Dieta para emagrecer e espartilho

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A arte nos proporciona viver vidas que não sejam a nossa. E quando falo em arte, me refiro à literatura, cinema, novelas de televisão, etc. , ou seja,  aquelas que imitam a vida em narrativas ficcionais.

Estou lendo “Ragtime”, um livro de E. L. Doctorow, que nunca o leria se o clube do livro “TAG - Experiências literárias” pusesse nas minhas mãos. E pela leitura, estou vivendo cenas interessantes em que personagens históricas e ficcionais se misturam no enredo.

Uma cena que me marcou muito foi a lição que Emma Goldman (escritora, oradora, sindicalista, antimilitarista, feminista e anarquista) passada a Evelyn Nesbit (atriz, cantora e modelo) sobre o uso do espartilho. Ambas são personagens históricas dos Estados Unidos do início do século 20.

Sempre ouvi de orelhada ou li apressadamente em revistas e jornais sobre os sacrifícios femininos proporcionados pelo uso do espartilho, que prejudicam a saúde da mulher.

Com a leitura do livro “Ragtime”, onde há a lição de Emma Goldman a Evelyn Nesbit, passando-lhe a interpretação política do uso de tal peça, de forma narrativa no livro, meus conhecimentos ganharam mais consistência.

O espartilho e a dieta para emagrecer como forma de moldar o corpo feminino e atender às preferências masculinas (ou da mídia) são igualmente opressivas.

Emma Goldmann faz Evelyn Nesbit se desfazer do espartilho (colete para conter as gordurinhas e moldar o corpo externamente, alguns eram duros como aço), que deixasse seu corpo solto na roupa.

Diante das primeiras resistências de Evleyn, Emma acrescentou seu argumento final: “Você é uma criatura formada do jeito deles. Tem tanta necessidade do espartilho como uma ninfa dos bosques”. A militante anarquista libertou mais uma mulher.

Mas não se espante, cara leitora, porque ainda se vendem espartilhos pela internet, como se aumentam seios e nádegas com silicone. Há muita coisa por fazer.

Há homens que preferem mulheres soltinhas à beira da cama, com luz acesa, em vez de escuridão para que não se veja o desmonte feminino.

A pessoa leitora é diferente, porque viaja sem sair do lugar e não fica limitada a sua própria vivência. Não estou aqui a me elogiar, mas convidar-lhe a ler. A leitura é também um bom entretenimento.

 

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

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