Na periferia, administração usa caminhão tanque para compactar piche

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O caminhão tanque foi usado em substituição ao rolo compressor, que estava em manutenção

Contra fatos não há argumentos. Ainda mais quando os fatos podem ser registrados por qualquer cidadão comum que possua um celular e esteja cadastrado em uma rede social digital. Foi o que aconteceu no dia 20 de abril com uma moradora da Rua São José, no Jardim São Judas. A auxiliar de enfermagem e os seus vizinhos estavam prestes a comemorar a chegada de uma equipe da Secretaria de Obras que faria uma Operação tapa-buracos na sua rua. Porém, a comemoração deu lugar a uma grande frustração seguida de indignação.

Além de passar rapidamente e deixar vários buracos sem serem tapados, a Operação Tapa-Buracos escancarou a falta de estrutura na qual se encontra a atual administração e a evidente diferença de tratamento dado às vias centrais com relação às vias localizadas nos bairros mais afastados. No centro, a Prefeitura determinou recape até de ruas consideradas em bom estado de conservação, como a Onze e a Sete, mas nos bairros o que a administração faz é jogar uma quantidade mínima de material sobre os buracos maiores na clara tentativa de aplacar a insatisfação dos moradores.       

Os servidores braçais até que se esforçam, mas não há EPIs (Equipamentos de Proteção Individuais), que são obrigatórios e agora fica claro que não há nem veículos adequados. Sem condições, é preciso improvisar.

Foi o que mostrou o vídeo feito pela moradora da Rua São José. Enquanto parte da equipe da Secretaria de Obras aguarda na esquina, um caminhão tanque da Prefeitura (ou a serviço dela) passa diversas vezes sobre os buracos que tinham acabado de ser tapados, na tentativa de compactar o piche jogado sobre eles pela equipe anterior. Segundo a moradora, o caminhão tanque fazia as vezes do rolo compressor ou compactador.

O desperdício de dinheiro público é um fato contra o qual não há argumentos. Não é preciso ser engenheiro ou ter formação técnica em aplicação de asfalto para saber que os pneus de borracha do caminhão não cumpriram a tarefa que era originalmente de um rolo compressor de aço.

Nas redes sociais, o vídeo tinha mais de 8,6 mil visualizações até a tarde de quinta-feira.

Entre os 72 comentários, muitos afirmavam que a prática vinha sendo adotada em outras ruas da periferia.

“Aqui no bairro Santo Expedito, também foi usado essa prática na operação tapa buracos. Além disso na mesma operação aqui no bairro, a Rua Venezuela foi contemplada com metade do quarteirão, entre a padaria Santo Expedito e a Rua Porto Rico com tapa buracos e a outra metade ficou sem. É incrível pra não dizer que é uma tremenda vergonha!!”, disse um morador.

“Mas como nas ruas do centro e de lugares mais caros, tudo fica perfeito?”, questionou uma outra.         

Crítica no mesmo sentido foi feita por uma segunda. “Em bairro de pobre é essa gambiarra: Tapa buracos com o caminhão que é usado como rolo compressor do Paraguai. Enquanto isso no bairro de rico e no centro é usado o original rolo compressor e é feito o recapeamento tudo bonitinho e direitinho como manda o figurino”.

OUTRO LADO

O jornal apurou que o único rolo compactador que a Prefeitura possui está em manutenção, por isso, a Secretaria de Obras optou por usar o caminhão tanque, que foi carregado com 20 mil litros de água para ter peso suficiente para efetuar a compactação. O procedimento foi provisório e segundo funcionários da referia secretaria, não será repetido.

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