Hortoterapia Suspensa é o novo projeto do Lar dos Velhinhos de Jales

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A psicóloga Lillian ao lado do sr. Otacílio e idosos do Lar

Sem visitas, sem presença dos voluntários, atividades restritas, uma ideia surgiu para tornar o dia a dia dos idosos do Lar São Vicente de Paulo mais dinâmico, a Hortoterapia Suspensa. Uma iniciativa da psicóloga Lillian Martins, que no início da pandemia, em razão do distanciamento social, resolveu fazer um curso online pela Embrapa chamado “Horta em pequenos espaços”. 

“Eu já apreciava o cuidado e cultivo com as plantas e resolvi que quando retornasse ao Lar dos Velhinhos iria desenvolver uma horta com os idosos, porém precisava ser uma horta suspensa para também termos a participação dos idosos cadeirantes”, relatou Lillian. 

Assim, foi desenvolvido o projeto, que começou a ser arquitetado em dezembro de 2020, após conversas entre a psicóloga e os idosos, que foi criando forma e cada vez mais interesse entre eles. Houve importante participação e apoio do sr. Otacilio Rodrigues da Silva, morador do Lar há 16 anos, que com toda a sua experiência em cultivo de horta, pensou em como formular a estrutura de madeira aproveitando os caixotes de frutas e fazendo o preparo da terra.

“Gosto de participar das atividades do Lar, realizo algumas tarefas simples. Sempre gostei de plantação, afinal eu venho da roça e lá era acostumado a trabalhar com plantio, então junto com a Lillian planejamos e realizamos a horta”, conta Otacilio. Segundo ele, a horta está sendo um sucesso, já foram realizadas duas colheitas e o seu desejo é plantar mais mudas diversificadas. 

O gerente administrativo, Antonio Claudio Francisco, providenciou um espaço físico seguro na entidade para a realização da atividade. Entre os meses de abril e maio foram feitos a preparação da terra, a escolha das mudas, espécies e plantio.

Os idosos plantam alface, rúcula, almeirão, manjericão, salsinha, cebolinha, hortelã, alho, boldo, poejo e diversas pimentas. Todo o cultivo é orgânico e já está sendo consumido por eles nas refeições.

Para a psicóloga já houve mudança significativa no comportamento dos internos, que estão na horta todos os dias para regar, bater papo, trocar experiências, além de ficarem contemplando as mudas crescendo e o desenvolvendo de cada uma. De acordo com Lillian, essa forma de apreciação é chamada de Hortoterapia Passiva, ao passo que aqueles que se envolvem diretamente no plantio praticam a Hortoterapia Ativa. 

“É observada maior socialização entre os idosos, melhora na autoestima e novos laços de amizade. Os idosos ficaram muito felizes e satisfeitos ao entregar sua primeira colheita de hortaliças aos cozinheiros da entidade. Durante as refeições até dizem ‘olha essa salada é da nossa horta’. Eu particularmente, como profissional da psicologia, fico muito feliz em vê-los empolgados com o projeto, com aproveitamento saudável do tempo e de voltarem a se sentir úteis para a sociedade”.

 

Caroline Guzzo 

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