Enquete indica rejeição de pais à volta às aulas em setembro

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O resultado de uma enquete realizada entre a noite de quarta-feira, 24, e o fim da tarde de quinta, dia 25, indica que os pais e os profissionais da Educação não estão dispostos a voltar às aulas presenciais no dia 8 de setembro, como anunciou o Governo do Estado de São Paulo. A enquete foi respondida por 324 pessoas, principalmente na noite de quarta, dia em que a proposta foi anunciada. 


Nada menos que 83% responderam que não se sentiam seguros para voltar às aulas presenciais em 8 de setembro. Um percentual não menos impressionante, 78,5% disseram que não pretendem levar seus filhos ou voltar às aulas na data.


Nem mesmo os profissionais da área da Educação se sentiam seguros para voltar ao trabalho presencial. Desses, 73,8% responderam que não. Outros 14,7% disseram que se sentiam “mais ou menos seguros” e apenas 11,4% disseram que sim. 


Para 52,9% dos que responderam à enquete, o ano letivo de 2020 deveria ser cancelado. 27,4% disseram que deveria continuar e outros 18,5% talvez. 


A grande maioria (51,2%) mantinha os filhos no Ensino Fundamental. Outros 19,4% no Ensino Médio e 15,4% na creche. 11,7% disseram estar no Ensino Superior e apenas 2,2% no Ensino Técnico.


Os que declaram ser pais de alunos matriculados em instituições do ensino oferecido pelo município eram maioria, 54%. Outros 41% eram de estudantes do Estado e 4% de instituições do Governo Federal.  A absoluta maioria, 81,5% disseram freqüentar o ensino público. Apenas 18,5% o ensino privado. 


A enquete perguntou se as pessoas se sentiam preparadas para usar o sistema de Ensino a Distância (EAD) adotado por várias instituições e pelo governo Estadual durante a pandemia. O resultado foi quase um empate. 56,2% disseram que estavam usando e 43,8% que não se sentiam seguros para usar o sistema.   


Vale lembrar que freqüentar a escola é um direito garantido às crianças pela Constituição Federal e que os pais ou responsáveis que negarem esse direito podem responder por isso com base do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).   


Pais mostram medo da falta de estrutura escolar
A rejeição é evidente também entre os 65 leitores que aceitaram deixar observações sobre o plano de retorno às escolas em setembro. A maioria demonstrou insegurança sobre a capacidade das instituições escolares garantirem o distanciamento e as medidas de higienização.


Veja opiniões:
“Crianças do ensino fundamental, não estão e nem são preparadas para isso, seria um risco para eles. Agora é possível que os adolescentes se adaptem, pois já são mais conscientes e saberão se proteger mais, e cumprir as regras impostas”.


“Não concordo em cancelar o ano letivo por consideração aos pais e alunos que se empenharam em desenvolver as atividades, mas dizer que foi um ano produtivo, impossível!!!”


“Esse vírus é uma coisa muito séria. Acredito que na escola elas acabariam ficando sem controle dos alunos porque são muitos e de várias séries pra ter que ficar de olho em cada um e o tempo todo ajudando a se higienizar e tomar os cuidados. Até porque também não sabemos como está a família das demais crianças que vão estar no mesmo ambiente que meu filho. Estamos em casa, mas e o amigo de classe?”


“Acho que não temos estrutura na Administração Pública Municipal para retornar às aulas nem tão pouco para EAD. O melhor é garantir a segurança das crianças bem como a saúde mental das mesmas e dos profissionais da educação que não tiveram nenhum treinamento para ensino a distância”.


“Olha, a tendência é aumentar o número de mortes. Vai ficar pior ainda, aí vai ser mais jovem. Acho que isso não acaba agora. É só pela misericórdia de Deus. Voltar as aulas vai ficar pior os casos, podem ter certeza”


“Acho que deveria encerrar as aulas online também porque de nada adianta uns alunos terem como estudar e outros não. Sem contar o quanto isso tá confundindo muitas crianças. Meu filho mesmo é um. É muita coisa, é muita cobrança e nem todos os professores têm paciência quando se tem dúvida de alguma coisa. Sei que é muitos alunos perguntando ao mesmo tempo e que não é fácil pra eles (professores) também, mas é difícil pros alunos e país também. Tá complicado”


“Escolas não têm condições alguma de receber alunos, professores, comunidade escolar. Não temos giz, papel higiênico, álcool em gel, nem pensar. Uma única pessoa para limpar a escola com 1200 alunos. Na primeira semana do retorno pode até aferir a temperatura, ter álcool disponível, mas não vai passar disso. O descaso continuará. Eu como mãe e professora não mando meu filho de forma alguma. Eu prefiro um atraso na aprendizagem do que não tê-lo mais ao meu lado. Tenham consciência!!!!”


“Em nossa cidade, as escolas privadas têm feito um excelente trabalho, minimizando drasticamente o prejuízo causado pela adoção repentina do ensino remoto. É provável que as escolas estaduais não tenham condição de realizar o mesmo trabalho, já que as aulas são produzidas para um universo imensamente maior. Anular o ano letivo seria uma injustiça para as escolas privadas - ou públicas - que estão conseguindo desenvolver um bom trabalho”.

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