Ser preso dá prestígio

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“O bispo Dom José Ronaldo, acusado de liderar um esquema de desvio de dízimo na Diocese de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, deixou a cadeia após concessão de habeas corpus pela Justiça. Além dele, outros quatro clérigos e dois empresários foram soltos. Sorridentes, eles foram recebidos com festa por parentes e amigos, que entoavam cânticos religiosos na porta do presídio e deram uma salva de palmas quando houve a soltura.” (Site noticioso)

Se algum antilulista e antipetista estiver abismado com a festa para comemorar a soltura do bispo de Formosa e seus sacerdotes, estado de Goiás, se prepare, porque ser preso hoje dá prestígio. “Esse negócio de prender grandões é só para inglês ver, cadeia mesmo é feita para pobre”, pensa a maioria.

Já vi a polícia ser apedrejada em Araçatuba porque estava prendendo “bandidos”. Aliás, o mesmo ocorreu entre Jesus e Barrabás, não é mesmo. Quando Pôncio Pilatos gritou quem soltava, dava a liberdade, a população gritou que queria ver o Filho do Homem crucificado. Esse negócio é antigo.

Aliás, temos dois brasis. O primeiro é burocrático, cheio de leis, com a prevalência da meritocracia, farisaico, bem ao gosto da classe média, que se espelha mais na Suécia, nos países anglo-saxões. Esse é o meu lugar social.

As classes alta e baixa possuem moral mais convergente, de colaboração. A primeira quer fazer a América, capitalizar-se cada vez mais; já os pobres vivem o sentimento de não pertencimento, são sempre excluídos, portanto, nada importa. Basta surgir a crise, que são os primeiros a serem atingidos.

Pátria para os pobres é cantar o Hino Nacional quando as autoridades exigem e torcer para a seleção brasileira de futebol.

O patriotismo de chuteiras está meio arrefecido depois de o selecionado brasileiro perder por 7 a 1 da Alemanha.  Para os ricos, capital não tem pátria, com dinheiro vive-se bem em qualquer país. Espelham-se mais nos países latinos, principalmente Itália e Espanha.

Buscando o livro de Mário de Andrade, Lula é o Macunaíma, síntese da alma brasileira; Sérgio Moro é Venceslau Pietro Pietra. Para os intelectuais, sugiro a leitura dos livros de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, Dante Moreira Leite. Eles discutem a formação do caráter do brasileiro.

Rouba mas faz, rouba mas distribui. Lula é acusado de ter roubado, mas no governo dele era cerveja e carne em todas as casas em finais de semana.

Essa deve ser a lógica de Formosa-GO.

 

 

 

*É professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP   

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