Jalesense que foi à Argentina acompanhar eleição diz: “totalmente diferente do Brasil”

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Martini na frente da Casa Rosada, sede do governo argentino

 

Pela primeira vez, desde que algumas ditaduras da América do Sul foram substituídas por sistemas democráticos - como nos casos de Brasil, Argentina e Chile – um jalesense acompanha uma eleição em um país vizinho, na condição de observador internacional. Assim que recebeu o convite, José Célio Martini, funcionário aposentado da Telesp e ex-empresário do ramo da telefonia, respondeu positivamente ao chamado de uma Organização Não Governamental para atuar como observador nas eleições argentinas, realizadas no domingo passado, 27. “Eu fiquei surpreso e ao mesmo tempo grato por conta do convite para integrar uma comitiva de brasileiros que estaria acompanhando as eleições da Argentina. Eu já atuei muitas vezes como fiscal em eleições aqui em Jales, mas a oportunidade de acompanhar uma eleição como essa da Argentina foi realmente um aprendizado muito grande”, ressaltou Martini.

Apesar de ter sido convidado para integrar a comitiva de observadores, Martini - que, diariamente, dedica algumas horas ao seu trabalho voluntário como membro do Conselho Municipal de Saúde – explicou que pagou as passagens e a estadia na Argentina com seu próprio dinheiro. “Eu me sinto melhor assim. Além do mais, a passagem para a Argentina não é tão cara e a hospedagem e a alimentação por lá são baratas. Com pouco dinheiro você come muito bem e se hospeda em um bom hotel”. Ele conta que chegou à Argentina três dias antes do pleito. “Na verdade, o trabalho de observador não ocorre somente no dia da eleição. No nosso caso, a observação começou na quinta-feira, 24, e só terminou na terça-feira, 29. Alguns deputados e senadores brasileiros do Parlasul, que também atuaram como observadores, ficaram na Argentina durante esse mesmo período”, explicou.

Segundo Martini, o dia das eleições, na Argentina, é totalmente diferente daquilo que estamos acostumados. “Os argentinos têm uma cultura política diferente da nossa. O domingo foi um dia tão tranquilo em Buenos Aires que nem parecia que estava havendo uma eleição. Não tinha fila nas escolas, não tinha boca de urna e não se via um único papel jogado nas ruas. A tranquilidade era tamanha que alguns turistas até ficavam surpresos quando dizíamos que era domingo de eleição.  Só depois de divulgado o resultado é que houve algum barulho, por conta da comemoração, mas não teve nenhuma confusão. O pessoal que votou no Macri aceitou tranquilamente a derrota e não se via ninguém revoltado com o resultado nas ruas. Aliás, o próprio Macri aceitou a derrota numa boa e fez questão de cumprimentar o Alberto Fernández ainda no domingo”.

Martini falou também de suas andanças pelas ruas de Buenos Aires nos dias que antecederam ao pleito. “Olha, nós fomos muito bem tratados pelos argentinos. E eu já tinha uma ideia do prestígio do Lula na Argentina, mas mesmo assim acabei ficando surpreso com o carinho e o respeito que o povo argentino tem pelo Lula. E o curioso é que esse respeito não parte apenas dos peronistas, mas também dos eleitores do outro lado”. Segundo Martini, o respeito ficou muito nítido durante o discurso da vitória do presidente eleito, Alberto Fernández. “A comemoração da vitória foi num bairro de Buenos Aires, o Chacarita, e nós fomos pra lá, para acompanhar. O que mais se via era, evidentemente, bandeiras da Argentina, mas, em meio às bandeiras, era possível ver muitos cartazes com o nome do Lula e também muitas camisetas com o rosto dele. E quando o Alberto Fernández agradeceu o Lula, em seu discurso, foi uma vibração só”.

Sobre a menção a Lula no discurso da vitória do presidente eleito, Martini disse que “a imprensa brasileira explorou bastante esse fato e o presidente Bolsonaro até considerou a manifestação do Alberto Fernández um desrespeito ao Brasil, mas a nossa imprensa deu pouco destaque ao discurso da vice-presidente eleita, a Cristina Kirchner, onde ela agradeceu ao Bolsonaro por ter apoiado o Macri”. Segundo Martini, Bolsonaro não é bem visto na Argentina e seu apoio acabou prejudicando Macri. “Mas não foi só o apoio do Bolsonaro que prejudicou o Macri. Os protestos no Chile contra o governo e o modelo neoliberal também influíram na eleição argentina, além, é claro, da situação econômica da própria Argentina que piorou bastante no governo Macri. Quando ele assumiu, um dólar custava 9 pesos e agora, são necessários mais de 60 pesos para comprar um dólar”, finalizou Martini.

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