Em 2020, 14,5% dos óbitos em Jales foram por Covid-19

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Os óbitos por Covid-19 registrados em Jales chegaram a 16,95% do total em 2020

A Covid-19 foi responsável por 78, ou 14,5% dos 535 óbitos registrados em Jales durante todo o ano de 2020. Se a conta for feita apenas com os óbitos registrados entre março e dezembro, período em que a doença efetivamente atacou, o percentual aumenta para 16,95% dos 460 óbitos totais. 

E o ano começou com números ainda mais altos. Entre 1º e 20 de janeiro de 2021, os cartórios já tinham registrado 42 óbitos em Jales, sendo que oito, ou 19% deles, foram decorrentes da Covid-19. Três foram registrados apenas na última terça-feira, 19. As vítimas foram um homem de 80 anos, uma mulher de 70 anos e outra de 69.

O cálculo foi feito pelo jornal A Tribuna com base nos dados do Portal da Transparência do Registro Civil, administrado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) e da Vigilância Epidemiológica do Município de Jales,

Tirando os 75 óbitos registrados nos meses de janeiro (37) e fevereiro (38), quando a Covid ainda não fazia vítimas em Jales, tivemos 460 óbitos totais em Jales entre 1º de março e 31 de dezembro de 2020. 78 foram em decorrência da Covid-19.

Depois do surgimento da doença, outubro foi o mês com mais registros de óbitos nos cartórios da cidade e com maior percentual de letalidade da Covid-19. Nada menos que 93 jalesenses perderam a vida naquele mês. Desses, 21 sucumbiram à Covid-19, ou 22,5% do total. 

De acordo com os registros da vigilância, em 1º de outubro, o boletim epidemiológico registrava 40 óbitos pela doença. Em 31 de outubro eram 61.

Ano foi o mais letal para os paulistas

2020 foi o ano mais mortal da história do Estado de São Paulo. Desde o início da série histórica das Estatísticas Vitais de óbitos do Registro Civil, em 1999, nunca morreram tantos paulistas em um só ano, e nunca houve uma variação anual de óbitos tão grande como a ocorrida na comparação entre 2019 e 2020. Segundo os dados do Portal da Transparência do Registro Civil, os óbitos registrados pelos Cartórios de São Paulo em 2020 totalizaram 356.877, 17,2% a mais que no ano anterior, superando muito a média histórica de variação anual de mortes no estado que era, até 2019, de 2% ao ano.

A pandemia trouxe também reflexo em outras doenças que registraram aumento considerável na variação entre os anos de 2019 e 2020. Foi o caso das mortes causadas por doenças respiratórias, que cresceram 27,5%. Entre as doenças deste tipo, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) explodiu, registrando crescimento de 723%, seguida pelas de Causas Indeterminadas, que registraram aumento de 26,7%. Já entre os óbitos causados por doenças cardíacas, muitas vezes relacionadas à Covid-19, a comparação entre 2019 e 2020 aponta um aumento de 6,4%. Entre as doenças do coração, o registro que apontou maior crescimento foi o de mortes por Causas Cardiovasculares Inespecíficas, que cresceu 50% entre os anos, sendo que o aumento dos óbitos em domicílio é uma das explicações para o diagnóstico inespecífico das mortes causadas por doenças do coração.

O receio das pessoas frequentarem hospitais ou mesmo realizarem tratamentos de rotina durante a pandemia, assim como a falta de leitos em momentos críticos da Covid-19 no Brasil, fez com que o número de mortes em domicílio disparasse no estado de São Paulo quando se comparados os anos de 2019 e de 2020, registrando um aumento de 15,3%. As mortes por SRAG fora de hospitais cresceram 1.600%. Também aumentaram os óbitos por Septicemia (11,6%) e Causas Indeterminadas (47,9%). 

Os registros de óbitos, feitos com base nos atestados assinados pelos médicos, apontam que 1.492 paulistas morreram de Covid-19 em suas casas. 

 

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