Padrasto que estuprou e matou criança em Aspásia é condenado a 71 anos de prisão

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Delegado Sebastião Biasi, que investigou o caso, foi uma das testemunhas de acusação

O Tribunal do Júri de Urânia, presidido pela juíza Marcela Correa Dias de Souza, reuniu-se na quarta-feira, 05, para julgar o caso de Tiago Souza de Oliveira, de 25 anos, acusado de estuprar e matar seu enteado - G.H.O.G. – um menino de apenas um ano e seis meses, filho de sua companheira Patrícia. O julgamento, que foi realizado na Câmara Municipal de Santa Salete, começou às 9:15 horas da quarta-feira, e terminou pouco depois da meia-noite, já no início da quinta-feira, 06. Ao final do julgamento, Tiago foi condenado a cumprir 71 anos, 05 meses e 10 dias de reclusão, em regime fechado, além de mais 05 meses e 25 dias de detenção, que deverão ser cumpridos após o cumprimento da pena de reclusão.

Tiago foi acusado pelo Ministério Público de ter cometido cinco crimes: homicídio triplamente qualificado – meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e ação para assegurar a ocultação de outro crime -, estupro de vulnerável, lesão corporal contra a companheira e cárcere privado qualificado (ele prendeu a companheira em casa durante quatro horas, das 14 às 18, para impedir que ela prestasse socorro ao filho). Além disso, ele foi acusado de posse ilegal de arma de fogo com numeração suprimida. Ao aplicar as penas, a juíza levou em consideração os maus antecedentes do réu e sua personalidade voltada para o cometimento de crimes.

O réu permaneceu algemado durante todo o julgamento, em virtude do pequeno espaço do local. A defesa do réu pediu sua absolvição com base no princípio “in dubio, pro reu”, sob a alegação de que não houve testemunhas presenciais dos crimes e de que o depoimento da ex-companheira continha inverdades e contradições. A única testemunha de defesa não compareceu ao julgamento. Já a acusação contou com quatro testemunhas, entre elas o delegado Sebastião Biasi e outros dois policiais que atenderam a ocorrência, além de uma conselheira tutelar de Jales. Tiago não poderá recorrer de sua condenação em liberdade.

O crime:

O crime ocorreu na tarde do dia 23 de janeiro do ano passado e causou uma grande onda de comoção em toda a região. Tiago Souza de Oliveira foi preso em flagrante delito, no dia seguinte às ações cometidas contra seu enteado de apenas um ano e seis meses. Segundo relato do delegado Sebastião Biasi, por ocasião dos fatos, a criança ficou com padrasto no dia do crime, enquanto a mãe foi até o CRAS da cidade, por volta das 14 horas, solicitar a transferência do Bolsa Família, já que eles tinham se mudado para Aspásia há menos de 20 dias. Quando a mãe retornou, encontrou a criança deitada de bruços, com hematomas no abdômem e passando mal.

Patrícia, a mãe, pensou em chamar por socorro médico, mas foi impedida por Tiago que passou a agredi-la e a ameaça-la com uma arma de fogo. Alertado por Patrícia que a criança estava morrendo, o padrasto respondeu: “que se foda”. Por volta das 18 horas, com a piora do estado de saúde da criança e os apelos da mãe, Tiago concordou em acionar uma ambulância, desde que Patrícia desse a versão de que o filho tinha caído de uma pia da casa. Ela sustentou essa versão durante o atendimento ao filho na UPA de Jales e na Santa Casa.

A criança ainda passou uma cirurgia na Santa Casa de Jales, mas não resistiu. Durante a cirurgia, os médicos suspeitaram de que o menino teria sido submetido a algum tipo de violência, pois, além dos hematomas no abdômem, alguns órgãos internos estavam rompidos. Por conta disso, acionaram a Polícia e o Conselho Tutelar e, com a chegada dos policiais, a mãe mudou sua versão e confessou tudo. Os policiais foram até Aspásia, onde, com o acompanhamento de Patrícia, realizaram buscas na residência do casal e encontraram, escondidos no forro do banheiro, um revólver calibre 38 e seis cartuchos intactos. Tiago foi preso em flagrante delito e recolhido em uma cadeia da região. Exames constataram que o menino sofreu violência sexual, antes de morrer.

Envolvido com a criminalidade em Campinas, Tiago tinha vindo para a casa de parentes, em Aspásia, com o objetivo de fugir de outros criminosos que o estariam procurando. Antes de vir para a região, ainda em Campinas, Tiago já teria agredido a criança e feito ameaças à mãe. O fato teria ocorrido no dia 05 de janeiro de 2018, segundo um boletim de ocorrências registrado em uma delegacia de Campinas por um tio-avô do menino.

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