Polícia investiga maior estelionatário da cidade

180520095956.jpg
O delegado Edson Sakashita pede que os comerciantes não relaxem as medidas de segurança durante a crise para garantir venda

A Polícia Civil de Jales está na cola daquele que pode ser o maior estelionatário da história da cidade. F.F.P. teria aplicado mais de duas dezenas de golpes. Pelo menos uma dúzia de vítimas já foram identificadas. O homem é casado e tem um enteado, e a polícia investiga a participação de familiares nos golpes. Ele já esteve preso por oito anos pelo mesmo crime, mas depois que as queixas aumentaram nos últimos meses, a polícia intensificou as investigações e, na última quinta, 14, foi até a casa dele, na Rua das Violetas, para fazer uma busca por provas. No local foram encontrados cerca de 50 cheques furtados, roubados e extraviados em diversas cidades da região e em diversas datas. Apenas dois cheques estavam assinados pelos verdadeiros donos, mas estavam com o conteúdo em branco. Eles pertencem a amigos do enteado de F.F.P. e a polícia acredita que alguns golpes foram cometidos com a participação desses amigos. O enteado também está sendo investigado.    


A sua especialidade é a troca de cheques. Ou seja, F.F.P. procura um estabelecimento comercial ou de serviços, consome ou adquire produtos, paga a conta com um cheque de maior valor e pede troco. Os cheques são invariavelmente frutos de roubos, furtos, falsificações e outras modalidades de crimes, e o comerciante perde o valor do que vendeu e o valor excedente que constava no cheque. 


O mesmo golpe foi aplicado em veterinária, pet shop, casas de água e gás, de marmitas, postos de combustíveis, troca de óleo, mecânica, papelaria, padaria, quitanda, loja de tintas, restaurante, açougue, enfim ninguém escapa. Certo de sua impunidade, há duas semanas, F.F.P. passou um cheque que continha o que seria a assinatura de um famoso pastor da cidade. Os cheques estão registrados em Boletins de Ocorrência de furtos e roubos cometidos em várias partes do estado de São Paulo, como Barretos, São José do Rio Peto, e a polícia suspeita que F.F.P. faça parte de uma rede de desova de produtos de crimes. Ele seria o comprador a quem os ladrões recorrem para transformar em dinheiro os cheques que roubaram. “Estou na polícia há 25 anos e esse rapaz dá trabalho esse tempo todo. Já esteve preso por oito anos e voltou para atazanar as pessoas”, disse um policial.  


CÚMPLICES
A polícia acredita que outro tipo de golpe coordenado por F.F.P. conta com a participação de pelo menos dois jovens amigos do enteado dele. Os jovens com idade abaixo de 20 anos, teriam aberto contas bancárias com o único intuito de obter talões de cheques e repassar para o golpista. Dois cheques encontrados em seu poder no dia da busca policial corroboram essa versão. Os documentos estavam assinados, mas não tinham os valores preenchidos. “Eles pegavam os talões e davam para o rapaz que passava nos estabelecimentos sempre com valores muito acima da dívida. Como os cheques não tinham saldo, o comerciante ficava com o prejuízo”, disse o delegado Edson Sakashita, que preside o inquérito.  


F.F.P. pode ser indiciado por associação criminosa, além do estelionato. Os cúmplices também responderão pelos mesmos crimes. 


O delegado ressalta que os comerciantes não podem relaxar as medidas de segurança, como verificar a procedência do cheque e a identidade do cliente. “Nessa época de quarentena as vendas estão em baixa e os comerciantes acabam relaxando a segurança para não perder a venda e é disso que os estelionatários se aproveitam”.   

Deixe um comentário