Rede de Intrigas

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O jornalista Fernando Brito nos diz que “a regressão do Brasil é tamanha que a cena política traz à mente coisas de um passado que, afinal, era premonitório desta ‘sociedade do espetáculo’ em que tentam nos mergulhar, embora a realidade, ao contrário, tenha sombras e não holofotes, dramas e não comédias românticas”.

Vendo esta torpeza praticada pela Rede Globo com o “vai-não-vai” da candidatura de Luciano Huck, recordei-me de um filme da adolescência chamado Rede de Intrigas, do espetacular diretor Sidney Lumet, com um time de craques que teria nove indicações e quatro vitórias no Oscar daquele ano.

Para quem não tiver idade ou memória para lembrar, a história narra o que se passa numa emissora de TV – e de resto em toda a mídia – quando um apresentador, demitido pelos baixos índices de audiência, anuncia, no ar, que vai “estourar os miolos” diante das câmeras, dali a uma semana. A audiência, claro, é o que explode, enquanto o país vive o drama de um governo fraco (Gerald Ford), tão fraco que perderia para Jimmy Carter, um Itamar Franco gringo, no ano seguinte.

Francamente, parece que se está se passando isso por aqui. O país está a 10 dias de um evento carregado de uma carga dramática como poucas vezes se viu na história, com um ex-presidente popularíssimo, líder disparado em todas as pesquisas eleitorais, prestes a ser alijado da disputa eleitoral por um “crime” que não se sabe bem o que teria sido, nem se conhece provas de que tenha acontecido e que, para a imensa maioria, teria a ver com “ganhar” um apartamento no Guarujá, o que não ganhou, claro.

Mas o foco da mídia é um apresentador de TV que desfila na Globo, como os cavalos de corrida desfilam no cânter, aquele passeio que dão diante dos apostadores, como se a eleição presidencial fosse uma carreira hípica, a discutir se ele vai ou não disputar o páreo. E ainda mais, um cavalo do qual não se conhece nada, exceto o haras de onde provém e que parece, dada a desgraça em que caíram seus amigos, a começar de Aécio Neves, com o anúncio feito dia 09  pela BRF, na Folha: BRF lança marca para baixa renda com sobras de Sadia e Perdigão.

Huck, afinal, é isso: uma farinata eleitoral, um candidato feito a partir de produtos rejeitados ou no final da validade, reciclados numa embalagem global para atrair os pobres e os simplórios, promovido em sessões de publieditoriais “da casa”, enquanto o personagem, lá dos hotéis de luxo de Dubai, onde passeia agora (talvez com o dinheiro de publicidade da Petrobras), não é cobrado por ninguém a dizer coisa alguma, exceto que é um bom moço.

A fina flor da elite nacional, a começar pelo luminoso farol da inteligência que se considera Fernando Henrique Cardoso, não tem sequer um grão de pudor em embarcar – ou se manter com um pé no estribo –  numa aventura oportunista, que nada visa senão o objetivo de ter alguém dócil e inofensivo no lugar que não poderá, nunca mais , ser ocupado por um filho do povo brasileiro.

Falta alguém completar a frase do Câmara Cascudo, de que o melhor do Brasil são os brasileiros. O pior, suas elites.

PS: O país da trincheira do golpe encerra o ano demasiadamente envergonhado. O jogo da segunda denúncia da PGR contra Michel Temer foi disputado, mas se mostrou sujo, bolorento e mal cheiroso. Vimos o submundo da política se movendo a todo custo para blindar o presidente, mas que não conseguiu ficar oculto em todos os seus asquerosos lances. Repulsivas e agressivas, estas forças se apoiaram na pouca confiança que ainda existe na boa política. Estes deputados se posicionaram ao lado de Temer e viraram as costas para o país. A manutenção dessa gente no governo deixa o Brasil agonizando em berço esplêndido. Com ataques acelerados e sem qualquer pudor, a soberania de um projeto de Brasil, a democracia e os direitos estão definhando. O custo da imoralidade chegou a R$ 32 bilhões, com repasse de verbas regionais aos redutos eleitorais dos deputados, perdão de dívidas de empresas, do agronegócio e leniência para bancos. Num país com dificuldades financeiras, ver o Governo e a Câmara fatiar e pilhar a nação para livrar a cara de Temer é de revoltar.

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