acho que a política acabou na eleição. A gente tem que esquecer as siglas partidárias e pensar no município. A partir de agora temos que pensar no PJ, Partido de amor por Jales. É assim que a gente pretende conduzir tudo isso, dialogando com todos, estando próximo das pessoas, com as lideranças, a população, os servidores pra gente poder ouvir mais, porque, para quem ouve mais, as chances de errar são menores. A gente sabe das dificuldades que enfrentaremos, mas a gente entrou pra disputa sabendo dos problemas, então vocês não vão ouvir eu e a Marynilda dizendo ‘Ah, a gente não sabia dessa situação’”.

SEMENTE

“Os problemas do nosso município são crônicos e não foram causados em quatro nem oito anos. Aqui não tem nenhum salvador da pátria que vai resolver todos os problemas do município em seis meses, um ou dois anos. O que a gente vai fazer é plantar uma semente, com muita responsabilidade porque colher é fácil, difícil é plantar. Eu particularmente trabalho com seringueira, uma árvore que a gente planta, precisa cuidar e pra começar a produção demora sete anos. Na Prefeitura de Jales não vai ser diferente. Precisa passar por uma transformação para que esses frutos dessa transformação sejam colhidos lá na frente”. 

CÂMARA MUNICIPAL

“A gente tem que respeitar a vontade do povo e as urnas nos mostraram claramente algumas mensagens. Na eleição de 2018, já deu a primeira mensagem de que as pessoas queriam renovação. Naquela eleição o número e reeleitos já foi baixo, o número de deputados e senadores reeleitos foi o menor da história do Brasil. E 2020 isso se repete. Pra gente não é surpresa. Temos excelentes nomes, é uma Câmara composta por pessoas sérias e honestas que terão compromisso de nos ajudar e ajudar o povo de Jales. Em todas as nossas andanças, nos nossos bate-papos percebemos que as pessoas estão muito descrentes com a política, muito mesmo, Prova disso é essa renovação e a alta abstenção. É preciso resgatar a esperança nas pessoas. É preciso respeitar a vontade do povo e dizer que vamos ter quatro anos para tentar resgatar essa esperança. Esse é mais um motivo para que a gente trabalhe de forma incansável nos próximos quatro anos”.

  ACORDÃO

“Algumas pessoas, durante a campanha, plantaram lá que teria havido um acordo para manter isso, manter aquilo...eu quero deixar bem claro que eu e a Marynilda combinamos que a gente não faria nenhum tipo de acordo com ninguém. Não convidamos ainda ninguém. Vamos começar a pensar em nomes depois que voltarmos de um descanso que faremos. Uma coisa que quero deixar bem claro. Não teve nenhum tipo de acordo, nenhum tipo de compromisso com esses partidos. Os partido que vieram nos apoiar vieram por acreditar no nosso projeto, que as nossas idéias pactuavam com as deles. Isso é muito bacana e a gente fica muito à vontade, sem ter esse compromisso. Graças a Deus, a gente não tem o rabo preso com ninguém e quem ganha com isso é o município, porque, com certeza, vamos colocar no secretariado pessoas técnicas, independente em quem votou. Seria incoerência, vir aqui pedir pacificação e colocar uma pessoa que não tem capacidade só porque ela nos apoiou. Os cargos de comissão, os secretários serão nomeados por critérios técnicos. Não vamos colocar lá uma pessoa que votou no Luis Henrique e na Marynilda, se essa pessoa não tem capacidade técnica. Não há nenhum tipo de acordo”.

TRANSIÇÃO

“Esta eleição é atípica em todos os cenários. Temos alguns agravantes neste período. Normalmente as eleições são em outubro, então se tem praticamente o mês de outubro inteiro, novembro e dezembro pra fazer a transição. Hoje é dia 16 e a gente precisa pensar nas verbas que poderemos trazer para o ano que vem, e o prazo para apresentar emendas federais termina no dia 30 de novembro. Eles estão tentando prorrogar isso pra março, mas ainda não é certeza. Então voltando deste descanso, a gente precisa correr atrás desses recursos porque fecha o período para pedir emenda parlamentar federal. Então teremos apenas o mês de dezembro para fazer e dezembro é um mês de praticamente três semanas, porque tem Natal, festas, então é outro assunto que vamos estar vendo com atenção. É claro que o fato de o DEM, do prefeito Flá, estar no bloco de oito partidos que nos apoiaram facilita a transição. Mas acredito que o Flá não colocaria obstáculo para a transição, se qualquer outro ganhasse a eleição”. 

COVID-19

“É um assunto preocupante, inclusive temos algumas informações sobre aumento de casos na capital, uma segunda onda. A gente tem que pedir a Deus para que chegue logo essa vacina, mas a gente tem que trabalhar de todas as formas. Se até bem breve ela não chegar, precisamos sentar com as pessoas que controlam a questão da pandemia em Jales. Daí a necessidade de buscarmos já os nomes, inclusive do secretário de Saúde, para que tenha harmonia e sintonia [com a Secretaria de Saúde atual] para estar preparado para enfrentar esse problema, caso entremos em janeiro em uma situação ruim. A partir do meio da campanha a gente percebeu uma certa preocupação dos pais com o início do ano letivo também e, se ainda estivermos no começo do ano em plena pandemia, estaremos buscando formas alternativas de como seria feito isso”.  

CORTES

“Vamos fazer reestruturação em alguns gastos desnecessários. Por exemplo: a Prefeitura gasta R$ 25 mil com telefone e a maioria com ligações de telefone fixo para celular, sendo que a maioria das companhias telefônicas já oferece pacotes com ligações ilimitadas. A Prefeitura gasta R$ 15 mil por mês de papel sulfite e toner, sendo que o sistema da Prefeitura é um bom sistema, mas precisa ser alimentado e não é preciso imprimir tudo. A Prefeitura gasta com aluguel mais de R$ 70 mil. É claro que desses tem a Polícia Federal, a Justiça Federal e outros órgãos, que é evidente que você não vai cortar, mas tem secretarias, por exemplo, que podem utilizar os próprios prédios da Prefeitura. Esses números nós obtivemos sem estar dentro da Prefeitura. Quando a gente estiver lá, a gente vai poder ver a fundo outros gastos”.  

SERVIDORES

“A gente sempre deixou muito claro, em todas as nossas reuniões que tivemos com todos os servidores, que a gente terá uma relação de harmonia e total sintonia com os servidores. O grande sucesso de uma empresa, e a Prefeitura é a maior empresa do nosso município com 1.119 funcionários, é ter os colaboradores satisfeitos, trabalhando contentes. Então, com toda a certeza, os colaboradores, os funcionários públicos municipais estarão bem próximos de nós e nós deles, tentando fazer o possível e o impossível para sermos grandes parceiros”.

 

Marynilda diz que deve atuar na área social e prefere não assumir secretaria

Luis Henrique disse que a futura vice-prefeita, Marynilda Cavenaghi Nacca, terá total autonomia na administração. “Isso foi conversado antes, que ela não seria uma vice decorativa, pelo contrário, que fosse uma vice que participasse ativamente. Ela vai ter carta branca para desempenhar aquilo que ela julgar e entender melhor”.

Marynilda disse que será o braço direito do prefeito em qualquer lugar que for solicitada, mas principalmente na área social ao lado da primeira dama, Alziane Rossafa. Ela ressaltou que o fato de ser aposentada vai facilitar a sua presença na administração. 

Marynilda ressalvou que não gostaria de assumir alguma secretaria, nem mesmo a de Educação, área onde ela acumula experiência de mais de 32 anos de serviço.

“Eu quero ser o braço-direito, com olhar especial para o social, idosos, EMEIs, que a gente bateu bastante nessas teclas, e onde o Luis precisar de mim. Quando eu aceitei o convite para ser vice, foi porque eu tinha esse tempo disponível pra ajudar a cidade, então o que ele precisar de mim, pode contar comigo. Seja no Fundo Social, na Educação, na Cultura, enfim, no que for preciso. Quero fazer parte de um todo na administração. É o maior desafio da minha carreira, mas ao lado do Luis Henrique, não tenha dúvida que a gente vai conseguir fazer da melhor forma possível, com a experiência dele, um pouquinho da minha e a vontade dos dois, e com a ajuda de todos, nós vamos conseguir”. 

A vice-prefeita eleita comemorou o fato de duas mulheres terem sido eleitas para a futura Câmara Municipal. Para ela, isso já é reflexo da candidatura de uma mulher nas eleições majoritárias. “Eu, como mulher, fico feliz por eleger duas vereadoras, acredito que seja um reflexo da vice ser mulher porque a gente passou muito tempo sem ter uma representante e vou fazer de tudo para que isso aumente, que aumente ainda mais o número de mulheres na Câmara. Quero fazer políticas públicas para as mulheres e vou ter um olhar diferenciado para as mulheres”.  

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