Fim do atendimento na Santa Casa e afastamento de profissionais em postos de saúde lotam UPA de Jales

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A volta da pandemia tem lotado frequentemente a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Jales, ponto central dos atendimentos e consequentemente de reclamações de usuários. Nesta semana alguns usuários postaram vídeos nas redes sociais digitais reclamando da demora e do atendimento. As reclamações vão desde falta de cadeiras e tendas para os pacientes que esperam atendimento, até falta de atendentes para a triagem. 

Relatos dão conta de que todos os pacientes que buscam atendimento, inclusive particulares, na Santa Casa estão sendo recusados e enviados para a UPA. Até mesmo pacientes de algumas Unidades Básicas de Saúde (ESFs), cujos médicos estão afastados para tratamento da Covid-19 estão sendo enviados para a unidade emergencial.  

Oficialmente a variante Omicron da Covid foi encontrada em Jales nesta semana. A notícia não chega a ser surpreendente já que o número de contaminados disparou muito nas últimas semanas, levantando a suspeita da disseminação da variante na cidade e na região. 

Informações confirmadas pela reportagem dão conta de que a UPA tem feito uma média de 310 atendimentos por dia. Por outro lado, vários funcionários da unidade estão afastados por terem se contaminados pelo novo coronavirus. Nesta semana, o número de afastados chegou a nove. Para tentar resolver o problema, o Consórcio que administra a UPA está tentando contratar profissionais de forma emergencial. 

Em um vídeo postado no Facebook, uma mulher que se diz moradora de Jales registrou várias pessoas sentadas no chão da UPA, aguardando atendimento no fim da tarde da última quinta-feira. 

“Gente é um descaso com a população, tem gente que está aqui desde cedo e já são 4 ou 5 horas da tarde”, disse a mulher no vídeo. 

A falta de funcionários para atendimento também foi criticada pela mulher. “Tinha enfermeira que estava fazendo plantão de 24 horas, sem descanso por não ter enfermeira para intercalar com ela. Dava pra ver o cansaço no rosto delas e até mesmo dos médicos”.  

Balanço publicado no site do Consirj (Consorcio Público Intermunicipal de Saúde da Região de Jales), que administra a UPA 24 Horas, mostra que a unidade atendeu 60.189 pessoas no ano passado. Número pouco maior que o de 2020, quando foram atendidos 59.502 pacientes. 

A procura por atendimento nos dois últimos anos foi, contudo, bem menor do que o ápice registrado em 2019, quando 86.601 pessoas foram atendidas. Não há informações acessíveis sobre os motivos da procura, mas sabe-se que a maior parte dos pacientes vem de Jales, a cidade mais populosa entre os 16 municípios que integram o Consirj.

Em 2019, 76,89% dos atendimentos foram prestados a moradores de Jales. Em 2020, os jalesenses representaram 76,65% e no ano passado foram 78,01%.

Matéria publicada pelo jornal A Tribuna no ano passado mostrou que apesar de ter sido o período crítico da pandemia até agora, o primeiro semestre do ano passado foi o mais tranquilo em termos de atendimento na UPA.  Entre janeiro e agosto (primeiros oito meses do ano) de 2020 a unidade atendeu 41.165 pessoas. No mesmo período de 2021, foram registradas 35.988 pessoas, uma redução de 5.177 atendimentos ou 12,5%.

O motivo, segundo o diretor do Consirj (Consórcio Intermunicipal de Saúde de Jales) foi o temor do vírus. “As pessoas que precisavam de algum atendimento clínico se afastaram daqui. Apenas os casos mais urgentes e os de covid mesmo é que continuaram a vir”, disse José Roberto Pietrobom, o “Brigitão”.   

No começo de novembro de 2021, Brigitão disse que a média de atendimentos mensais era de quase 5 mil e aproximadamente 260 atendimentos diários.  

Ele lembrou que no primeiro semestre a vacinação ainda estava na fase inicial com pouca gente imunizada e as notícias sobre óbitos e internações na própria unidade eram constantes. Com isso, as pessoas que não tinham necessidade de atendimento imediato, evitavam comparecer a alguma unidade de saúde. O mesmo aconteceu nos hospitais e postos de saúde. 

No primeiro trimestre de 2020, quando a Covid ainda não causava medo aos brasileiros, o volume de atendimento era considerado normal. Em abril daquele ano, quando os casos explodiram, houve uma queda abrupta nos atendimentos. Foram feitos 7.596; 7.642 e 6.472 atendimentos em janeiro, fevereiro e março respectivamente. Em abril esse número despencou para 3.693.

Nas últimas semanas o movimento tem sido o inverso. Postos de saúde e hospitais estão enviando para a UPA os pacientes com Covid, o que superlota a unidade.     

SAMU

O balanço das ocorrências atendidas pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que também é administrado pelo Consirj, mostra a evolução nos últimos anos, quando a pandemia se instalou.

Em 2021, o SAMU prestou 14.081 atendimentos, sendo 1717 pela Unidade de Atendimento Avançado e 12.364 pela Unidade de Atendimento Básico.  

Em 2020 foram 15.153 atendimentos no total. 2509 pela Unidade de Atendimento Avançado e 12.644 pela Unidade de Atendimento Básico.

Em 2019, foram 12.704 atendimentos. Desses, 1.923 pela Unidade de Atendimento Avançado e 10.781 pela Unidade de Atendimento Básico. 

SANTA FÉ DO SUL

A UPA 24 horas de Santa Fé do Sul e região registrou em 2021 um total de 45.823 atendimentos. A média mensal de atendimento foi de 3.800 e diariamente a média foi de 127 atendimentos durante o ano passado. Além desses a UPA registrou no ano passado atendimentos a pacientes de 305 cidades e outros estados, como Várzea Grande-MT, São Lourenço da Mata-PE, Sorriso-MT, Rio de Janeiro-RJ, Pontes e Lacerda-MT, Quirinópolis-GO, Rolim de Moura-RO, Cândido Sales-BA entre outros.

 

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