Moradores do conjunto Honório Amadeu fazem apelo: “estamos pedindo socorro!”

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Moradoras se reuniram para reclamar da situação das casas

O assunto já foi motivo para dois pedidos de esclarecimentos encaminhados pela Câmara ao prefeito Flávio Prandi (DEM), mas, durante a semana passada os ruídos aumentaram com as reclamações de alguns moradores, desesperados com a situação das casas do recém-inaugurado conjunto habitacional “Honório Amadeu”. Iniciado em 2012, ainda na administração do ex-prefeito Humberto Parini – responsável pela escolha do local para construção do novo conjunto habitacional – ele só foi concluído quase sete anos depois, no final de 2018, e entregue em fevereiro de 2019 aos moradores sorteados entre os quase 2.500 inscritos. Previstas para custar cerca de R$ 6,6 milhões, as 99 casas do conjunto acabaram custando mais de R$ 8,5 milhões.

Os moradores reclamam da situação das casas, que apresentam graves problemas estruturais, e dizem que estão esquecidos. “Nós já apelamos aos vereadores, à Prefeitura e à CDHU, mas ninguém nos estendeu a mão. Parece até que somos um bando de sem-terra que montou acampamento aqui, sem autorização”, disse uma moradora. Outra moradora confirmou que também já ligou para diversos lugares, mas não encontrou respaldo. “Ninguém dá um retorno. Em todo lugar que a gente liga, as pessoas dizem que nós temos que aguardar. Só o que eles dizem na Prefeitura e na CDHU é que nós temos que aguardar, que é preciso esperar por uma visita do pessoal da CDHU e não sei que mais. Enquanto isso, estou ficando desesperada, pois minha casa está a ponto de cair”, afirmou a mulher.

O problema, porém, não está apenas nas péssimas condições em que se encontram boa parte das 99 casas do conjunto, cujo nome – Honório Amadeu – homenageia o ex-prefeito falecido em janeiro de 2012. Muitos moradores estão reclamando do reajuste no valor das mensalidades que, em alguns casos, chegou a 30%. “No meu caso, por exemplo, a mensalidade teve um aumento de 30% e eu já estou pagando quase R$ 1 mil. Eu nunca vi isso, pois o que a gente sabe é que a CDHU constrói casas para famílias de baixa-renda. Eu vou ter que desistir, pois o meu sonho de ter minha própria casa se transformou em um pesadelo”, disse a moradora. Ela criticou o atendimento de um funcionário municipal da Secretaria de Habitação. “A gente liga na Prefeitura e o funcionário que representa a CDHU é sempre muito irônico. Ao invés de nos dar respostas para os nossos questionamentos, ele pergunta com ironia se nós não lemos o contrato”.

Ela confirmou que não leu o contrato, que possui entre 15 a 20 páginas. “No dia da reunião realizada lá no Teatro Municipal, nós fomos pressionados a assinar o contrato sem ler, pois o rapaz do CDHU dizia que se não assinássemos logo significaria que estávamos desistindo da casa. Então, com essa pressão, não tinha como ler e mesmo que tivéssemos lido dificilmente teríamos entendido o que diz o contrato, pois nós somos simples trabalhadoras que não conhece muito de lei”, disse a moradora. “A gente queria mais atenção, afinal de contas o carnê do IPTU já chegou e nós queremos saber se o dinheiro do imposto vai ser aplicado aqui. Estamos pedindo socorro! O mato do local onde seria construída uma praça está muito alto e, de vez em quando, encontramos cobras andando pelas ruas, colocando nossas crianças em risco”, concluiu a dona de casa.

 

Vereadores questionam prefeito Flá

Pelo menos dois requerimentos já foram aprovados pela Câmara Municipal, neste início de ano, com questionamentos ao prefeito Flávio Prandi a respeito da situação do conjunto “Honório Amadeu”. O primeiro, de autoria do vereador João Zanetoni (PSB), aliado do prefeito, cita alguns dos problemas encontrados nas casas – rachaduras, infiltrações, pisos quebrados, etc – e indaga quem são os responsáveis por solucionar os danos nas casas e o que a Prefeitura pretende fazer quanto ao problema.

O segundo requerimento, de autoria dos vereadores Chico do Cartório (MDB), Tiago Abra (PP) e Deley Vieira (PPS), coloca em dúvida a qualidade dos materiais utilizados na construção das casas e sugere que a Prefeitura providencie um laudo para tirar essa dúvida. O vereador Deley, que visitou o conjunto, criticou o local escolhido para a construção das casas. “Eu pude constatar problemas em pelo menos 40 casas e acho que é preciso apurar a responsabilidade. Agora, eu acho também que aquele não era o terreno ideal para se construir um conjunto habitacional”, disse o vereador.

 

Prefeito vai pedir que valor das prestações seja recalculado

Ao jornal, o prefeito disse que já está tomando providências. Ele confirmou que um técnico da CDHU já visitou o conjunto e que a Prefeitura aguarda o resultado da vistoria. “Nós providenciamos a limpeza do bairro, mas essa questão das casas é de responsabilidade da CDHU, que foi quem fiscalizou a obra. Já a questão do reajuste, pelo que estou sabendo ocorreu no estado inteiro e tudo indica que essa possibilidade esteja no contrato. O contrato é feito diretamente entre o morador e a CDHU e a única coisa que a Prefeitura faz é emprestar o espaço – no caso o Teatro Municipal – para a assinatura dos contratos. De qualquer forma já entramos em contato com a CDHU para solicitar um recálculo no valor das prestações, pois, realmente, elas estão muito caras”, disse o prefeito.

De seu lado, o secretário de Obras, Manoel Andreo de Aro, confirmou que a Prefeitura recebeu pelo menos 32 reclamações de moradores do conjunto. “Realmente, foram formalizadas 32 reclamações aqui na Prefeitura e, segundo temos conhecimento, outras seis ou sete foram formalizadas diretamente na CDHU, em Rio Preto”, disse De Aro. Ele confirmou, também, que não cabe à Prefeitura fiscalizar a execução da obra. “Quem fiscalizava a construção das casas e fazia as medições era a CDHU. A Prefeitura apenas pagava aquilo que era autorizado pela CDHU”, explicou o secretário. Ele garantiu, no entanto, que a empresa responsável pela construção das 99 casas seria notificada nos próximos dias para tomar providências.

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