Ex-dono de escola de aviação em Jales é acusado de estelionato em Campo Grande (MS)

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O comandante Messias foi ouvido pela polícia de Campo Grande na terça-feira, 27

Jornais e portais de notícias do estado de Mato Grosso do Sul noticiaram, na terça-feira, 27, que o comandante Manoel Messias da Silva, de 40 anos, foi indiciado por estelionato em Campo Grande (MS), após dar supostos golpe em ao menos 15 pilotos. Segundo a polícia sul-mato-grossense, o prejuízo das vítimas é de cerca de R$ 100 mil, entre elas uma pessoa de Recife, que teria pago R$ 30 mil por 35 horas de voo. O comandante Messias, como é conhecido, manteve uma escola de aviação em Jales – a CMM – entre o início de 2014 e março de 2017 e, depois de alguns problemas, transferiu-a para Campo Grande. Segundo alguns amigos, ele voltou para Jales há alguns meses, onde pretende instalar uma escola para aeromoças.

Em Campo Grande, as denúncias contra o dono da escola de aviação começaram em maio deste ano. Pelo menos quinze vítimas procuraram a Deco (Delegacia Especializada de Controle ao Crime Organizado) e relataram prejuízos que, no total, chega a cerca de R$ 100 mil. “Ele oferecia um preço abaixo do mercado, com pacotes de horas de voo para pilotos. Com o alto número de denúncias, no qual as pessoas contratavam dezenas de horas de voo e faziam de 1 a 2 horas somente, constatamos que se tratava de um golpe. O dono da escola contratou instrutores e fugiu para o município de Jales, porém, nós o localizamos e ele está sendo indiciado aqui na delegacia”, afirmou a delegada titular da Deco, Ana Cláudia Medina.

“Ele, por enquanto, vai responder pelo crime de estelionato, com pena que pode chegar a cinco anos de reclusão”, continuou Ana Cláudia. Messias foi ouvido na terça-feira, 27, pela delegada. Ao sair da delegacia, Messias não quis falar com a imprensa. Seu advogado, Sérgio Moreno, também não quis dar entrevista, segundo o portal de notícias Campo Grande News. A polícia está apurando, também, se o dono da escola aplicou golpes em revendedores de combustíveis de aviação. “Ele abastecia as aeronaves para dar aula e não pagava esses revendedores, inclusive o próprio hangar onde estavam os aviões ele também não teria pago o aluguel. São três vertentes que estão sendo apuradas em desfavor dele”, completou a delegada.

O que dizem as vítimas

Um piloto de 33 anos, que prefere não se identificar, teve um prejuízo de R$ 30 mil. “Meu sonho sempre foi ser piloto. Eu juntei dinheiro trabalhando como gerente comercial e lavando carros. É dinheiro de uma vida toda. A minha primeira carteira (de aviador) foi em Brasília, mas eu queira ter experiência no Pantanal, por isso escolhi Campo Grande. Eu descobri o golpe conversando com outros pilotos. Agora estou no Ceará, voando e juntando dinheiro, para começar do zero”, lamentou a vítima. Ainda conforme o piloto, todo o grupo que estava no alojamento foi expulso do local, porque Messias não teria pago o aluguel ao dono. “Nós tivemos que sair às pressas. O dono do imóvel nos disse que o Messias estava lhe devendo R$ 5 mil”.

            Outro piloto, de 25 anos, que também preferiu não se identificar, diz que teve um prejuízo de R$ 31,5 mil. “Eu paguei R$ 33,6 mil por 56 horas de voo, mas acabei voando somente três horas”. De acordo com o piloto, parte do dinheiro investido foi empréstimo. “Eu peguei emprestado com uma tia minha e até hoje não paguei. O meu advogado tentou encaminhar alguns documentos para o Messias, mas não o encontra de jeito nenhum. Eu só quero meu dinheiro de volta e ver esse sujeito preso”, diz o piloto.

Morador de Campo Grande, outro piloto, de 38 anos, conta que recebeu boas referências da escola de aviação. “Um colega revalidou a habilitação e indicou a CMM. Eu contratei 26 horas de voo, no curso de instrutor, e paguei R$ 15 mil à vista. Era para eu ter terminado o curso em 90 dias, mas, transcorrido esse tempo, só tinha voado seis horas. Aí, em janeiro, o Messias fechou as portas, foi embora para Jales e não voltou mais”, finalizou.

Dívida com Prefeitura de Jales passa de R$ 150 mil

A tumultuada história da CMM Escola de Aviação, em Jales, começou com um decreto assinado pela então prefeita Eunice Mistilides (PTB), em 13 de dezembro de 2013, que concedia a utilização do Aeroporto Municipal, a título precário e oneroso, para as atividades da escola do comandante Messias. A autorização foi confirmada posteriormente, em fevereiro de 2014, através de um Termo de Permissão de Uso que previa o pagamento de um aluguel de R$ 2,1 mil mensais, como contraprestação pecuniária. Em junho de 2016, depois que uma reportagem do jornal A Tribuna denunciou a falta de pagamento do aluguel, o MPF de Jales enviou ofício à Prefeitura, solicitando informações a respeito da cessão do Aeroporto.

Um mês depois, em julho, a Prefeitura ingressou na Justiça com uma Ação de Execução contra o comandante Manoel Messias da Silva, cobrando a dívida referente ao não pagamento do aluguel, àquela altura estimada em R$ 76,2 mil. Em dezembro, ainda de 2016, a Justiça concedeu uma liminar solicitada pela Prefeitura, determinando que a CMM deixasse o aeroporto. Em janeiro de 2017 – sem conseguir receber a dívida, nem expulsar a escola do aeroporto – a Prefeitura fechou um acordo com o comandante Messias, prorrogando por mais 60 dias o prazo para que a CMM deixasse o local.

Em fevereiro de 2017, a ANAC suspendeu o funcionamento da Escola de Aviação. A suspensão teria sido solicitada pelo MPF, que apontou diversas irregularidades no controle das atividades do aeroporto. Finalmente, em março daquele ano, o comandante Messias devolveu à Prefeitura as chaves do aeroporto e anunciou que estava transferindo suas atividades para o estado de Mato Grosso do Sul. Três meses depois, a ANAC revogou a suspensão do funcionamento da CMM e autorizou a transferência para Campo Grande (MS). Enquanto isso, apesar da Ação de Execução, a Prefeitura não conseguiu receber um único centavo pelos três anos de cessão do aeroporto. A reportagem apurou junto a um assessor do prefeito Flávio Prandi (DEM), que a dívida do comandante Messias com a Prefeitura de Jales já estaria em quase R$ 160 mil.

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