Sandra Marcondes Carazo: “É um comportamento arrogante não cuidar de si e não cuidar dos outros”

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A médica Sandra Marcondes Carazo foi entrevistada na última quinta-feira, 15, por Matheus e Franley Garcia Júnior, no InteriorCast

A médica cirurgiã Sandra Maria Marcondes Carazo, que comanda o Núcleo Central de Saúde “Doutor Antônio Queda”, conhecido popularmente como “Covidário”, foi a convidada da última quinta-feira, 15 de julho, do InteriorCast, programa transmitido ao vivo pela internet a partir de estúdio montado nas dependências do Jornal A Tribuna. 

A médica foi responsável pelo setor de pequenas cirurgias ambulatoriais do AME-Jales, também atuou no Hospital de Amor e atualmente coleciona uma legião de gratos ex-pacientes de Covid-19, que acabaram se tornando fãs do trabalho desenvolvido ao lado do jovem médico Fabrício Fola. 

Em 8 de fevereiro, a Câmara Municipal de Jales aprovou por unanimidade uma Moção de Aplausos pelo trabalho no Covidário, no atendimento aos pacientes contaminados pelo Novo Coronavírus.   

Apesar de evitar polemizar, durante as pouco mais de duas horas que durou a entrevista, a cirurgiã mostrou aos apresentadores Matheus Garcia e Franley Garcia Júnior o porquê de ser considerada referência no combate à doença em Jales e na região. 

Sandra fez um importante alerta sobre o comportamento de algumas pessoas que tomam a primeira dose da vacina e passam a agir como se estivessem imunizadas.

De acordo com números fornecidos pela profissional, 217 pessoas foram atendidas e tratadas no Covidário, nos últimos dois meses. Dessas, 76 pessoas, ou 35%, já tinha recebido a vacina. E desse grupo, um terço (25 pessoas) já tinham tomado as duas doses. Metade dessas pessoas contraiu a doença no intervalo entre a primeira e a segunda dose. 

“Não está no script da vacina que ela é 100% eficaz. Tomar vacina e achar que está tudo bem é um erro primário. As pessoas tomam a primeira dose da vacina e acham que estão protegidas, então relaxam as medidas de proteção”.

Na sua opinião, um dos principais empecilhos para o fim da pandemia é o comportamento da população. “Tem muita coisa envolvida, tem muito interesse. Acho que tem a questão dos interesses pessoais acima de interesses da sociedade como um todo, tem interesses de corporações, interesses de empresas, de governos, mas lamentavelmente o comportamento das pessoas é um grande vilão. Há uma arrogância. É um comportamento arrogante não cuidar de si e não cuidar dos outros ou não levar em consideração que alguns tipos de comportamentos podem causar a morte de alguém. Não é falta de falar, não é falta de avisar nem de ver as estatísticas sobre as mortes”.  

Perguntada sobre os boatos que garantiam que o número de óbitos por Covid eram inflados para que as prefeituras e hospitais recebessem verbas para investir no tratamento, a médica respondeu que o equivoco se dava porque muita gente dizia que as pessoas não morriam de Covid, mas de outras enfermidades.  

“Um político italiano disse que as pessoas não estavam morrendo de Covid, mas de trombose no pulmão, etc. Mas essa é a fiospatologia da doença. A doença inflama os vasos, trombosa a microcirculação, o pulmão vai embora, o cérebro, o rim vai embora e se a pessoa não cuida, morre. Tá morrendo gente toda hora, durante o pós Covid. O que está causando isso? Se a pessoa não tivesse Covid, isso não teria acontecido. Cerca 16,5% das pessoas que têm Covid podem desenvolver problemas de coagulação e morrer entre duas a quatro semanas depois, por infarto, AVC ou embolia. O legado da doença continua [depois da alta]”.

Aos negacionistas que insistem em minimizar o potencial nocivo do Novo Coronavírus, ela fez um convite para que visitem o local onde os doentes estão sendo tratados diariamente.     

“Existem os da teoria da conspiração que dizem que não está morrendo tanta gente, mas nós que estamos lá (na linha de frente) estamos vendo que está morrendo, sim. Aliás, é um convite: quem quiser assistir pra ver que é real, não é ficção, não é mentira.”   

Sandra enalteceu a contribuição da unidade exclusiva para tratamento da Covid, o chamado Covidário, que desafogou o sistema e reduziu o fluxo de pacientes na Santa Casa e na UPA.

“Se a gente não tivesse fazendo esse trabalho lá (no Covidário), eu não sei como estariam as vagas [na Santa Casa] porque hoje estamos com 100% de ocupação da UTI e 65% de ocupação na enfermaria”.

O InteriorCast vai ao ar às segundas e quintas-feiras a partir das 19 horas, pelo You Tube (https://www.youtube.com/c/InteriorCast) e no Facebook/InteriorcastJales.

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