Se preparar para a velhice

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“Eric Clapton foi visto, na manhã desta quinta-feira, 30/03/2017, em uma cadeira de rodas, enquanto entrava no aeroporto LAX, em Los Angeles, nos Estados Unidos. As imagens são do site especializado em celebridades TMZ.com. A publicação afirma que, ao lado do guitarrista, segurando-lhe a mão, está uma das filhas dele.

O guitarrista britânico estaria deixando a cidade depois de cancelar duas apresentações que seriam realizadas no fim de semana anterior, dias 25 e 26 de março.

Em junho do ano passado, em entrevista à revista Classic Rock Magazine, Clapton, de 71 anos, revelou que tem neuropatia periférica, uma doença que age no sistema nervoso e afeta o movimento dos pés e das mãos. Isso, inclusive, estaria tornando difícil a tarefa de tocar guitarra.

‘Ficar velho, cara, é duro. (É) difícil tocar guitarra e tive de entrar em acordo com o fato de que não vou melhorar’, disse, à publicação. ‘E tive de descobrir como lidar com isso e outras coisas que vêm com o envelhecimento’ (Estadão)

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TEXTO DE HÉLIO CONSOLARO: quem escreve, principalmente o cronista, sempre é recorrente, dizendo as mesmas coisas. Não é a primeira vez que escrevo isto: aos 28 anos, quando nasceu a Hélen, eu comprei  numa cesta de  liquidação livros de uma livraria um exemplar de “Saber envelhecer”, de Alfons Deecken, 2ª edição, 1973, Editora Vozes.  Cícero, escritor e político da República Romana, também tem livro publicado com o mesmo título.

Estou esperando essa velhice há 41 anos, mas pouco aprendi. De vez em quando, volto à leitura do livro, principalmente das partes apostiladas.

E hoje, ao ler a notícia abaixo, com o guitarrista Eric Clapton impedido de tocar seu instrumento, fui procurar o mesmo livro em minha estante, quando bati a minha cabeça numa das portas. Na hora, pensei: “realmente, não soube envelhecer, não avaliei minha queda nas habilidades”.

O guitarrista me passou tranquilidade, está aceitando as limitações impostas pela doença e pela velhice, está com 71 anos. Como escreveu Nietzsche: “Aquele que conhece o porquê da vida pode suportar-lhe o como”.

Estou vivendo a parte mais difícil da velhice, o início da aposentadoria. Vendo o meu jeito irrequieto, todos diziam que não ia suportá-la, mas até agora está às mil maravilhas, porque “o vazio que muitos subitamente sentem, no momento da aposentadoria, já existia há muito tempo. Estava apenas encoberto por uma atividade desassossegada”.

Não pretendo podar árvores usando escada, nem subir em coberturas para retirar telhas quebradas, como alguns amigos fizeram e se deram mal.

 

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

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