Indústrias jalesenses continuam produzindo normalmente, mas não sabem até quando

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Du Venturini: “Os funcionários do escritório, alguns estão trabalhando em casa, no sistema home office, e os outros trabalham totalmente isolados

Maior empregadora de Jales no setor privado, com cerca de 400 funcionários e colaboradores, a Fuga Couros continua operando normalmente, mas já se prepara para uma eventual redução de sua capacidade de produção, por conta dos reflexos do coronavírus no setor de couros. A empresa jalesense exporta parte considerável de seus produtos para a China, onde o vírus surgiu no final de janeiro, e para a Europa, principalmente para a Itália, atual epicentro da epidemia provocada pelo coronavírus. “Por enquanto, nós não tivemos nenhum cancelamento de pedidos, mas alguns compradores estão pedindo para adiar o envio dos produtos encomendados pelo menos até que as coisas se normalizem”, explicou Salvador Silva Oliveira, encarregado administrativo da empresa. 


“O problema é que nossos produtos são transportados através de navios e, em alguns países, há o temor de que os governos proíbam o atracamento de navios para diminuir os riscos de propagação da Covid-19. Por enquanto, só os navios de passeio (cruzeiros) é que estão sendo proibidos, mas os navios de carga, mesmo com poucos tripulantes, também podem ser alvo de proibições a qualquer momento”, continua Salvador. Ele ressalta que, por enquanto, a empresa não tem como dar férias aos seus funcionários. “Os frigoríficos, que são os nossos fornecedores de matéria-prima, continuam abatendo normalmente, de forma que, enquanto continuar assim, nós também não podemos diminuir o ritmo”. 


O executivo ressaltou que a empresa tem mantido seus funcionários atualizados com as informações e recomendações das autoridades de saúde para evitar contaminação pelo coronavírus. “Nós distribuímos álcool em gel para os funcionários – tanto do escritório, quanto da linha de produção – e afixamos cartazes com instruções de higiene em todos os setores. Para entrar no refeitório, por exemplo, os funcionários precisam obedecer uma série de precauções”. Segundo Salvador, a empresa não recebeu nenhum estrangeiro nos últimos dias e os motoristas que chegam de outras localidades são monitorados. “Nós temos uma médica do trabalho, uma enfermeira e dois técnicos de segurança do trabalho que monitoram os funcionários diariamente. Se um funcionário apresenta sintomas de gripe, ele é imediatamente encaminhado para a unidade de tratamento e, se for o caso, afastado do trabalho”, finalizou Salvador.


Keleck está monitorando saúde dos funcionários
A Indústria de Biscoitos Keleck não exporta seus produtos para o exterior, mas a marca chega a oito estados brasileiros – São Paulo, Minas, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia – e, por enquanto, continua desenvolvendo suas atividades normalmente. “Nós estamos tocando a nossa produção normalmente, mas é claro que seguindo todas as recomendações da Vigilância Sanitária, para proteger nossos funcionários de um eventual contágio”, explicou um dos sócios da empresa, Valdemar Cândido da Silva.


Segundo Valdemar, a empresa conta com cerca de 250 colaboradores, incluindo motoristas e vendedores. “Nós distribuímos álcool gel a todos os funcionários da fábrica e estamos promovendo de duas a três reuniões por semana para reforçar as recomendações sanitárias. Além disso, estamos atentos às condições de saúde dos nossos funcionários, o nosso médico do trabalho também está atento a tudo que acontece na fábrica e no escritório. Acho que o momento é de manter a calma e tomar as decisões corretas. Por enquanto, não vimos a necessidade de interromper a produção, mas, se isso for necessário para preservar a saúde dos funcionários e seus familiares, não titubearemos em parar”, concluiu Valdemar.


Venturini suspende atendimento presencial. Pedidos, só pela internet
Na Marmoaria Venturini, que emprega cerca de 200 funcionários, a preocupação com o coronavírus e suas consequências é a mesma de outros setores. Para o diretor Carlos Eduardo Venturini, o Du Venturini, a empresa terá que estar preparada para enfrentar dias muito difíceis. “Nós só temos uma certeza: o nosso setor, assim como muitos outros vai ser prejudicado, só não sabemos o quanto será prejudicado e nem quanto tempo isso vai durar. Mas eu acho, também, que o momento é para nos preocuparmos com a saúde dos nossos funcionários, dos nossos amigos, de nossas famílias e da população em geral, o resto a gente supera”, disse Du Venturini.


Ele ressaltou que, por enquanto, não se cogita paralisar a produção. “Pode ser que tenhamos que diminuir um pouco, pois as lojas de material de construção estão fechando por conta do vírus e não sabemos quanto tempo elas vão ficar fechadas. Nós não tivemos cancelamentos de pedidos, mas, algumas lojas já não estão nem atendendo nossos representantes”. Quanto aos funcionários da fábrica, Du disse que eles estão sendo monitorados e permanentemente orientados quanto às medidas de higiene e de convívio social. “Quanto aos funcionários do escritório, alguns estão trabalhando em casa, no sistema home office, e os outros trabalham totalmente isolados, sem atender ninguém de fora. Pedidos e contatos com os funcionários do escritório, só pela internet”.


Du aproveitou para criticar a politização da pandemia do coronavírus. “Acho que o ministro da Saúde vem fazendo o possível para evitar que tenhamos uma catástrofe, mas não posso concordar com as posições do presidente Bolsonaro e de seus filhos, que subestimaram o vírus e estão politizando essa questão, com acusações à imprensa, a adversários e até a outros países. Acho que o momento não é para discutir ideologias ou pedir panelaços, mas de estimular a união do povo para combater a doença. Eu tenho familiares e amigos idosos, minha mulher está grávida, estou preocupado com tudo isso. Quanto à economia, penso que o governo terá de injetar dinheiro novo para que o país não pare totalmente. Não basta antecipar o décimo-terceiro, liberar o fundo de garantia ou aumentar o Bolsa Família”, concluiu Du.  

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