Golpes eletrônicos se multiplicam e continuam a fazer vítimas em Jales

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O delegado, escritor e palestrante, Higor Jorge, alerta para os cuidados com o compartilhamento de dados com estranhos e nas redes sociais digitais

Com a evolução e popularização das redes sociais digitais e dos aplicativos de mensagens, estão se tornando cada vez mais frequentes os golpes por esses meios eletrônicos. Ha registros de vítimas feitas pelo WhatsApp, Facebook, Instagram, OLX e muitos outros, além dos golpes físicos, já bastante conhecidos. 

Na segunda-feira, uma mulher moradora da Rua Amélia Pelarim, em Jales, tentou comprar um aparelho celular que encontrou em oferta no que pensava ser o perfil de seu cunhado no Instagram. Ela conversou com a pessoa que administrava o perfil e, depois de concretizar a negociação, fez uma transferência de R$ 6 mil através de PIX e enviou o comprovante para o WhatsApp do cunhado, que negou estar vendendo o aparelho. Foi então que a mulher percebeu o golpe e constatou que tinha perdido o dinheiro. 

Na terça-feira, um homem de Jales recebeu a mensagem via WhatsApp de uma pessoa que se dizia ser seu filho e pedia dinheiro para os seus contatos. O número era diferente do verdadeiro, mas a foto que aparecia na conta do aplicativo era real. O golpista chegou a fornecer a conta bancária com nome completo e CPF.

O golpe era o mesmo aplicado em outras vítimas. O estelionatário envia mensagens para os contatos da pessoa, usando a foto e o nome do titular da conta, dizendo que mudou o número e pede que o contato adicione o novo telefone. Pouco tempo depois, já começa a pedir dinheiro. 

Na quarta-feira, 12, um morador da Rua Joaquim Clássico Ribeiro, na Cohab Honório Amadeu, foi atraído pela oferta de venda de uma motocicleta e tentou comprar o veículo. Os contatos foram feitos pelo WhatsApp, aplicativo pelo qual o comprador também efetuou a transferência do pagamento. Depois de concretizado o falso negócio, a vítima percebeu que tinha caído num golpe e perdido o dinheiro.

No primeiro fim de semana do ano, uma enfermeira informou aos seus seguidores do Instagram que haviam clonado a sua conta e estavam anunciando a venda de eletrodomésticos. Uma geladeira Brastemp inverse frost-free de 450 litros estava sendo oferecida por R$ 1,2 mil e uma Smart TV Samsung 4k, de 70 polegadas, estava sendo oferecida por R$ 3,5 mil. 

Nas grandes lojas do mercado, a geladeira pode ser encontrada até por R$ 6,3 mil e a TV por até R$ 8,5 mil.

Delegado alerta para perfis falsos

Na semana passada, o delegado de polícia e professor, Higor Vinícius Nogueira Jorge, especializado em crimes digitais, concedeu entrevista ao canal Interior Cast, do You Tube e alertou para a ocorrência de estelionatos cometidos pelas redes sociais e até de crimes mais graves, como sequestro, estupro e homicídio. 

“As pessoas precisam entender que não estão conversando com uma pessoa, mas sim com um perfil e nem sempre a pessoa que se apresenta nesse perfil é aquela. Nunca se tem certeza da pessoa com quem estamos conversando, mesmo que ele mostre a foto ou abra a câmera. Conversamos por intermédio de determinado perfil [e não com uma pessoa real]”.

O melhor enfrentamento aos crimes digitais, segundo o delegado, é a educação digital. 

Uma das fraudes mais comuns, ainda de acordo com o delegado, é a “clonagem do WhatsApp” que ocorre porque o criminoso entra em contato com a vítima e pede para ela informar um código de segurança que será enviado via SMS dentro de alguns minutos. O problema é que o código de segurança informado é aquele utilizado para instalar o WhatsApp da vítima no celular do criminoso. Depois disso o criminoso passa a pedir dinheiro para familiares e amigos das vítimas. Chama a atenção a criatividade dos criminosos que criam as mais variadas justificativas para convencer as vítimas para que informem o referido código.

“Um modo de evitar esse tipo de crime é não informar para outras pessoas o código de segurança recebido via SMS e configurar a confirmação em duas etapas do WhatsApp que envolve habilitar um e-mail e um PIN de segurança de seis dígitos. A partir da configuração dessa segunda camada de verificação, para que o criminoso consiga clonar o telefone da vítima será necessário que ele saiba o código de segurança recebido via SMS e o PIN de segurança que a vítima escolheu ou que a vítima clique em um link recebido por e-mail para desabilitar a confirmação em duas etapas”, disse.

Segundo o policial, uma fraude muito comum é o chamado “WhatsApp Fake”. Nesses casos o criminoso habilita uma conta de WhatsApp com um número qualquer e utiliza a foto de um alvo para pedir dinheiro para seus amigos e familiares. Para evitar isso é necessário conversar sobre esse tipo de golpe com pessoas próximas para que não façam transferências quando solicitado pelo WhatsApp ou outras redes sociais ou que confirme por outros meios que a solicitação é verdadeira. Também é recomendável que configure a privacidade da conta do WhatsApp para que a foto de perfil seja vista apenas pelos contatos do usuário.

Ele orienta que é importante também tomar muito cuidado com as informações publicadas nas redes sociais que atraiam a atenção de criminosos ou que facilitem eventuais golpes praticados por eles. É recomendável habilitar a configuração de privacidade que permita que as publicações da vítima sejam acessadas somente pelos seus amigos.

“Muitas fraudes envolvem a utilização do PIX e se nota que aumentou a possibilidade de prejuízos, considerando que permite, em qualquer horário, de forma rápida e simplificada, a transação financeira de modo que facilita a ação do criminoso e muitas vezes impede que a vítima tenha tempo hábil de bloquear a transação”.

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