Defender filhos bandidos

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Muita gente está assustada com as denúncias de corrupção que assolam o Poder Judiciário no Brasil.

Quem achava que seus componentes fossem todos santos, se enganaram. E isso acontece há tempos, mas agora a mídia resolveu voltar seus canhões também para o terceiro poder. Nunca me enganei, onde há ser humano, há safadeza e podridão.

Como nunca haverá feijão que dispense escolha, catação, assim somos nós, sempre haverá o grão chocho ou bichado entre nós. Selecionar, ficar de olho, é sempre bom. Isso é que se chama de cidadania, confiar desconfiando, nada de crer cegamente num líder.

A tal desembargadora Tânia Garcia Freitas Borges que exerce o cargo de Corregedora Regional Eleitoral de Justiça de Mato Grosso do Sul para o biênio 2015/2017 é um exemplo. O pai dos filhos Breno e Bruno não aparece, os dois estão metidos no crime, o mundo que a mãe precisa combater, e o “papai” omisso.

Li um comentário no Facebook de uma senhora perguntando se tal desembargadora não educou esses filhos direito. Eu atreveria a fazer uma outra pergunta: quem é o pai dessas criaturas, ele também é responsável.

Será que nas certidões de nascimento dos dois filhos, o pai é um risquinho? Há gente que tem um risquinho como pai, mas tem postura boa diante da vida. Não sei por que, mas o meu pensamento se remeteu ao jogador Gabriel de Jesus, cujo pai não aparece na história do jogador.

Outra curiosidade: eu conheci o deputado Sólon Borges, que era uma liderança do Centro do Professorado Paulista - o CPP. E um dos filhos da desembargadora se chama Breno Fernando Sólon Borges. Não sei se é neto, bisneto do então presidente do CPP ou foi apenas uma homenagem.

De qualquer forma, a veneração se tornou uma condenação. Tomara que o rapaz saia dessa vida e o nome volte a ser uma homenagem.

Sei que muita gente gostaria de que a mãe tivesse ficado do lado da Justiça, contra os filhos bandidos. Para que ela não fique tão sufocada, porque mãe é mãe, cito aqui uma passagem que revela o pensamento de Confúcio - filósofo chinês - nessa questão:

“O Duque de She dirigiu-se a Confúcio, dizendo:

- Temos em nossa terra um homem direito. Seu pai furtou uma ovelha, e o filho depôs contra ele.

- Na nossa cultura, retrucou Confúcio, ser direito é proceder de maneira diferente. O pai oculta a culpa do filho, e o filho a do pai. Gente direita é assim que se comporta” (Máximas de Confúcio. Apud Russell, Betrand. Ensaios céticos. 2. ed. São Paulo. Nacional, 1957, p. 82.)

 

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.

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