Flá Prandi abre mão da candidatura à reeleição

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O prefeito Flá Prandi anunciou na Rádio Antena 102 que seu nome não estará nas urnas em 15 de novembro e frustrou correligionários e apoiadores

Alegando falta de condições para enfrentar uma disputa eleitoral em plena pandemia do novo coronavírus, o prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) anunciou em primeira mão no programa Antena Ligada, da rádio Antena 102, que não vai concorrer à reeleição neste ano. “Vou abrir mão! Geralmente político nunca abre mão e é sempre candidato à reeleição, mas eu estou abrindo mão”.
A entrevista foi concedida na sexta-feira, 7 de agosto, e ratificou o assunto que foi tema das principais conversas dos bastidores políticos nas últimas semanas. 


Segundo Flá, não existem condições de qualquer ocupante de cargo no Poder Executivo se dividir entre a campanha eleitoral e o combate à Covid-19. Ele chegou a defender o cancelamento das eleições deste ano.  


“Como eu posso discutir eleição, se todos os nossos números têm aumentado negativamente em relação ao Covid? Eu tenho que tomar uma decisão sobre a volta às aulas presenciais (por exemplo). É uma decisão a ser tomada com a razão. Se eu sou candidato, eu vou interferir nessa decisão. Toda decisão agora tem que ser com base na razão. Todos os políticos que estão no cargo tem que estarem isentos para tomar as decisões em favor da população. Uma campanha eleitoral exige tempo e dedicação e como você fica 100% focado no combate ao vírus, nas internações, nos óbitos e você deixa tudo isso de lado e vai fazer campanha?”.


O prefeito ressalvou que a mesma restrição não se aplica, no seu entendimento, a quem não ocupa cargo atualmente, ou seja, quem busca a primeira eleição não tem a mesma preocupação administrativa. 


“Não estou condenando quem queira ser candidato. Só acho que aquele que está no cargo de prefeito tem que fazer uma opção de vida, hoje. Eu acho justo que as candidaturas aconteçam, mas, na minha avaliação, eu não posso me dividir entre a campanha e o combate ao vírus”.  


Ele negou que tenha sido motivado por medo de uma derrota eleitoral e garantiu que teria chances de se reeleger. “Temos uma chance real de reeleição. Já disputamos várias eleições e isso não me amedronta. Já fui candidato quatro vezes. Já perdi e já ganhei”.


A possibilidade de desistência já vinha sendo amadurecida há alguns meses. A este jornalista, o prefeito disse no começo de março, portanto antes da pandemia, que tinha 75% a 80% de chances de não se candidatar. “Eu sou contra abandonar o mandato no meio para me candidatar a deputado e eu serei deputado”. Porém, com a proximidade do prazo para registro de candidaturas, Flá foi forçado a tomar uma decisão. Ele garantiu que ouviu familiares e apoiadores que o ajudaram a formar a opinião e, provavelmente, a construir uma argumentação crível. “Lógico que eu tive a ponderação do partido, das pessoas de São Paulo que me orientaram, dos amigos, secretários, ou seja, fui ouvir as pessoas, mas é uma decisão pessoal, e coração”. 


APOIO
“Vou me preocupar com a chapa de vereadores, não vou participar ativamente da escolha de candidatos a prefeito. Estou anunciando agora pra dar tempo para as pessoas poderem se desincompatibilizar. Aquele que quiser fazer parte do processo eleitoral está liberado. Dou a liberdade total para que ele se posicione politicamente, o prazo é a metade de setembro. Agora está aberto para que as pessoas conversem e discutam o futuro de Jales. O que o grupo definir, estamos juntos”. 


Questionado sobre a possibilidade de se repetir em Jales a dobradinha entre DEM e PSDB que domina o Estado de São Paulo e que já venceu eleições até no Governo Federal, Flá preferiu evitar tocar no nome do tucano Luis Henrique, seu principal adversário, e citou outros partidos. 


“O Luis Especiato (PT) é um grande amigo. Existe uma parceria minha com o MDB. Nas três eleições que eu disputei, o meu vice foi do MDB. É uma parceria político-partidária muito grande com o MDB. Não dá pra se discutir isso. Se eu estou dizendo que não vou participar do processo eleitoral com nome na urna, é porque eu quero ficar um pouco distante pra cuidar das coisas que realmente interessam para a cidade. Não vou abandonar. Eu só não vou participar desse processo”.
“Essa é uma decisão pacífica e eu peço compreensão. Àquelas pessoas que vão me pedir pra rever essa situação, eu adianto: não vou! É uma posição clara que eu tenho que fazer em favor da população até o final do meu mandato”. 


CANDIDATURA ÚNICA 
Flá se arriscou a aconselhar os partidos que disputarão as eleições a evitar o confronto e não entrar num embate fratricida que pode resultar em prejuízo para ambas as partes. E reafirmou que é favorável a um amplo acordo que consolide mais uma candidatura única a prefeito, semelhante ao que o alçou a chefe do Executivo.   


“Eu chamo atenção de todas essas lideranças políticas. Do PT, do PSDB, do MDB, do PP, do Republicanos e do meu partido também: ajam com consciência! Não é um momento de guerra. Não é o momento para nós transformarmos a nossa cidade numa batalha porque o único desafio que nós temos que ter hoje é contra o vírus. Sentem à mesma mesa e façam o diálogo. Lógico que eu sei o peso que temos. Sei as obras que fizemos, mas não quero chegar a esse ponto [de colocar isso na campanha]. Eu quero que seja pacífico, de consenso, um acordo bem costurado para continuarmos esse processo de recuperação da cidade. Que essa minha decisão sirva de exemplo para todos os líderes políticos da nossa cidade se definirem e se organizarem e a partir daí eu vou definir o meu posicionamento político. Eu sempre defendi a candidatura única porque acho que os líderes políticos têm que ter consenso, mas eu não quero participar dessas negociações. A minha participação será no final, depois de observado todo o cenário”.

 

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