Depois de 12 anos, Coopersol recomeça em novo endereço

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Da esquerda para a direita, Evany Ana Dias, uma das mais antigas cooperadas, a presidente, dona Maria, e o coordenador Ademir Molina

O clima na Cooperativa de Trabalho Regional Solidária de Catadores de Resíduos Sólidos é de total otimismo. Depois de mais de 12 anos, a Coopersol está entrando em nova fase. Nova coordenação, novo endereço e novas perspectivas. Desde que o novo coordenador, Ademir Balero Molina, assumiu, e a antiga presidente, Maria do Socorro Diniz Pereira, retornou ao posto, tem havido uma recuperação financeira e de credibilidade da entidade, que enfrentava dívidas e pouca arrecadação. 
O novo endereço, com galpão próprio, na rodovia Victório Prandi, ao lado da Estação de Tratamento de Esgotos da Sabesp, também tem facilitado o trabalho. O prédio foi construído graças a uma emenda de R$ 250 mil da deputada Analice Fernandes (PSDB), que já tinha apresentado outra emenda para aquisição de equipamentos. O então deputado Rodrigo Garcia também conseguiu a liberação de emenda parlamentar para aquisição de outros equipamentos e veículos.
Ademir, servidor público municipal de carreira com graduações em Gestão Pública pelo IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) e Agronegócio pela Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo) coordena a cooperativa desde o dia 12 de março. A data é a mesma em que a presidente Maria do Socorro retornou ao posto. “Dona Maria”, como era conhecida, esteve afastada por problemas de saúde por cerca de um ano, mas está na cooperativa desde o fim da década de 2000, quando a entidade ainda era uma associação precária e funcionava no antigo Recinto de Exposições Juvenal Giraldelli (Antiga Facip).    
Desde que ambos assumiram, a Coopersol vem conseguindo saldar algumas dívidas e aumentar o faturamento, consequentemente, aumentando a remuneração dos cooperados. 
Segundo o coordenador, entre 17 e 31 de março, a cooperativa faturou R$ 24.850. Foram pagos R$ 7 mil em contas atrasadas e restaram R$ 17.435 que divididos pelos 23 cooperados, rendeu aproximadamente R$ 6,00 por hora trabalhada para cada um. 
“Quando assumimos, havia um pouco mais de R$ 7,00 na conta da cooperativa. Conseguimos vender uma grande quantidade de material que estava acumulado e arrecadamos o suficiente para começar a pagar algumas dívidas”, contou o coordenador.
“Se Deus quiser, em poucos meses queremos dobrar a remuneração deles”, completou.   
“Conseguimos começar a pagar, mas infelizmente, ainda temos uns R$ 17 mil de contas atrasadas”, lamentou, dona Maria.   
Por se tratar de uma cooperativa e não de uma empresa ou associação, a Coopersol tem um sistema de arrecadação diferente das outras. Cada cooperado atua como dono do negócio e a sua remuneração depende do faturamento e do tempo dedicado ao trabalho. “Por isso, a divisão do lucro é feita pelas horas trabalhadas por cada um”, explicou Molina.
“Antigamente, as pessoas apresentavam atestado e ficavam afastadas dois, três dias e até mais. E ganhavam igual a quem não faltava. Agora, a divisão do lucro é feita pela quantidade de horas que cada um trabalhou. Quem trabalha mais, ganha mais. Em março, houve 2.906 horas trabalhadas por todos. Isso deu R$ 6,00 a hora”, disse a presidente.  
Por conta das dívidas e da queda nas vendas, que chegou a 30%, a remuneração final foi de aproximadamente R$ 1.300, mas a expectativa é que o faturamento aumente gradativa nos próximos meses.  
O material reciclado é vendido para empresas nos mais diversos cantos. Somente no Estado de São Paulo, a Coopersol tem clientes em Jales, Urânia, Fernandópolis, Birigui, Andradina, Rio Claro, São Carlos, Bauru e São José do Rio Preto, entre outras. 


RECUPERAÇÃO
Tanto o coordenador quanto a presidente reconhecem que a credibilidade da cooperativa andou abalada nos últimos tempos. Seja por conta da falta de um calendário regular de coleta ou pela ineficiência.
Entre a população é fácil encontrar reclamações sobre o assunto. Quando a queixa não é sobre a falta de coleta é sobre o material não recolhido ter ficado espalhado nas calçadas.
“Isso realmente desestimula as pessoas a fazer a separação, mas estamos voltando a intensificar a coleta e o Ademir está divulgando o calendário de cada bairro. Também estamos entrando em contato com algumas empresas que tinham deixado de fornecer material e eles já estão retornando”, disse a presidente.  
A nova administração planeja fazer campanhas educacionais para reforçar a necessidade de separação do material reciclável doméstico e industrial/comercial. O foco inicial serão os estudantes, que são considerados grandes “educadores” dos adultos quando a questão é ambiental. Não estão descartados concursos com premiação aos alunos.
Apesar do otimismo, os cooperados ressaltam que nada seria possível se os cidadãos, sejam empresários ou donas de casa, não separarem o lixo seco do lixo molhado. “Pode deixar que a gente vai recolher. Aqui nós aproveitamos tudo. Caixa de leite, de sabão em pó, papelão, latinha, garrafas pet, vasilhame de detergente, vidro e qualquer outra coisa, que dê pra reciclar. Só não estamos pegando televisão porque não conseguimos vender os tubos”, disse dona Maria.

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