O Interino

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“...da verdade extraída dos fatos e não da imaginação dos mesmos, pois muitos conceberam repúblicas e principados jamais vistos ou conhecidos como tendo realmente existido”

                                                       (Maquiavel)

O bom Homem lá de cima que me perdoe por não gostar muito da cara dele, aquela cara de Conde Drácula, com aquele sorrisinho golpista... me lembra muito o “Amigo da Onça” personagem do saudoso Péricles de Andrade, na extinta revista O Cruzeiro. As pessoas não deviam alimentar animosidade somente por causa da cara das outras pessoas. O meu saudoso amigo Professor Luiz Carlos era quem sabia destas coisas, ele era muito culto e engraçado nestas questões. É bem verdade que o falecido jornalista Tarso de Castro  já dizia que depois de certa idade todo mundo é responsável pela aparência vampiresca que tem. Nosso golpista e pedófilo Temer que o diga.  E convém pensar nisso, agora que a mídia golpista (leia-se Globo, Veja, Folha, Estadão e outros detritos de maré baixa) volta seus holofotes para o apoio, incondicional ao golpe. De forma que, se... quase não gosto da cara do vampiresco e usurpador Temer, é porque a cara dele, para mim pelo menos, tem alguma coisa de errada. Ah! Aquele sorriso? Tento descobrir o que é. Será que no país do Golpe, no estado do Alckmin, Serra, da Privataria Tucana, na região dos Grandes Lagos, nesse fundão aqui, esquecido, todos têm a mesma sensação? Temer aparece quase que cotidianamente na mídia golpista, dizendo maravilhas e despejando “perdigotos” sobre seu “plano”,  A Ponte para o Futuro. Esse programa “pregado” pelo PMDB de Temer é um pacto regressivo que visa a destruir os direitos sociais básicos conquistados pelo povo brasileiro em 88. Mais grave ainda é a política fiscal anunciada pelo outro vampiro e senador José Serra, o homem das privatizações, sob forma de projeto de lei congelando o teto da dívida pública e, portanto impedindo a realização de investimentos deficitários em tempos de recessão e depressão. A consequência direta disso seria a quebra definitiva dos Estados, estrangulados que estão pela draconiana Lei de Responsabilidade Fiscal, que ele considera cláusula pétrea.

A síntese da crise se manifesta na questão fiscal, ainda manejada segundo os cânones neoliberais, de interesse exclusivo dos especuladores financeiros. A desorganização orçamentária do Governo Federal e dos Estados reflete a quebra da soberania nacional em questões financeiras. A política econômica brasileira, com exceção dos anos 2009 e 2010, renunciou voluntariamente ao crescimento. A despeito de recessão e da depressão, nos recusamos a recorrer ao investimento deficitário e ao aumento temporário da dívida, embora sabendo que, numa depressão, a única saída é recorrer ao déficit público temporário, até que a economia volte a crescer de novo.

Se essa posição ideológica prevalecer – e é certo que prevalecerá em caso de impeachment – o Brasil afundará numa crise sem precedentes, que arrastará Estados numa avalanche de desorganização fiscal e inadimplência, afetando profundamente o setor privado. Nada será garantido. Ciclos sucessivos de depressão estrangularão as contas públicas em ajustes recorrentes, estrangulando gastos públicos e salários, inclusive de aposentados e pensionistas. Todas ás vezes que vejo a imagem do Temer  sou obrigado a me esconder, sou uma pessoa sensível. E a realidade é que não tenho nada com essa tal de Ponte para o Futuro. Alias nem sei sobre essas coisas Vampirescas! Achei interessante, é claro, que quando da sua nomeação de interinidade, mesmo Condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por doações de campanha acima do limite legal, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), está inelegível pelos próximos oito anos, contados a partir de 05 de maio de 2016, data da decisão. Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP), a condenação se enquadra na Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenações na Justiça em tribunais colegiados (segunda instância). E, afinal, não é a toa que Temer, não é a toa que só agora, embora eu não entenda destas coisas estejam descobrindo, através da delação premiada que, não passa de um grande quadrilheiro maquiado de interino. Um vampiro maquiado, cheio de Botox, batom, pó de arroz, bases, lápis de sombra, etc. - cala-te boca!  Enfim, não entendo nada disso, mas é tudo interessante esta história de impeachment!  Bem, como disse, não entendo nada dessas altas questões, apenas... quase que  não vou com a cara dele (Deus me perdoe), aquela cara de anjo sem asas dos filmes dos anos trinta, aquele narizinho bicudo e maroto, aqueles ares de interiorano bem treinado, beijinhos e mais beijinhos de decrépito!  Tive maus pensamentos, louvado seja Cristo – quero dizer, Deus me perdoe. O interessante de tudo isso é que a dita esquerda, desta terrinha descoberta por Cabral, sempre se caracterizou por achar (ou professar) que o ser humano é eminentemente aperfeiçoável, que é possível extirpar tudo o de ruim, extirpando-se as causas Já à direita, ao contrário nunca engoliu essa e sempre jogou no que tem de ruim o homem: - à direita mantém que o céu é chato. O céu numa boa, aqueles anjos todos iguais, aquela felicidade permanente, isto é noção de esquerda. Para a direita nunca seremos bons se não formos melhores que os outros, preterivelmente muitos outros. Não tem jeito, é uma questão glandular. 

PS. Não importa sob que número venha travestido o ataque do governo golpista. O movimento acelerado e avassalador é para aniquilar um mínimo de Estado Expandido, a soberania do País e direitos trabalhistas e sociais conquistados com muita luta, ao longo de dezenas de anos. Em pouco mais de 30 dias de governo, foram inúmeras as medidas prejudiciais à nação, como, por exemplo, a extinção da Controladoria Geral da União (CGU), entre outras igualmente nefastas. O mercado e as grandes corporações – mediáticas, financeiras, jurídicas – governarão o pais, com autoritarismo, com repressão, com lavagem cerebral. Para isso contam com o que a montanha pariu: o Temer. Devemos esperar o seguinte:- uma minissérie na rede do plin-plin, com um herói inspirado em Temer ‘O Interino da Montanha”, o Menestrel do Golpe, etc. Além da série, um livro publicado decentemente por uma Editora Paraguaia, para não dar bandeira demais, mas depois o livro seria condensado pela Reader‘s Digest (titulo:- “Fruto do Golpe”).Quem sabe a gente não ia ver o Temer relutando em aceitar o Nobel de Literatura Golpista (mas aceitando em nome da resistência...)? Se não fosse a cara dele, aquele sorriso, naturalmente, tudo seria diferente. Deus me perdoe.

 

 

 

 

 

 

 

(*)Marco Antonio Poletto é gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural.

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