Moradores vão à Câmara pedir CEI das Casinhas

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Parte do grupo de cerca de 40 moradores que realizou manifestação para pedir abertura da CEI das Casinhas. Alguns gritaram pelo vereador Tiago Abra

O cancelamento da Comissão Especial de Inquérito (CEI das Casinhas) que seria aberta para investigar as inúmeras denúncias de irregularidades na construção das casas do Conjunto Habitacional Honório Amadeu gerou revolta nos moradores, que fizeram uma manifestação em frente à Câmara Municipal durante a Sessão Ordinária da última segunda-feira, dia 6 de julho. Um buzinaço chegou a ser realizado. O requerimento de abertura da CEI chegou a ser protocolado na secretaria da Câmara, mas a investigação foi cancelada porque o vereador Tiago Abra retirou a sua assinatura, deixando o pedido sem as assinaturas exigidas por lei.


Cartazes com pedidos de investigação e de abertura da CEI foram exibidos. Um bunizaço foi realizado e vários moradores se concentraram na porta principal do prédio. 


“Dignidade aos mutuários do Honório Amadeu”, “Direito, direito”, “CEI Já”, e “Fora Flá!” foram algumas frases proferidas pelos moradores presentes. Uma moradora dizia: “Nós fomos sorteados. Ninguém pediu esmola. Nós estamos pagando e queremos dignidade”. 


Diante da alegação de que a Câmara não precisaria abrir investigação porque o caso já estava sendo investigado pelo Ministério Público, uma moradora ressaltou que os moradores precisam usar todos os meios disponíveis para garantir os seus direitos. “Conversei com o meu advogado e ele disse que são duas coisas diferentes. Então se a gente tem esse direito, [investigação na Câmara] vamos querer usufruir desse direito também. Vamos acionar a CEI, sim. Não fazem dois anos que estamos lá e as casas estão caindo aos pedaços”. 


Uma pequena discussão aconteceu. De um lado, o vereador Deley Vieira e o procurador jurídico da Câmara, Rodrigo Murad Vitoriano, tentando dissuadir os moradores e defendendo que a investigação deveria ser feita pelo MP. Do outro, os moradores e os vereadores Macetão e Tupete querendo que a Câmara investigasse. Alguns moradores chegaram a gritar o nome do vereador Tiago Abra, mas ele não apareceu. 


Nos dias seguintes, a disputa se estendeu pelo rádio e nas redes sociais. No programa Antena Ligada, Vânia Góes, moradora do conjunto, disse que fez um protocolo no dia 10 de março no MP, informando sobre os problemas. No dia 24 de maio, recebeu a resposta do órgão, afirmando que vai acionar a CDHU. E criticou a Prefeitura. “A gente não tem apoio nenhum da Prefeitura. Em estar junto conosco porque indiretamente a Prefeitura nos colocou nesse problema que temos para enfrentar por muitos anos e anos. A questão da patologia das casas...estão todas elas rejeitadas. Toda parte da construção civil daquelas casas, o material foi de péssima qualidade, tanto é que se você encontrar uma casa em perfeitas condições...na verdade ali não tem”.


Vânia também apontou outro problema grave que está sendo enfrentado pelos mutuários. O valor das parcelas, que para alguns, se aproxima de R$ 1 mil.


“Temos um aumento nas parcelas quatro vezes ao ano. Você se sente privilegiada por ter sido sorteada diante de tantas pessoas pra hoje estar enfrentando um problema absurdo, como a deterioração da casa e os aumentos abusivos. Como cidadãos, temos o direito de ter resposta. O que aconteceu, o que vai acontecer daqui em diante, devemos pagar as parcelas em juízo? A gente precisa dessas respostas e estamos com omissão de toda a Prefeitura, que na verdade fez uma parceria com a CDHU e com a construtora para enganar pessoas humildes que eles pensam que são idiotas”.    


Rogéria Almeida, também mutuária do conjunto, ratificou que o grupo quer a instalação de uma CEI na Câmara. “Queremos uma investigação porque o contrato foi feito errado, a casa foi feita com material péssimo e mesmo com tantas reclamações de todo mundo, nada é feito. Eles vão lá olham e ninguém faz nada. Ninguém apresenta uma solução. A Prefeitura é omissa, totalmente omissa”. 

 
“Dever ter muita sujeira embaixo desse tapete porque pra chegar onde chegou e ter essa omissão toda, tem muito podre, não pode ter sido pouca coisa. Estamos cansadas de promessas”, afirmou. 
Para a moradora, o contrato foi superfaturado e a casa não vale R$ 125.880,00 e as parcelas não podem ser crescentes e reajustadas quatro vezes ao ano. 


No mesmo programa, o vereador Tiago Abra justificou a retirada da sua assinatura. Ele disse que depois de ter assinado, recebeu informações de que o MP já tinha aberto uma investigação própria. “Uma CEI aberta agora vai terminar no ano que vem quando já terminou o mandato. O MP já está investigando, a administração quer resolver. Tem um último repasse para a empresa de R$ 192 mil e a Prefeitura vai solicitar que esse recurso seja usado para reformar as casas. O colega vereador pediu para a população vir aqui hoje se aglomerar no meio de uma pandemia com todo mundo pedindo para as pessoas ficarem em casa. Responsabilidade zero. Expondo essas pessoas. Aliás, algumas pessoas que foram na manifestação nem lá moram, Então é nitidamente um conluio político. Todo mundo sabe quem levou essas pessoas. Tem que ajudar, mas tem que explicar que o problema vai ser resolvido, só que não dessa maneira”.


Tiago disse que foi cogitado a denunciar o vereador Macetão ao Conselho de Ética por suposta quebra de decoro parlamentar. “Vereador não pode quebrar o decoro, sair no meio das pessoas, se aglomerando, gritando. Isso é colocar as pessoas em perigo”.


DESMENTIDO
No dia seguinte, Rogéria Almeida distribuiu um vídeo pelas redes sociais digitais para rebater as colocações do vereador Tiago. Ela rebateu todas as alegações do parlamentar. Para ela, o vereador se equivocou, entre outras coisas, sobre a presença de moradores de outros bairros na manifestação. Isso teria acontecido porque o vereador nunca foi ao conjunto e, por isso, não tem condições de reconhecer quem são os moradores do bairro. “Eu conheço você Tiago, e tenho respeito por você, mas acho que você está tratando isso como uma brincadeira. Eu já te convidei várias vezes para vir aqui, mas você nunca veio e não pode afirmar que as pessoas que estavam lá não moram aqui. Nós não tratamos as coisas com brincadeira, estamos correndo atrás dos nossos direitos. Você disse que fomos levados por alguma pessoa. É engano seu. Você está equivocado. Foi uma iniciativa nossa porque não estamos contentes. Estamos magoados, chateados e decepcionados com a sua atitude. Você havia assinado apoiando a CEI e de uma hora para outra declinou da sua assinatura. Então a gente queria uma explicação. Qual é o motivo disso? Por que você voltou atrás? Quem você está tentando esconder, proteger?”, questionou. 

 

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