Protetora denuncia venda indiscriminada de Chumbinho em Jales

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Mais sete gatos foram mortos na manhã da última quinta-feira, em Jales. Protetoras dizem que foram envenenados com chumbinho

Pelo menos sete gatos foram mortos na manhã desta quinta-feira, 27 de maio em Jales. As protetoras acreditam que muito possivelmente eles foram envenenados por uma substância ilegal conhecida como chumbinho, já que eram saudáveis e alguns tinham dono. Os animais foram encontrados mortos na esquina das ruas Dezenove e Vinte e Seis, no Jardim Novo Mundo. A polícia compareceu ao local, mas não se sabe se foi aberta uma investigação.

Segundo um grupo de protetoras independentes, o envenenamento de animais, principalmente gatos, é frequente em Jales. Recentemente houve registros no Jardim Estados Unidos (três gatos) e no Jardim Renascer (mais três). Os envenenamentos acontecem inclusive durante o dia. 

Uma das integrantes do grupo disse que o veneno popularmente conhecido como “Chumbinho” pode ser encontrado em muitas lojas de ração e pet-shop e isso facilita a matança indiscriminada. “Em Jales não tem fiscalização. Estamos pedindo para a Prefeitura uma fiscalização nas casas de ração, veterinárias porque a maioria delas vende chumbinho e isso é ilegal. É muito fácil comprar, só que é proibido. As pessoas vão lá, compram e matam os gatos”.    

A protetora reclama que a polícia raramente atende ao chamado das protetoras. “A gente é protetor voluntário e não tem autoridade para entrar na casa de ninguém, mas quando chama para eles irem junto com a gente, eles não vão. O que a gente quer é que eles investiguem, que eles dêem um respaldo para gente. Não é expor as protetoras, porque isso vai complicar [os denunciantes]. É ir lá e ver o que aconteceu”.  

“Isso não pode continuar assim. As protetoras tiram do bolso para alimentar, cuidar, castrar e vem algum é joga veneno. Em vez das pessoas nos ajudarem, ficam envenenando. Não é essa a solução”.

O QUE É O CHUMBINHO

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alerta que chumbinho é perigoso, ilegal e não possui qualquer registro em órgão público brasileiro.

- O que é o ‘chumbinho’?

É um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na Anvisa, nem em nenhum outro órgão de governo.

- Qual é seu aspecto físico?

Geralmente sob a forma de um granulado cinza escuro ou grafite (“cor de chumbo”).

- Existem recomendações de segurança para a aplicação de ‘chumbinho’ como raticida?

Não. Trata-se de um produto ilegal que não deve ser utilizado sob nenhuma circunstância.

- Do que consiste o ‘chumbinho’? Qual a sua origem?

Em geral, trata-se de venenos agrícolas (agrotóxicos), de uso exclusivo na lavoura como inseticida, acaricida ou nematicida, desviado do campo para os grandes centros para serem indevidamente utilizados como raticidas. Os agrotóxicos mais encontrados nos granulados tipo ‘chumbinho’ pertencem ao grupo químico dos carbamatos e organofosforados, como verificado a partir de análises efetuadas em diversas cidades do país. O agrotóxico aldicarbe figura como o preferido pelos contraventores, encontrado em cerca de 50 % dos ‘chumbinhos’ analisados. Outros agrotóxicos também encontrados em amostras analisadas de ‘chumbinho’ são o carbofurano (carbamato), terbufós (organofosforado), forato (organofosforado), monocrotofós (organofosforado) e metomil (carbamato). A escolha da substância varia de região para região do país.

- Quem “produz” e comercializa o ‘chumbinho’?

Quadrilhas de contraventores, que adquirem o produto de forma criminosa (através de roubo de carga, contrabando a partir de países vizinhos ao Brasil ou desvio das lavouras), fracionam e/ou diluem e revendem no comércio informal. Algumas casas agrícolas irresponsáveis também comercializam ‘às escondidas’ este veneno, agindo igualmente de forma clandestina.

- Quais são os perigos do uso irregular/ilegal de ‘chumbinho’ e os sintomas de intoxicação?

Sendo um produto clandestino/sem registro, ele não possui rótulo contendo orientações quanto ao seu manuseio e segurança, informações médicas, telefones de emergência e, o que é ainda mais grave, a descrição do agente ativo bem como antídotos em caso de envenenamento, o que é fundamental para orientação do profissional de saúde nesse momento.

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