Fiéis pedem e Diocese suspende transferência de padre

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O padre Lorenzo Longhi não será mais transferido para Auriflama, como tinha sido anunciado em agosto

Comunicado distribuído pelo bispo diocesano Dom Reginaldo Andrietta nesta quarta-feira, 25 de novembro, suspendeu temporariamente a transferência do padre Lorenzo Longhi, que continuará exercendo a função de Administrador Paroquial da Paróquia São João Batista, de Santa Fé do Sul.

“No último dia 20 de agosto, comuniquei as transferências e nomeações de diversos padres, decididas após um longo período de diálogo e reflexão com o Conselho Diocesano de Presbíteros e com esses mesmos padres. O Pe. Lorenzo Longhi, no entanto, após o anúncio de sua transferência, feito com seu acordo, manifestou seu desejo de continuar residindo e exercendo o ministério em Santa Fé do Sul. As justificativas que ele apresentou a mim e ao Conselho Diocesano de Presbíteros foram respeitosamente tomadas em consideração e devidamente refletidas. Como conclusão, sua transferência foi suspensa”, informou o bispo.

A consequência imediata foi a suspensão dos remanejamentos necessários para substituir o padre e cobrir as outras paróquias afetadas. 

Assim, a nomeação do padre Miguel Donizete Garcia para o lugar de Lorenzo Longhi em Santa Fé do Sul, também foi suspensa, sendo ele, agora, nomeado para o ofício de Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Auriflama, função que passa a exercer a partir do dia 1º de fevereiro de 2021. Além disso, a nomeação do padre Geraldo José da Silva para o ofício de Vigário Paroquial da Paróquia São João Batista, de Santa Fé do Sul, foi temporariamente suspensa, mantendo-se para o ofício de Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Santa Clara d’Oeste, e das Quase-Paróquias Santa Rita de Cássia, de Santa Rita d’Oeste, e Santa Terezinha, de Rubinéia, função essa a ser exercida também a partir do dia 1º de fevereiro de 2021. 

“Reafirmo que as transferências de padres visam o bem pastoral da Igreja Diocesana. Elas têm sido realizadas de forma dialogada e com bom entendimento, devendo assim continuar, com a compreensão e a colaboração de todo o Povo de Deus, como testemunho de nossa comunhão fraterna em Cristo”, finalizou.

REPERCUSSÃO

Apesar de anunciada como rotineira e combinada entre padres e o Conselho de Presbíteros, a notícia da transferência de alguns padres, divulgada em agosto, não foi bem recebida nem pela comunidade muito menos por alguns padres. 

No caso específico de Lorenzo Longhi, que já tem 76 anos e completou 50 de presbitério, diversas pessoas se manifestaram contrariamente nas redes sociais digitais e até um abaixo assinado foi preparado. 

CARTA ABERTA

Poucos dias depois do anúncio da transferência, o juiz direito da Comarca de Santa Fé do Sul, José Gilberto Alves Braga Junior, postou em rede social uma carta que teria sido enviada ao bispo, pedindo a reconsideração da decisão. 

“Quando se recebe a notícia que um padre será transferido, ao leigo surgem duas hipóteses: Ou o padre não se adaptou à comunidade, ou a comunidade não se adaptou ao padre. Mas vejamos. Ordenado na Itália em 1970, o padre Lorenzo lá permaneceu por oito anos, antes de chegar ao Brasil. Aqui chegando, trabalhou em Ouroeste, Indiaporã, Fernandópolis, e retornou para a Itália.

De volta ao Brasil em 1988, assumiu como pároco da Igreja São João Batista, na nossa cidade, mas foi designado como missionário em Palmas, Tocantins, lá permanecendo até 2002. Entre 2003 e 2008 foi pároco de Pereira Barreto e no início de 2009 retornou para Santa Fé do Sul.

Portanto, são 42 anos a serviço da Diocese de Jales e nada menos que 17 anos junto à comunidade de Santa Fé do Sul (somando-se os dois períodos), o que descarta a possiblidade de ser uma daquelas hipóteses.

Seria algum problema pessoal com o Pe. Lorenzo que desconhecemos? Também não, porque o Pe. Lorenzo é detentor de uma postura digna, cumpridor de seus deveres, carismático, um grande pastor que sabe conduzir seu rebanho, um líder religioso exemplar, respeitado e admirado inclusive pelos não católicos, que faz o que prega e age de acordo com as leis de Deus.

A transferência do Pe. Lorenzo não se deu por incompatibilidade dele com a comunidade,  muito menos da comunidade com ele, ou por qualquer problema de ordem pessoal. Por que, então, o padre vai embora?”, questionou o magistrado. 

“É sabido por Vossa Revma. que hoje o padre Lorenzo conta com 76 anos, sendo 42 a serviço da Diocese de Jales. Ainda que existam párocos mais idosos, causa estranheza ao homem médio que um padre com essa idade, tenha que chegar numa comunidade nova para iniciar todo o trabalho já realizado onde se encontra, quer nas pastorais, grupos, etc.., com toda a dificuldade que o senhor conhece melhor que nós todos”.

“Sem tirar o mérito do padre escolhido para substituir o padre Lorenzo, o que pretende a comunidade, representada por aqueles que irão até sua presença,  é que o senhor Bispo ouça os argumentos que nos fazem pensar que sua missão ainda não terminou nesta cidade, além, é claro de suas condições pessoais e afetivas com quem o acolheu de forma tão fraterna. Não pense que serão os argumentos de sempre, como só ocorre nesses momentos de remanejamento de padres. Nosso pleito vai além e temos certeza que assim como o senhor sempre ouve (...) E também que ouça o padre, pois o bispo diocesano é, antes de tudo, pai do seu padre”, finalizou.

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