Sobrevivente de acidente com três vítimas fatais, ex-vereador Nishimoto conta o que aconteceu

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Nishimoto ainda se locomove em uma cadeira de rodas e não sabe quando voltará ao trabalho

 

Há exatamente dois meses, no dia 17 de janeiro, o ex-vereador Sérgio Nishimoto viveu uma experiência que ele nunca irá esquecer. Nishimoto, que é funcionário concursado da Prefeitura de Mesópolis, no cargo de engenheiro agrônomo, foi um dos dois sobreviventes do trágico acidente que encheu de tristeza aquela quinta-feira e enlutou pelo menos três cidades: Jales, e Marinópolis, onde moravam as vítimas, e Mesópolis onde elas trabalhavam. O outro sobrevivente foi o funcionário da Sucem, Guilherme Matos Motta, que também prestava serviços no setor de saúde de Mesópolis. Já as três vítimas fatais foram a médica Chimeni Castelete Campos, 36 anos, que dirigia o carro, a dentista Luciana Leiko Sugia Kanawa, 39 anos, e a fisioterapeuta Luély Carla de Souza, de 26 anos.

            Naquela manhã, Nishimoto acordou cedo, foi à padaria que fica a um quarteirão de sua casa, no bairro Santo Expedito, e voltou para esperar pela carona que o levaria a Mesópolis. Era seu segundo dia de trabalho, depois de trinta dias de férias. “Eu nunca tinha tirado 30 dias de férias. Foi a primeira vez. Tinha voltado ao trabalho na quarta-feira e, como tinha ficado 30 dias fora do revezamento que fazíamos, me ofereci para ir com o meu carro na quinta-feira, mas a Chimeni já tinha combinado com as outras colegas e achou melhor ir com o carro dela”, explicou Nishimoto. Ele afirmou que, além dos cinco que estavam no carro naquele dia, o grupo que participava do revezamento tinha a farmacêutica Inara Andreu, que também mora em Jales.

“O nosso grupo tinha seis pessoas que viajavam para trabalhar em Mesópolis e a gente usava o whatsapp para combinar quem iria com o carro. O Guilherme era uma espécie de reserva e só ia com a gente quando um dos outros cinco não viajava. Como a Inara estava em férias, o Guilherme a estava substituindo no revezamento”, completou Nishimoto. Naquele dia, Guilherme viajava no banco traseiro, entre Nishimoto – que foi o último a subir no carro e estava sentado atrás da motorista – e a dentista Luciana. “O Guilherme foi quem ficou menos machucado no acidente. Ele saiu do carro e telefonou para a esposa e depois ligou para o SAMU e os bombeiros, em Jales, e para o Posto de Saúde, em Mesópolis. A ambulância de Mesópolis, que estava mais perto, foi quem chegou primeiro. Algumas pessoas que foram chegando logo depois do acidente me prestaram os primeiros socorros, pois eu não conseguia me mover e, quando a ambulância chegou, fui colocado na maca e trazido para Jales”.

Velocidade normal

Nishimoto desmente os boatos que correram logo depois o acidente, os quais diziam que a motorista dirigia com pressa pois eles estariam atrasados. “Isso não é verdade. O carro estava a uma velocidade normal e o que ocorreu foi uma fatalidade. Eu não vi o tamanduá, pois estava atrás da motorista, mas me lembro que alguém alertou a Chimeni – “olha o tamanduá!” – e aí ela tentou desviar. Foi tudo muito rápido, tanto que não houve gritos e me lembro apenas de ter ouvido alguém exclamando um ‘Não!’ um pouco mais alto. Logo depois, veio a batida. Eu permaneci consciente, mas bem atordoado. Vi que as meninas estavam imóveis e imaginei que elas tinham desmaiado. Pensei em ajuda-las mas eu não tinha forças nos braços nem nas pernas para sair do carro. O Guilherme andava de um lado para o outro, falando ao celular”.

Para Nishimoto, o acidente que resultou na morte das três colegas de trabalho poderia não ter sido tão trágico, mas uma série de fatores contribuiu para a tragédia. “Se fosse só o tamanduá, ela teria desviado tranquilamente, mas o problema foi o carro que vinha no sentido contrário. Aquela vicinal é bem tranquila e a gente encontrava poucos carros, mas calhou de naquele momento estar vindo um veículo e a Chimeni teve que desviar dele também. Por fim tinha aquela árvore, que era única à beira da estrada naquele trecho. Se não fosse a árvore, o acidente certamente seria menos grave e elas poderiam ter saído com vida, mas tudo contribuiu para aquele desfecho trágico. Eu estou contente por ter sobrevivido, mas, ao mesmo tempo, muito triste pela perda de três amigas. Elas eram pessoas batalhadoras, que gostavam do que faziam”.

O ex-vereador desmentiu, também, outro boato difundido nas redes sociais dando conta de que a fisioterapeuta Luély Carla – que foi sepultada em Marinópolis, com o vestido de noiva – iria se casar no sábado seguinte. “O nosso grupo era muito unido e nós conversávamos bastante, inclusive sobre os nossos sonhos. A Luély tinha planejado se casar no final do ano passado, mas como o noivo ainda estava cursando engenharia civil, eles resolveram adiar o casamento. Eles pensavam em se casar em setembro deste ano. Esse era o sonho dela, que era ótima pessoa”. Segundo Nishimoto, Luély viajava no banco da frente.

Fraturas

Sérgio Nishimoto saiu do acidente com várias fraturas – “mas com vida, graças a Deus”, ele ressalta - e teve que ficar internado na Santa Casa de Jales por nove dias, onde passou por duas cirurgias. “Fraturei três costelas, a escápula direita, os braços direito e esquerdo, a tíbia esquerda e tive que passar por duas cirurgias. Uma delas foi no braço esquerdo, que teve vários ossos moídos, onde foram colocados várias placas e pinos. E a outra foi na tíbia da perna esquerda, que também recebeu algumas placas. Felizmente, as cirurgias foram bem sucedidas e três dias depois eu já movimentava a perna, sem sentir dor”, explicou o ex-vereador, que, desde que saiu da Santa Casa, usa um colete e se locomove com uma cadeira de rodas. “A previsão era de que eu ficaria 45 dias na cadeira de rodas, mas, depois de fazer alguns exames, o médico – o ortopedista Frederico Marques Neves – resolveu prorrogar esse prazo”.

Sobre o atendimento que recebeu na Santa Casa de Jales, Nishimoto só tem elogios. “Eu quero inclusive aproveitar esta oportunidade que o jornal me proporciona para agradecer publicamente a todo o pessoal da Santa Casa. Eu fui muito bem atendido durante todo o tempo que fiquei lá e, além de receber a atenção dos profissionais que me atenderam, recebi também o carinho do pessoal da direção – o Amauri, o Toshiro, o Júnior Violada – que passava quase todos os dias para ver como é que eu estava. Estendo esse agradecimento ao doutor Frederico, que demonstrou muita competência não apenas nas cirurgias, mas também em todo o atendimento que me prestou”, concluiu Nishimoto.

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