Primeira bailarina transexual do Theatro Municipal de São Paulo, jalesense volta ao palco onde iniciou carreira

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A consagrada bailarina jalesense Márcia Dailyn está de volta ao Theatro Municipal de São Paulo

 

A consagrada bailarina jalesense Márcia Dailyn voltou a ser destaque na grande imprensa, em matéria publicada pelo portal UOL, que a entrevistou. Segundo a matéria, a bailarina de 41 anos está de volta ao Theatro Municipal de São Paulo, onde ela estudou, para apresentar o espetáculo “Mississipi”. Na entrevista, Márcia conta que a volta ao palco do Theatro Municipal será um reencontro com suas recordações. Márcia nasceu menino aqui em Jales num Dia dos Pais – 13 de agosto de 1978 – e diz que “fui um presente para o meu pai”, o eletricista Lau, que fez uma tremenda festa no dia do seu nascimento.

   Cedo ainda ela aprendeu a assumir responsabilidades para ajudar os pais, pessoas humildes e trabalhadoras. Aos 12 anos, ela cuidava de sua irmã, Jaqueline, que nascera onze anos depois dela, e, naquela época, já sabia que era uma mulher, aprendendo a conviver com todos os conflitos dessa descoberta. Márcia entendeu, muito cedo, que a cosmopolita São Paulo entenderia melhor sua identidade de gênero e a sua vontade de ser bailarina. Aos dezoito anos, ela pegou um ônibus em Jales e, oito horas depois, desembarcou em São Paulo, levando na bagagem – além de algumas roupas – o sonho de estudar ballet clássico no Theatro Municipal. “Foi difícil, sim. Morei na casa dos outros de favor, mas nunca desisti. Fui atrás!”.

Márcia enfrentou preconceitos – inclusive de algumas colegas – mas jamais desistiu de seu sonho, até que conseguiu a proeza de ser a primeira bailarina transexual do mais tradicional palco do Brasil. Ela não ficou conhecida apenas por ser a primeira bailarina transexual, mas sim por seu enorme talento: por três anos consecutivos, Márcia foi eleita a melhor bailarina São Paulo. Para vencer os preconceitos, contou com os preciosos conselhos da diva cubana Phedra D. Córdoba, bailarina e atriz também transexual, que faleceu em 2016. Phedra foi quem a incentivou a entrar no Cuballet, onde aprendeu muita coisa. “Hoje, nessas voltas inimagináveis da vida, faço a peça em homenagem a ela, ‘Entrevista com Phedra’, com muito orgulho”, diz Márcia.

Ela conta, radiante de felicidade, os fartos elogios feitos pelo novelista Aguinaldo Silva, que assistiu “Entrevista com Phedra” e, ao final, aplaudiu de pé a peça. “O Aguinaldo, autor da novela Tieta, que eu via quando criança em Jales, veio nos assistir e me emocionou muito com as palavras generosas que ele me falou”, diz a bailarina. “Tudo isso me faz voltar no pensamento a Jales, onde minha mãe, Selma, vendia coxinhas para eu não desistir. Como eu amo minha mãe! E quando eu me formei bailarina no Municipal, mostrei o registro para meu pai e, de repente, vi que lhe brotaram lágrimas nos olhos. ‘Eu amo você, minha filha e sabia que você ia conseguir’, me disse ele, após emocionado silêncio”, contou Márcia.

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