Operação da PF de combate à corrupção prende 14 em Araçatuba

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Muitas jóias e dinheiro foram aprendidos com “Chinelo”, líder sindical em Araçatuba

A Polícia Federal deflagrou, na manhã da última terça-feira, 13 de agosto, a Operação “#TudoNosso”, que investiga diversos crimes de desvios de recursos públicos em Araçatuba. Aproximadamente 150 policiais federais foram mobilizados para o cumprimento de 15 mandados de prisão temporária e 37 mandados de busca e apreensão nas cidades de Araçatuba, Clementina, Itatiba, Jundiaí e São Paulo. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de Araçatuba.

A PF cumpriu buscas e prisões simultaneamente em pelo menos quatro secretarias municipais de Araçatuba, na sede do diretório político coordenado pelo líder da organização criminosa e em vários outros endereços comerciais e residenciais relacionados às empresas e investigados. Em Itatiba-SP, a sede de um sindicato, que é presidido pelo filho do líder do grupo, ambos com prisão decretada, também foi alvo das buscas.

As investigações tiveram início há aproximadamente dois anos depois que a PF recebeu informações que indicaram a prática de diversos crimes de desvios de recursos públicos por meio da contratação fraudulenta de empresas que prestam serviços para a Prefeitura Municipal de Araçatuba. O líder da organização criminosa, J.A.P., 64 anos, conhecido como “Chinelo”, é empresário, sindicalista e presidente de diretório político no município e seria o idealizador de um grande esquema de corrupção envolvendo diversas empresas ligadas a ele e sua família. Um filho e um genro de Chinelo são sócios “laranjas” de empresas e também tiveram a prisão decretadas. Embora a maioria das empresas não esteja registrada em nome de Chinelo, as investigações demonstraram que ele é o dono de fato de pelo menos cinco delas e a maioria dos sócios apenas emprestam seus nomes em troca de vantagens do líder da organização criminosa.

Durante as investigações, a PF confirmou que o sindicalista, morador de Itatiba, é o mentor de um engenhoso esquema de desvio de recursos públicos mediante a utilização de várias empresas registradas em nome de laranjas e familiares com o objetivo de fraudar licitações e celebrar contratos de prestação de serviços com o município de Araçatuba. As investigações demonstraram que, nos últimos dois anos, as empresas investigadas aditaram ou celebraram novos contratos suspeitos com a Prefeitura nas áreas de educação e assistência social que superaram, até o momento, a cifra de R$15 milhões. As investigações prosseguirão e a estimativa da PF é que esse valor possa ser muito maior.

Além da utilização das empresas, pelo menos uma organização social foi criada pelo líder do grupo e utilizada para os desvios de recursos públicos.

De acordo com as investigações, Chinelo possui forte influência política na região e não teve dificuldades para indicar pessoas de sua confiança para ocupar cargos de livre nomeação na Prefeitura Municipal de Araçatuba. Com pessoas atuando com poder de decisão dentro de secretarias municipais, J.A.P. conseguiu livre trânsito, articulação e informações privilegiadas relacionadas aos contratos com a municipalidade. Todos os envolvidos na prática criminosa terão suas condutas julgadas pela Justiça Federal competente.

A pedido da PF, a Justiça Federal decretou, além das buscas e prisões, o afastamento cautelar de servidores públicos municipais envolvidos, entre outras medidas cautelares, objetivando cessar a ação da organização criminosa e garantir a restituição dos valores desviados para o município de Araçatuba/SP.

Os presos serão indiciados por vários crimes, dentre eles: corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos (públicos e privados), peculato, associação criminosa, fraudes em licitações, dentre outros. De acordo com suas condutas, em caso de condenação, estarão sujeitos a penas máximas de até a 30 anos de reclusão.

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