O canto dessa cidade é meu

280317112755.jpg
.

MANCHETE: “Vândalos destroem lixeiras em praça”. Isso foi no dia 12 de março de 2017, na madrugada de domingo, vândalos quebram 12 lixeiras instaladas na Praça Rui Cardoso pela Associação Comercial de Birigui-SP. O fato foi constatado pela guarda municipal.

Se você, caro leitor, pesquisar no Google o mesmo título da notícia acima, encontrará muitos jornais divulgando a mesma coisa em várias cidades brasileiras. Isso significa que não se trata de um fenômeno de Birigui.

Vamos espremer nossos cérebros para descobrir a causa disso tudo. Prender os vândalos e dar um cacete em cada um é atacar o efeito, não resolve o problema. Façamos a pergunta: por que acontece esse vandalismo praticado por seus próprios moradores ou por jovens da própria cidade?

Vamos aceitar a hipótese de que sejam jovens e de que eles estão embriagados ou drogados, por isso praticaram o vandalismo. Qual razão os leva a quebrar equipamentos públicos do lugar onde moram? Faltou educação dos pais, da escola? Ou todos nós temos responsabilidades no cartório por tal comportamento?

Há um sentimento muito forte que plantamos na alma das crianças e dos jovens, principalmente os mais marginalizados, os negros, que podemos chamar de “a semente do mal”. Ele se chama REJEIÇÃO, cujo efeito aparece forte quando eles estão descontrolados, ingeriram alucinógenos. Rejeitar as pessoas é plantar a guerra, é semear a violência.

E a nossa sociedade capitalista, que valoriza demasiadamente o TER pratica a rejeição a todo instante, até automaticamente. Não ter um poder aquisitivo para comprar um tênis, por exemplo, é uma rejeição, sem falar na pobreza absoluta, no preconceito racial. Não estamos construindo uma sociedade que acolhe a todos, então, fica mais difícil construir o amor.

A audição da música “Canto da cidade”, de Daniela Mercury e Tote Gira (1992) ensina-nos muito a esse respeito

Resolve muito pouco nos rodear de cercas elétricas, morar com condomínios fechados. O redemoinho da violência chega lá, por isso precisamos construir uma cidade acolhedora, onde todos se sentem importante e participante daquele lugar, com a ideia forte do pertencimento. Assim todos terão segurança.   

 

 

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.    

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário