Necessário, mas não suficiente

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Não podemos nos iludir que a “lava jato”, as ações das Polícias Civil e Federal, dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, do Poder Judiciário em todos os seus níveis e o incansável trabalho desenvolvido pelos Tribunais de Contas, por si sós, são ou serão suficientes para inibir novos comportamentos caracterizadores daquilo que chamamos de corrupção. São, sem dúvida alguma, ações necessárias para combater a corrupção, mas não suficientes para nunca mais termos de conviver com ela.

Somente uma mudança de comportamento de todos nós é que pode eliminar a corrupção dos nossos usos e costumes. Censuramos a corrupção praticada pelos empresários (corruptores) e pelas altas esferas de servidores públicos (corruptos), mas, de maneira contraditória, toleramos os pequenos atos de corrupção que, somados, acabam se tornando também relevantes para o estado ético-moral da sociedade.

Noutro dia alguém me lembrou daqueles pequenos atos de desvio de conduta, como na hipótese de um jovem que falsificou uma carteira de identidade estudantil para poder pagar meia entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer. Ainda para o caso de um cantor cuja gravadora ou empresário “compra” horário em programas de TV para divulgação do artista e suas músicas (o conhecido “jabá”). Ou também quando não pedimos nota fiscal, com evidentes prejuízos para a receita pública destinada a educação, saúde, segurança pública etc... Como caracterizar o ato de estacionarmos o carro em local proibido, ou aquele aluno que “cola” numa prova escolar? São pequenas condutas que, de uma forma ou de outra, caracterizam atos de desvio de conduta. Toleramos esses pequenos atos e acabamos até votando em candidatos que, reconhecidamente, integram o meio que chamamos de “corruptos”.

Para que possamos nunca mais conviver com fatos como os que atualmente estamos testemunhando, não bastam as ações das chamadas Autoridades. É preciso mais, muito mais. É preciso que busquemos a nossa transformação ético-moral. É preciso, primeiro, dar o exemplo para, depois, cobrar dos outros comportamentos que não sejam reconhecidos como corruptos. É nossa responsabilidade contribuir no cotidiano, nas questões mais singelas, pela verdadeira transformação dos nossos usos e costumes. No mais, eliminaremos apenas a consequência sem eliminar a causa.

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