Prefeitura não consegue contratar pediatras para unidades de saúde. Eles querem R$ 16 mil por mês

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A secretária Maria Aparecida explicou as dificuldades para contratação de pediatras

Desde a quinta-feira, 31, as unidades de saúde do programa “Estratégia de Saúde da Família” (ESF) de Jales estão sem médicos pediatras para atender os usuários dos serviços públicos de saúde prestados à população. Os municípios não estão obrigados a disponibilizar o atendimento de pediatras nos postos do ESF, mas, segundo a secretária Maria Aparecida Moreira Martins, as unidades de Jales começaram a contar com esses profissionais especializados há cerca de seis ou sete anos. “A população, sobretudo as mães, já se acostumou com esse atendimento especializado e nós nos empenhamos para não deixar que ele fosse interrompido, mas, por motivos alheios à nossa vontade, isso está acontecendo. De qualquer forma, nós já orientamos os responsáveis no sentido de que o atendimento às crianças seja feito pelo clínico geral de cada unidade. Claro que as mães preferem um especialista, mas, nesse momento, o importante é não deixar as crianças sem atendimento médico”, disse Maria Aparecida.

A secretária reuniu a imprensa local, em entrevista coletiva concedida na quinta-feira, 31, para explicar o que está acontecendo. “Nós tínhamos conhecimento sobre o final dos contratos com os pediatras e desde agosto já cuidamos de tomar providências para a assinatura de novos contratos. O setor de licitações já realizou dois pregões visando a contratação dos pediatras, mas, infelizmente, as duas tentativas fracassaram. Na primeira, o problema foi com a documentação dos médicos. Depois de alguns lances no pregão, eles toparam trabalhar 20 horas semanais por algo em torno de R$ 13 mil mensais, mas, ao verificar os documentos, o pregoeiro viu que eles não estavam em ordem. No segundo pregão, o problema foi que os médicos pediram um valor que estava acima daquele estimado pela Prefeitura, que era de R$ 13,1 mil. Nós entendemos a posição dos médicos, mas a Prefeitura tem um limite de gastos e isso precisa ser considerado”, disse Maria Aparecida.

O jornal A Tribuna apurou, junto ao setor de licitações, que pelo menos dois pediatras participaram do segundo pregão, mas eles não quiseram baixar suas propostas, que giravam em torno de R$ 16 mil mensais por 20 horas semanais trabalhadas. “Nós explicamos que não poderíamos, por lei, aceitar propostas acima do valor orçado no pregão, que era de R$ 13,1 mil, mas eles não quiseram baixar suas pedidas. Agora, nós vamos ter que fazer um novo pregão, mas isso deve demorar um pouco, pois nós temos que realizar uma nova pesquisa sobre os valores que estão sendo pagos na região”, explicou o pregoeiro Renocler Marques de Oliveira.

A secretária de Saúde, Maria Aparecida, confirmou que, ante a dificuldade para realizar outro pregão, a Prefeitura vai tentar contratar os pediatras em caráter de urgência, ou seja, sem a realização de licitação. Ela disse que a Prefeitura estuda, também, baixar a carga horária dos pediatras para 15 horas semanais. “Quem sabe assim nós possamos pagar o que eles estão pedindo”. O jornal apurou, também, que a Prefeitura teme que os valores pedidos pelos pediatras possam inflacionar o setor. “Se nós pagarmos isso, daqui a pouco os ginecologistas, que ganham cerca de R$ 12 mil mensais por 20 horas semanais, e os clínicos gerais, que ganham mais ou menos a mesma coisa, só que por 40 horas semanais, vão querer um aumento também”, disse um assessor do prefeito. Ele reconheceu, porém, que “nós temos perdido alguns bons médicos, que estão preferindo trabalhar em outros municípios da região, porque eles estão pagando melhor”.

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