Procon está autuando quem vender gás fora do preço em Jales

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O Procon está autuando comerciantes que venderem o botijão de gás de 13 quilos por mais de R$ 70,00

O Procon Municipal, órgão de defesa do consumidor ligado ao Procon Estadual, está autuando revendedores de gás que se aproveitarem da escassez do combustível para aumentar os preços ao consumidor e obterem lucro abusivo. A primeira fiscalização em campo foi feita na última terça-feira, 14, e uma segunda já está agendada para a semana que começa. O preço recomendado é entre R$ 65 e R$ 70, mas foram encontrados botijões sendo vendidos a quase R$ 80. Nas primeiras semanas da pandemia, as reclamações chegaram a uma media de 150 por semana.   


“Como não conseguiram apresentar notas fiscais que justificassem o aumento e não comprovaram que tinham adquirido o produto com preço reajustado, esses revendedores foram autuados e obrigados a abaixar os preços imediatamente”, disse a coordenadora do Procon de Jales, Lilian Chsristine Lourenço. Os revendedores, contudo, não informaram aos fiscais do Proncon os motivos do aumento, nem da escassez. Apenas prometeram que a situação vai se regularizar na semana que vem.    


ESTOCAGEM
A reportagem do jornal A Tribuna conversou com alguns comerciantes que disseram que a falta do produto se deve a dois fatores. Falta de entrega pelas distribuidoras e estocagem pelos consumidores.

 
Na manhã de sexta-feira, 17 de abril, voltaram a ser registradas filas extensas em algumas revendas de gás. Em outras, o produto acabou tão rápido que nem fila houve. 


Um dos comerciantes ouvidos na manhã de sexta-feira disse que, apesar de trabalhar com quatro distribuidoras, não recebia o produto desde a quinta-feira passada (dia 9) e que tinha uma lista de espera de cerca de 70 pessoas. 


“Normalmente eu vendo uns 150 botijões por semana. Hoje eu recebi apenas dez e isso não dá nem pro cheiro, Fui obrigado a fazer uma lista de espera e já tenho umas 70 pessoas”.
Ele disse que algumas distribuidoras estão oferecendo o gás com preço mais alto que o normal, mas garantiu que está se esforçado para não repassar o sobrepreço aos consumidores.    


“Eu trabalho com duas empresas que eu compro mais fixo e outras duas que eu compro de vez em quando. Uma já veio com preço mais alto”, disse.


Todos os comerciantes ouvidos relataram que as distribuidoras alegam estar trabalhando com pessoal reduzido por conta da pandemia do Novo Coronavírus, mas a versão não convence.


“Isso é culpa do [governador João] Dória que quer segurar os produtos para ferrar com a economia”, disse um deles. 


Outro, mais realista, acredita que o aumento injustificado seja ação especulativa das distribuidoras, que se aproveitam da grande procura. “As distribuidoras estão segurando o produto porque se fosse isso que eles alegam (equipe reduzida) eles até poderiam demorar um pouco mais pra carregar um caminhão, mas não levaria dez dias ou uma semana. É que eles estão vendo que o povo está formando fila para comprar e aproveitaram pra tirar um pouco mais”.


Um terceiro confirmou a suspeita de que esteja havendo estocagem do combustível. “A gente não tem como provar. Mas vem pessoas que compram uma vez e depois mandam um parente voltar aqui no mesmo dia. Não tem necessidade disso. Vamos supor: se você gasta um botijão a cada 50 ou 60 dias, só vai precisar comprar outro daqui a muito tempo. Ainda mais se tiver outro de reserva”.
Estimativas dos comerciantes dão conta de que uma família mais típica, composta por quatro pessoas, tenha um consumo médio de um botijão de gás (13 quilos) a cada 30 dias. 

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