Chuva destrói asfalto novo e revolta moradores

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No Distrito 1, as enormes crateras que surgiram na Avenida Industrial impressionam e assustam quem tenta passar

Depois de vários meses sem chuva significativa, a seca finalmente foi interrompida pela chegada da chuva na última terça-feira, 20. A estação meteorológica da Embrapa mediu 31,5mm de chuva naquela tarde/noite. O volume não é considerado muito grande, mas é o triplo do que caiu em Jales durante todo o mês de junho (13,4mm) e 150% o que choveu durante todo o mês de maio (20,2mm). 

Porém, a chuva foi suficiente para trazer novos e ressuscitar antigos problemas. Houve registro de danos em praticamente toda a cidade. A Prefeitura disse que houve rompimento de galerias de águas pluviais e asfalto em vários bairros da cidade, especialmente nas obras que estão sendo realizadas nos Distritos Industriais I e III, Jardim do Bosque e Parque das Flores, além do Jardim São Judas Tadeu, nas imediações da Rua Amazonas. 

A chuva foi suficiente para fazer ressurgir o rotineiro alagamento no cruzamento da Avenida João Amadeu, com Avenida Salustiano Pupim e Rua Dezessete, ao lado de um supermercado. Novamente a galeria de águas pluviais não suportou o volume e o local ficou completamente alagado. Um carro que estava estacionado ao lado do mercado ficou com água pela metade, superando a altura do assoalho.

No Jardim São Judas Tadeu, um dos bairros mais carentes da cidade, a água causou danos graves em algumas residências e pelo menos uma família perdeu os seus pertences.  

Também choveu literalmente dentro do Centro Cultural José Carlos Guisso, onde ficam a Biblioteca e a Casa do Poeta e Escritor de Jales. O problema é antigo. As calhas não conseguem dar vazão à água da chuva, que acaba escoando para dentro do prédio. Imagens recebidas pela reportagem mostram a água caindo em profusão sobre os livros e a Casa do Poeta completamente alagada. 

Mas a maior parte dos estragos aconteceu mesmo em locais onde as principais obras da administração Flávio Prandi estão sendo executadas, nos Distritos Industriais I e III, Jardim do Bosque e Parque das Flores. Nesses locais, os estragos são impressionantes. 

No Distrito Industrial 3, na marginal da rodovia Euclides da Cunha, o asfalto recém aplicado cedeu e um caminhão betoneira tombou, despejando a carga de concreto pela rua. As imagens impressionavam quem passava pelo local. Além do prejuízo causado pela perda da carga e pelos danos ao veículo, foi preciso chamar um guincho para desvirar o caminhão, que ficou tombado até o dia seguinte. 

Aparentemente, as bocas de lobo não suportaram a chuva e se romperam. Os buracos expunham o solo sob o asfalto e deixaram dúvidas sobre a qualidade do serviço e do material. 

JARDIM DO BOSQUE

Na quarta-feira, dia seguinte à chuva, a reportagem percorreu alguns bairros para conferir os estragos e encontrou danos graves e médios em inúmeros pontos. 

Em algumas partes do Jardim do Bosque, o asfalto também recém aplicado se desfez e era impossível saber se a rua tinha sido asfaltada ou se ainda estava “na terra”. 

O problema mais alarmante foi encontrado na Rua Vereador Domingos Rossi Filho. O asfalto que foi aplicado há pouco tempo não resistiu e se rompeu deixando um gigantesco buraco que tomou toda a largura da rua. Segundo uma moradora, o asfalto não tem nem duas semanas. Um cano de fornecimento de água também se rompeu.

A moradora de uma casa que fica bem ao lado do buraco estava apavorada. Ela temia que a água estivesse se infiltrando por baixo do seu terreno e abalando as estruturas da casa. Também há o temor de que novas chuvas aumentem o buraco e a casa tenha que ser interditada.  

O local é o mesmo em que a reportagem registrou mês atrás a empreiteira depositando tubos de concreto na frente das casas e impedindo a entrada dos moradores. 

A suspeita é que a terra da mata do Bosque, ao lado da rua, desceu com a chuva e entupiu a boca de lobo. A água foi então acumulando debaixo da rua até romper o asfalto.  

DISTRITO 1 E PARQUE DAS FLORES

No Distrito Industrial 1, a Avenida Industrial praticamente se desintegrou. Gigantescas crateras, uma delas com mais de uma centena de metros, podem ser vistas em várias partes da avenida. Tubos de concreto foram levados. Duas tampas pesadas também foram destruídas.

Informalmente, um engenheiro explicou que os reparos só deverão ser feitos no primeiro trimestre do ano que vem, depois do período das chuvas. Segundo ele, praticamente todo o serviço terá que ser refeito. Alguns tubos foram danificados e terão que ser trocados, a terra terá que ser novamente acomodada e compactada e, somente depois, o asfalto poderá ser aplicado.  

No Parque das Flores, os moradores ficaram ilhados depois que o asfalto não suportou o peso de um caminhão e se rompeu. O buraco impediu o caminhão de prosseguir e arrastou um carro. Imobilizados, os dois veículos fecharam a passagem.    

Pela internet um morador desabafou: “Parque das Flores, Jales. A situação do bairro da minha casa, onde estamos simplesmente ilhados, não existe saída alguma em que algum veículo consiga ter passagem.... há 20 anos a qualidade é essa. Não tem entrada, não tem saída, não tem condições. Isso é a incompetência das empresas que ganharam a licitação e não conseguem fazer o serviço. Que dó, que pena”.

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO – PROBLEMAS CAUSADOS PELA CHUVA

 

A Prefeitura Municipal de Jales informa que lamenta muito pelos problemas e danos causados no final da tarde da última terça-feira, dia 20 de outubro, em decorrência da forte chuva que atingiu o município e a região.

Ocorrências foram registradas em diversos bairros da cidade. Embora todos os problemas tenham sua devida importância, os mais graves foram causados em função do rompimento de sistemas de drenagem de água pluviais (galerias) e de pavimentação asfáltica, concentrados principalmente nas obras de infraestrutura de drenagem e pavimentação asfáltica nos Distritos Industriais I e III, Jardim do Bosque, Parque da Flores e no Jardim São Judas Tadeu, nas imediações da Rua Amazonas.

Enfatizamos ainda que todas as empresas responsáveis pelas mais diversas obras, sem exceção, estão respondendo aos chamados da Secretaria Municipal de Obras e se organizando para executar a correção dos rompimentos de galerias e outros problemas ocasionados pela chuva. Vale ressaltar que todas as obras são de responsabilidade das empresas por um período de 05 (cinco) anos, portanto os custos com reparos são de responsabilidade de cada uma delas.

A Prefeitura Municipal, Defesa Civil e SABESP, se mobilizam e estão percorrendo, desde quarta-feira, os pontos mais afetados, realizando atendimentos emergenciais necessários e prestando atendimento às famílias prejudicadas.

SecCom

 

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