Boneco de gelo e pomba da paz

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Escrevi sobre figuras de bonecos de gelo dependurados em postes, enfeitando Araçatuba, no fim do milênio passado ou no início deste. E voltamos aos erros.

Se o capeta não aguenta o calor de nossa região, some, dizendo que o inferno é mais fresco, imagine bonecos de gelo... E Birigui não é diferente.

Lógico que a Lapônia, país do Papai Noel, fica no Polo Norte, muito gelo, e importamos o bom velhinho de lá, mas se fazem necessárias adaptações, praticar a antropofagia cultural. Ainda mais que as alegorias foram construídas com materiais reciclados.

Enfeitar a praça principal da cidade na época de Natal sempre deixa a população mais satisfeita, faz parte de nossa tradição.

Se antes, os araçatubenses mais festeiros ficavam elogiando a iluminação da praça de Birigui, agora Araçatuba tem a praça Rui Barbosa iluminada, enfeitada, mas não deixemos aqueles bonecos de gelo debaixo desse calorão. E o mesmo acontece em Birigui. Será que foi a mesma empresa autora de tal proeza?

EXTERMINAR COM A POMBA DA PAZ

A Câmara Municipal de Araçatuba votou projeto do vereador Jaime José da Silva (o Dr. Jaime) e o prefeito Dilador Borges sancionou, tornando proibida a alimentação de pombos em lugares públicos e privados.  Lei municipal 8.016/2017.

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Noé, o cara da arca, que salvou todos os animais do dilúvio, quando a água baixou, soltou um pombo para verificar como foi a tragédia, ver a situação da Terra. E a pomba (ou o pombo) voltou com um ramo de oliveira no bico, um sinal de que o planeta estava salvo.

Assim, a pombinha banca, com um raminho no bico passou a ser o símbolo da paz no judaísmo e no cristianismo. Símbolo do Espírito Santo.

Naquela época, conhecia-se a realidade pela observação direta, o empirismo não havia virado cientificismo. Hoje, com o desenvolvimento das ciências, descobrimos que aquele animalzinho tão delicado é ofensivo ao ser humano, chegando a ser classificado de “rato de asas” por um prefeito de Londrina-PR.

Como, com certa arrogância, nos achamos imagem e semelhança de Deus, consideramos que apenas os seres humanos têm o direito à vida. Assim, classificamos os animais em úteis e nocivos, como aprendi lá no curso primário na década de 50. Pau, pedra, cacetada, tiro, chinelada nos bichinhos necessários ao ecossistema.

E o pombo, de símbolo da paz, protagonista, personagem do bem, está passando a ser o bandido da história (nocivo). Está parecendo o Bentinho no livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis.

Confesso que não tolero pombo no forro de minha casa, exerço o meu antropocentrismo. Não mato pombos, nem esses importados, vindos da Europa. Tais pássaros são os invasores de nosso ecossistema, não possuem predadores, então temos que assumir esse papel.  Gosto da pomba-rola, fogo-apagou, a nativa, a famosa rolinha.   

Nessa situação atual do Brasil em que o ódio invadiu nossas relações, fico com o pé atrás, querendo defender a paz, a pomba branca com raminho. Mas também sei que muitos alimentadores de pombas nas praças públicas são a favor da pena de morte para o ser humano.

Então, caro leitor, estou numa indecisão. Estado mental horrível. A gente vai ficando velho e amolece o coração. Gosto da pomba, pusemos nela a máscara da paz, mas gosto mais de mim. Dizem por aí que as pombas vão cagar na cabeça do Dr. Jaime. Ele que se cuide...

 

 

 

 

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

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