Em cinco anos, número de famílias que recebem o Bolsa Família em Jales caiu 45%

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Em Jales, nos sete últimos meses de 2019, apenas três famílias foram incluídas no programa Bolsa Família

Segundo jornais e revistas de circulação nacional, a fila de brasileiros que esperam pelo Bolsa Família já chega a 3,5 milhões de pessoas, o que representa 1,5 milhão de famílias de baixa renda desassistidas pelo programa, causando problemas principalmente aos pequenos municípios. Em Jales, a fila também é grande, uma vez que, nos últimos sete meses de 2019 muitas famílias foram excluídas do programa e, em contrapartida, apenas 03 famílias foram incluídas. “Pra você ter uma ideia, nos primeiros cinco meses nós tínhamos conseguido incluir 174 famílias, mas, a partir de junho, com os cortes do governo federal no orçamento da assistência social, as novas inclusões ficaram praticamente impossíveis”, afirmou uma assistente social do município.


Levantamento feito pelo jornal A Tribuna no Portal da Transparência Federal mostra que, entre 2016 e 2020, o número de famílias assistidas pelo Bolsa Família em Jales caiu cerca de 45%, reduzindo o alcance do programa a quase a metade, em cinco anos. Em 2016, nada menos que 1.671 famílias jalesenses foram beneficiadas com os créditos do Bolsa Família. Naquele ano, o governo federal repassou R$ 2,5 milhões para as famílias jalesenses cadastradas no programa. Em janeiro deste ano, apenas 904 famílias foram beneficiadas. No total, elas receberam R$ 171,5 mil, o que significa que, nesse ritmo, o programa repassará cerca de R$ 2 milhões em 2020, ou R$ 500 mil a menos do que repassou em 2016.  


O levantamento apurou, ainda, que em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, Jales teve 1.208 famílias cadastradas no Bolsa Família, que, juntas, receberam R$ 2,2 milhões. Esses números significam mais de 400 famílias fora do programa, na comparação com 2018, último ano do governo Temer, quando Jales tinha 1.657 famílias cadastradas no Bolsa Família. Em dinheiro, a queda de 2019 foi de R$ 200 mil, já que em 2018, foram repassados R$ 2,4 milhões às famílias jalesenses. Especialistas dizem que cada R$ 1,00 distribuído pelo Bolsa Família se transforma em R$ 1,78 a mais na economia. Ou seja, se dependesse só do Bolsa Família, a economia jalesense teria encolhido no ano passado.


O recorde de famílias assistidas pelo Bolsa Família, em Jales, aconteceu em 2006, segundo ano do primeiro mandato do ex-prefeito Humberto Parini. Naquele ano, nada menos que 2.450 famílias receberam alguma ajuda do programa. No entanto, em 2012, último ano do governo Parini, o número de famílias beneficiadas já tinha baixado para 1.950. Em termos de valores, os anos de 2013 e 2014, quando a Prefeitura era administrada pela ex-prefeita Nice Mistilides, foram os períodos em que as famílias mais receberam. Em 2013, o Bolsa Família distribuiu R$ 2,7 milhões em Jales e no ano seguinte o valor chegou a R$ 2,9 milhões.


Jales tem mais de 1.100 famílias em situação de extrema pobreza
A extrema pobreza avançou no Brasil nos últimos anos, em virtude dos cortes na assistência social promovidos pelos governos Temer e Bolsonaro. Em Jales, a situação não é diferente. Segundo dados da Secretaria de Promoção Social, a cidade tem pelo menos 1.101 famílias em situação de extrema pobreza, ou seja, famílias onde a renda per capta não alcança US$ 1,90 por dia (R$ 250,00 por mês, atualmente), segundo os critérios do IBGE. Dessas 1.101 famílias jalesenses, 727 recebem o Bolsa Família, enquanto as outras 374 aguardam na fila do programa. Nos últimos sete meses, apenas 03 famílias conseguiram entrar no programa.


Além das famílias em situação de extrema pobreza, o programa Bolsa Família beneficia também aquelas em situação de pobreza (US$ 5,50 de renda por dia) e de baixa renda. No caso de Jales, existem pelo menos 370 famílias em situação de pobreza, das quais 183 recebem o Bolsa Família. Já entre as 834 famílias de baixa renda cadastradas em Jales, somente 60 estão recebendo o Bolsa Família. “A nossa situação está ficando cada vez mais complicada, porque os cortes partem do governo federal, mas ninguém vai reclamar com o Bolsonaro ou com o Paulo Guedes. As pessoas moram nos municípios e é nas Prefeituras que elas vão reclamar. E o pior é que a situação vai piorar porque neste ano o governo federal cortou mais R$ 3 bilhões do Bolsa Família”, explicou uma das assistentes sociais do município. Ela ressaltou, também, que está havendo cortes entre os beneficiados com o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que é pago a idosos e deficientes em situação de pobreza.

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