Comércio de Jales sente efeitos de medidas contra o coronavírus

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Cidade vazia

Quem visitou o comércio do quadrilátero central de Jales nos últimos três dias se deparou com ruas quase vazias, movimentadas praticamente apenas pelos funcionários das próprias lojas. Nas Casas Bahia, dois funcionários batiam papo enquanto aguardavam a chegada de algum cliente. Um deles disse que nunca tinha visto nada igual. “Normalmente, você não acha vaga para estacionar aqui na frente da loja, mas hoje, como você pode ver, tem duas vagas desocupadas. Aquelas vagas ali no estacionamento da praça (Praça do Jacaré) também estão sempre ocupadas, mas, desde ontem que não se vê muitos carros nelas” disse o vendedor. “A loja está programada para abrir no domingo, mas, do jeito que estão as coisas acho que vão suspender a abertura. Não somente para preservar a saúde dos funcionários, mas porque os clientes não estão saindo de casa mesmo”, completou.


A moça da Zona Azul, que andava de um lado a outro da praça, sob um sol escaldante, confirmou: “Realmente, há muito tempo que eu não via um movimento tão fraco. As vagas aqui da praça estão quase todas vazias e quando alguma pessoa estaciona não fica mais do que meia hora. Parece que as pessoas só estão vindo ao centro para resolver coisas inadiáveis e depois voltam pra casa”, disse a monitora, que completou: “Até o pessoal que vem jogar baralho na praça sumiu”. Na banca de revistas, apenas um suposto cliente – na verdade um “corretor”, frequentador diário da praça – lia as manchetes dos jornais. A dona da banca, preocupada com a situação dizia que, “se eu pudesse ficaria em casa, como o pessoal da saúde está aconselhando, mas se nós fizermos isso, como é que vamos pagar as contas no fim do mês”.


Na Receita Federal, um rapaz usando uma máscara azul pregava um cartaz na porta anunciando mudanças no atendimento. “O atendimento presencial vai continuar, mas as pessoas terão que fazer um agendamento no site da Receita. É para evitar aglomeração de pessoas”, explicou o rapaz. Nas duas lotéricas do centro, normalmente com filas naquele horário, apenas três ou quatro pessoas eram atendidas nos guichês. O guichê de atendimento prioritário a idosos, deficientes e gestantes estava vazio, algo raro na lotérica da Rua Oito. “Parece que os idosos e as gestantes estão seguindo à risca os conselhos do Ministério da Saúde. Hoje eu atendi poucos aposentados”, disse a caixa.


Na Avenida Francisco Jalles, apenas as farmácias pareciam movimentadas, com algumas pessoas procurando álcool em gel, que já não era encontrado. “As pessoas não estão encontrando álcool gel, mas sempre acabam levando alguma outra coisa, principalmente antigripais. Nossa expectativa é de receber o produto na semana que vem. Ontem, uma loja de cosméticos aqui do centro recebeu um estoque de álcool em gel e, de repente, se formou uma fila considerável. Acho que não deu para quem queria”, disse a funcionária de uma farmácia. Ainda na principal avenida da cidade, um comerciante explicou que suas vendas até o meio de março caíram cerca de 4% em relação ao mesmo período de 2019. “Na verdade, as vendas já tinham caído em 2019, na comparação com 2018 e, neste ano, continuaram caindo, mesmo antes dessa crise do coronavírus. Agora, tudo indica que elas irão despencar mais ainda”, disse o comerciante.  


Na Rua Doze, uma lanchonete sempre muito movimentada – principalmente no horário do almoço – estava com suas mesas todas vazias. “Não sei onde isso vai parar, mas, se continuar assim, muita gente vai quebrar. Eu só espero que o governo nos ajude a atravessar essa fase. Outro dia eu li alguma coisa sobre uma ajuda do governo aos bancos e às companhias aéreas. Espero que sobre alguma coisa para os pequenos comerciantes, que são os que mais sofrem”, disse o dono da lanchonete. No Proença Supermercados, o movimento não era dos maiores por volta das 15:00 horas da quinta-feira, mas uma caixa garantiu que “se você voltar no final da tarde ou à noite, vai encontrar o supermercado lotado. As pessoas estão muito preocupadas com o que vem pela frente e procurando principalmente gêneros alimentícios. Tem cliente que está meio paranoico e pergunta se a gente está com as mãos higienizadas. Outros fazem questão de eles mesmos colocar as mercadorias nas sacolas, para evitar que os empacotadores coloquem as mãos nelas”, concluiu a caixa. 

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