Palmeirinha, Verdim, Valentim

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Nesse primeiro ano de aposentado tomei porre de ver programa esportivo, jogos, qualquer pelada televisionada, eu estava sentado no sofá. Eu tinha até assinatura Première para completar a insanidade. Vi quase todos os jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2016.

Com esse acompanhamento minucioso, pude confirmar que a crônica esportiva deixa muito a desejar, há programas que só ficam no bate-boca e fui percebendo as incoerências cometidas pelos jornalistas.

Os profissionais da crônica esportiva tiram leite de pedras, porque o futebol acontece num retângulo, não permite tanta criatividade. A missão foi mais bem vivida por mim em 2016 porque meu Verdão foi campeão do Brasileirão. Em 2017, sofri muito, porque o Palmeiras perdia, eu não ligava a televisão para ouvir os bocas-rotas falarem mal de meu time. Cortei a minha assinatura Première.

As torcidas não ajudam, mas se elas fossem sensatas no momento do emocional coletivo, não teria esse nome. Quando todos os palmeirenses gritavam “volta Cuca”, eu timidamente resmungava “Fica Eduardo Batista”. Nunca vi volta dar muito certo, nem mesmo no casamento. Tive medo de escrever, recusando a volta de Cuca, até no grupo “Alviverde imponente” do WhatsApp, por medo de apanhar de meus companheiros. Só agora escrevo, porque, como eu previa, o Cuca não deu certo.

Assim, o tão badalado time caiu nas mãos do Alberto Valentim. Fazia algum tempo que não ia assistir ao jogo do Palmeiras no Bar do Nenê, o Bar dos Palmeirenses, vizinho à sede da Mancha Verde. Lá a gente vibra, xinga e chora coletivamente. Lá as classes sociais se juntam.

Na última rodada do Brasileirão (3/12/2017), eu estava sem première, parecendo um periquito depenado, fui ver o Verdão, ou melhor o Verde, nada, Verdim, para rimar com Valentim, conquistar a vice-liderança no Bar do Nenê. Pouca gente.  Poucos se contentavam com a vice-liderança, mas parece que nem isso seria possível, pois Atlético Paranaense ganhava de 3 a 0 do Verdim.

A que ponto o time chegou, pondo seus torcedores sendo massacrados por corintianos e torcendo no último jogo para Atlético Mineiro e Avaí para, só assim, conquistar a vice-liderança. Eu sabia que o ufanismo de que o Palmeiras ia ser multicampeão era coisa da crônica esportiva entusiasmada, mas não precisava se rebaixar a tanto.   

Quando levantei as mãos para cima, no Bar do Nenê, para agradecer aos céus, pois com a ajuda do Atlético Mineiro e do Avaí, o Palmeiras era vice-campeão, vi uma imagem de papelão de mulher quase nua, bem no alto, com a imagem de Nossa Senhora Aparecida mais abaixo. O lugar reservado às mulheres num ambiente masculino.

Uma montagem improvisada em que o profano e o sacro conviviam pacificamente. Nunca houve um protesto, pois o povo simples sabe que na vida tudo anda misturado.

Com essa visão, larguei minha raiva de lado e pensei: “Os corintianos também são filhos de Deus e merecem ter suas alegrias”. A convivência e a tolerância precisam existir também no futebol. Nós, palmeirenses, precisamos calçar os chinelos da humildade em 2018. Quem se exaltou em 2017, acabou sendo humilhado.

 

 

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

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