Incêndio que devastou Bosque completa quatro meses

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Nesta sexta-feira, dia 17, o incêndio que destruiu pelo menos metade do bosque, completou quatro meses

Exatamente quatro meses depois de um incêndio ter devastado mais da metade do Bosque Municipal “Aristóphano Brasileiro de Souza”, a recuperação do local ainda não é visível por quem passa pela Avenida Paulo Marcondes e nem permite visitas ao parque. Os trabalhos iniciados pela Prefeitura de Jales em dezembro andam a passos lentos e tem prazo inicial de cinco meses para serem concluídos. Já o Inquérito Policial não tem prazo definido para terminar e ainda não identificou suspeitos.   

Depois de ser obrigada a suspender uma primeira tentativa de início dos trabalhos em outubro, a Prefeitura foi chamada pelo promotor Eduardo Shintani, em novembro, para firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que estabeleceu uma série de procedimentos a serem seguidos e um cronograma detalhado das ações de recuperação que devem ser encerradas em abril. Entre elas a colocação de equipamentos de combate a incêndios pela Sabesp.

Segundo a secretária de Agricultura e Meio Ambiente, Silvia Andreo Avelhaneda Pigari, um dos principais itens do acordo é que todo o serviço deve ser acompanhado de perto pela CETESB e Polícia Ambiental, que precisam ser consultados antes das intervenções.

“Eles me orientaram a fazer a limpeza das trilhas e apenas meio metro além delas, mas o centro do bosque ainda não. No interior do bosque, apenas será combatido o colonião, onde será usado herbicida. Nós também cortamos troncos que estavam obstruindo as trilhas, mas a polícia nos orientou a não retirá-los de lá. Também não será permitido retirar os cipós. Enfim, o trabalho lá é muito difícil e detalhado”.             

Em 6 de janeiro, a secretária entregou um relatório do serviço realizado em dezembro, primeiro mês de vigência do prazo estabelecido pelo Ministério Público. Nesse período foram atacados apenas a área ao redor do bosque.

A reportagem questionou a secretária sobre a aparente suspensão dos serviços no começo de janeiro. Nas primeiras duas semanas do mês, nenhum funcionário da Prefeitura foi visto no bosque. Apenas na sexta-feira, 17, (anteontem) uma máquina foi vista suprimindo a parte lateral onde fica o aceiro.

Ela explicou que, por orientação da CETESB, serão plantadas vegetações que permanecem verdes durante todo o ano, inclusive durante o período de seca, formando uma espécie de barreira contra o fogo, além do aceiro. “Esse plantio acontecerá entre segunda (amanhã) e terça-feira”. Além disso, o estoque de herbicida havia acabado. “Tínhamos apenas cinco litros que tinham sido doados pela Sabesp, mas acabou. Agora estamos procurando outro parceiro para fazer nova doação”, disse.

Sobre a possível infração cometida pelo criador de gado que mantém animais no terreno ao lado do bosque, Silvia disse que a sanção não se aplica se eles estiverem confinados e cercados, “A autuação cabe apenas se o gado estiver solto nas ruas”.     

Contudo, o artigo 94 do Código de Posturas do município afiram textualmente que é “expressamente proibida a criação de bovinos na macrozona urbana do município”.

SUSPEITO NÃO IDENTIFICADO

Paralelamente à recuperação do bosque, a Justiça determinou a abertura de um Inquérito Policial para investigar as causas do incêndio e a possível autoria. Diversas testemunhas foram ouvidas e uma delas declarou ter visto um homem saindo do local em direção à Vila União. Porém, forneceu apenas uma breve descrição do indivíduo pelas costas e não consegue identificá-lo.

A informação da testemunha coincide com a suspeita de que o fogo tenha sido causado por usuários de drogas que freqüentam o terreno entre a Igreja Batista e o bosque, onde o fogo começou.

O delegado que preside o inquérito, Sebastião Biazi, disse que a identificação do possível autor é bastante difícil, mas a polícia está trabalhando com afinco para dar a devida resposta à sociedade.

O inquérito não tem prazo para terminar e pelo menos uma testemunha, o homem que mantinha gado no local, ainda deve ser ouvida. “É difícil, mas nada é impossível. Inclusive porque ainda temos pessoas para serem ouvidas e elas podem dar alguma indicação”.

Segundo depoimento do dono do terreno (um empresário do ramo educacional), o terreno era alugado pelo criador por R$ 150,00 mensais para servir de pasto para os animais.    

O delegado pede para que qualquer pessoa que tenha informações sobre a autoria do fogo procure a Polícia Civil através do Disque Denúncias 197 ou 181.

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