“Ninguém desliga o ar condicionado de um hospital porque quer”

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Na ala do SUS, os pacientes não podem ligar os ares condicionados porque não funcionam

Na próxima terça-feira, 3 de abril, o provedor da Santa Casa de Jales, Júnior Ferreira, pretende realizar uma reunião aberta à comunidade para explicar detalhes técnicos do processo de ampliação da capacidade do sistema de energia elétrica do hospital. Espécie de “audiência pública”, a reunião deve contar com a presença do engenheiro Laurentino Tonin Júnior e de outros profissionais que estão trabalhando no processo.

“Nós vamos explicar em detalhes técnicos o porquê temos que reduzir o consumo de energia elétrica. Ninguém desliga o ar porque quer. Não depende da nossa vontade e vamos mostrar que estamos fazendo o possível para resolver o problema”.

Segundo Júnior, o sistema de abastecimento e distribuição de energia tem 42 anos e não comporta mais os equipamentos eletrônicos do hospital. Diversos técnicos, inclusive da Elektro, alertaram para o risco de pane e apagão total no abastecimento de energia da Santa Casa, se os equipamentos não fossem trocados por outros mais modernos e com maior capacidade. “Há 42 anos, a Santa Casa não tinha os equipamentos que tem hoje e o consumo era muito menor. A situação chegou ao ponto crítico com a instalação dos ares condicionados que têm um consumo muito alto. Já faz tempo que tudo deveria ser trocado e está sendo. Com muito esforço, estamos conseguindo e em alguns dias, tudo vai voltar ao normal”.

Segundo ele, o desligamento dos ares condicionados é a parte mais aparente de um problema muito mais abrangente. Existem outros equipamentos que permanecem encaixotados e não podem ser instalados por conta da capacidade atual do sistema elétrico do hospital. “Temos, por exemplo, uma lavanderia completa que poderia facilitar demais o nosso atendimento, mas ela não pode ser instalada. Esse é só um exemplo. O risco de apagão é real, se não atualizarmos tudo”, disse.

Logo depois que o nosso sistema elétrico for instalado, garantiu ele, a Santa Casa estará preparada para várias décadas de evolução e todos os aparelhos que estão desligados poderão ser religados.    

Júnior disse que o serviço já vem sendo feito há cerca de um ano e meio e que nesse período, foram realizadas diversas operações emergenciais aos finais de semana para troca de equipamento, mas a Santa Casa ficou às escuras durante uma boa parte do dia. “Fizemos isso várias vezes e tivemos que avisar o SAMU e a UPA para não enviar pacientes para cá nesse período, então não é de agora que isso está acontecendo”.

Questionado se a Santa Casa tem condições financeira de arcar com os custos de um consumo mais elevado, o provedor respondeu com um lacônico: “vai ter que arcar”.

Por outro lado, perguntado se houve erro de planejamento administrativo da Santa Casa ao instalar aparelhos de ar condicionado, sem a devida estrutura para mantê-los funcionando, Júnior preferiu não se pronunciar.

POLÊMICA

Pacientes do hospital têm procurado a imprensa para reclamar que os ares condicionados da ala que atende o SUS (Sistema Único de Saúde) estão desligados, mesmo durante os dias mais quentes, enquanto que os da ala que atende pacientes particulares ficam ligados.

O problema mereceu reportagens nas rádios Assunção e Antena 102 nas últimas semanas, mas na última segunda-feira, ganhou destaque no Bom Dia Brasil, telejornal exibido todas as manhãs pela Rede Globo para todo o país.   

Segundo a reportagem, o Ministério Público Federal em Jales vai abrir uma investigação para apurar o caso. O jornal A Tribuna procurou o MPF na quarta-feira, dia 28, mas foi informado que os procuradores estavam em recesso e ninguém mais poderia se pronunciar.

Júnior Ferreira confirmou o pedido de informações pelo MPF, mas garantiu que se trata apenas de “coisa simples e de fácil esclarecimento”.

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