Protesto marca primeiro aniversário do incêndio do bosque

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O aniversário de um ano do incêndio foi marcado por um protesto silencioso feito com cartazes pedindo punição aos responsáveis pelo incêndio

Um pequeno protesto marcou a passagem do primeiro aniversário do incêndio que destruiu mais de 70% do Bosque Municipal de Jales Aristóphano Brasileiro de Souza. Cartazes afixados nos alambrados pediam a conclusão do inquérito aberto para apurar as responsabilidades e punir os culpados. Cruzes na calçada também lembravam a morte de animais que não conseguiram fugir das chamas. “Cadê os culpados”, “inquérito sem conclusão” e “um ano do incêndio” eram os dizeres estampados nos cartazes. 

O incêndio que devastou o Bosque Municipal de Jales aconteceu no dia 17 de setembro de 2019 e começou por volta de 12h45 nos fundos de um terreno que fica entre a Primeira Igreja Batista e o Bosque Municipal, na Avenida Paulo Marcondes. 

No dia seguinte, um inquérito foi aberto por determinação da justiça. Nesse período, o delegado responsável, Sebastião Biazi, determinou perícias, e interrogou várias testemunhas, entre elas, dois policiais ambientais, o coordenador da Defesa Civil, o proprietário do terreno onde o fogo começou, a contadora dele, dois construtores que ajudaram a libertar o gado confinado no terreno e o dono do gado.  

O inquérito foi dilatado por várias vezes para que as testemunhas pudessem ser ouvidas. A última foi no dia 21 de agosto.    

A suspeita mais forte da investigação era que as chamas tenham sido provocadas por usuários de drogas que frequentam o terreno e poderiam ter ateado fogo involuntariamente ao jogar uma bituca ou brasa no mato seco.  A teoria foi reforçada por registros feitos pela reportagem do jornal A Tribuna – a primeira a chegar ao local, ainda no momento em que o incêndio se iniciava. As fotos e os vídeos registrados foram entregues à polícia para auxiliar nas investigações.

Eles mostram o início do incêndio ao lado do muro da Igreja Batista, nos fundos do terreno que é usado também como pastagem. Em seguida, o fogo se alastra pelo mato seco em direção à Avenida Paulo Marcondes e ao bosque. 

Outras fotografias feitas na tarde do dia seguinte à ocorrência mostram o que seria um “alojamento” de viciados. Havia algumas cadeiras e poltronas velhas que, segundo populares ouvidos pelo jornal, eram usadas para facilitar o consumo de entorpecentes. As marcas deixadas pelo fogo no pasto confirmam que o incêndio começou bem próximo do ponto onde esse “alojamento” estava e corroboram os registros fotográficos.

O terreno tem duas entradas. Uma pela Avenida Paulo Marcondes e outra pela Avenida Francisco Jalles, no trecho ao lado da Vila União. A reportagem apurou que é por essa última entrada que os viciados acessavam o terreno e é também por onde entrava o gado que ali pastava.

A polícia também apura se o péssimo estado do aceiro que separa o terreno e o bosque contribuiu para que o fogo alcançasse a reserva. As fotos do incêndio mostram que o mato estava alto e praticamente alcançava a altura da cerca na margem do imóvel, ou seja, o intervalo de vegetação que deveria servir de barreira para o fogo não existia. 

A situação foi questionada pela polícia durante depoimentos das testemunhas. O proprietário do terreno, por exemplo, disse que o aceiro é de responsabilidade da Prefeitura. Por outro lado, a Prefeitura realizou aceiro no local e notificou o proprietário para que ele pagasse o serviço e impedisse que o gado que pastava no terreno voltasse a invadir o bosque. 

 AJUSTAMENTO DE CONDUTA

Existe um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público Federal e a Prefeitura de Jales para revitalização e modernização do Bosque Municipal. No fim de setembro, cerca de dez dias depois do incêndio, o procurador federal, José Rubem Plates, anunciou que o acordo passaria por uma reavaliação completa. 

As etapas e os prazos definidos no acordo estavam em execução, mas o incêndio anulou não só o que já estava pronto, como inviabilizou a implantação de novas benfeitorias. 

O procurador ressalvou que a investigação sobre a autoria do incêndio não é da responsabilidade do MPF, mas o órgão está acompanhando a situação exatamente por conta do TAC e do investimento de verbas federais no local.       

 

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