Biazi pede nova prorrogação do inquérito sobre incêndio no Bosque

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No mês passado, a Prefeitura de Jales finalmente providenciou o aceiro que impediria a chegada do fogo ao Bosque

O delegado operacional da seccional de Polícia Civil de Jales, Sebastião Biazi, pediu na semana passada, mais uma prorrogação do Inquérito Policial Nº 2274752/2019 aberto para apurar a autoria e as causas do incêndio que devastou o Bosque Municipal de Jales em setembro do ano passado. Depois de finalmente encontrar o dono do gado que pastava no terreno onde o fogo começou e tomar o depoimento dele em 20 de maio passado, Biazi pretende voltar a ouvir o proprietário do terreno, que já foi ouvido em 7 outubro.


O dono do gado, o autônomo Claudio Aparecido Rodrigues, de 65 anos, confirmou à policia que na data do incêndio fazia aproximadamente seis meses que mantinha oito cabeças de gado pastando no terreno e que chegou a pagar pelo arrendamento da área, mas atualmente não pagava mais. 

  
“Quanto à cessão da pastagem pelo Carlos (Roberto Soares, dono do terreno), considerando que eu o conhecia, foi ele quem me pediu para colocar os animais naquele local, visando abaixar o capim, inclusive, quando os fatos aconteceram, eu não pagava mais arrendamento ali”. 


O depoimento de Claudio pode corroborar a versão de que o fogo teria começado acidentalmente num ponto de consumo de drogas nos fundos do terreno, ao lado do muro da Primeira Igreja Batista e se alastrou para o bosque municipal por causa do vento forte e das péssimas condições do aceiro na divisa entre os dois terrenos. Os policiais ambientais que prestaram depoimento fizeram afirmações nesse sentido (veja texto neta página). 


“Com relação ao aceiro ao redor das pastagens, eu acredito que era de responsabilidade da Prefeitura na parte que divisa com o bosque, embora, naquele dia estava muito quente e as pastagens estavam muito secas, ainda, estava ventando”, disse o criador. 


“Eu ia ver os animais quase todos os dias e sempre eu vi usuários de droga não só dentro do bosque, como naquela mata abaixo do bosque, ainda, perto do muro que divisa com a Igreja Batista”, prosseguiu. 


O homem negou que tivesse alguma desavença com o dono do terreno, Carlos Roberto Soares. Essa versão chegou a ser aventada como possível causa de uma ignição criminosa. “Eu nunca tive qualquer desavença com o Carlos e o mesmo nunca pediu para eu retirar o gado dali, tanto que após o incêndio e com a recuperação das pastagens, o próprio Carlos me pediu para colocar os animais novamente, visto que o capim estava crescendo muito”, ressalvou. 


O gado, segundo o criador, permaneceu no terreno até o começo do mês de maio, quando foi retirado por conta dos problemas que causaram no alambrado no limite com o bosque. O caso foi tema de matéria de A Tribuna.   “Somente fui retirar meus animais na semana passada (ao depoimento), em razão de que umas máquinas da Prefeitura fizeram um aceiro e as cercas foram quebradas e eu decidi não consertá-las, sendo este o único motivo que eu retirei meus animais”, concluiu.


ACEIRO MAL CONSERVADO
A polícia pretende ouvir novamente o empresário Carlos Roberto Soares para esclarecer alguns pontos de seu depoimento e confrontá-los com o depoimento do criador. Em 7 de outubro, poucos dias depois do incêndio, Carlos disse à polícia que o aceiro era de responsabilidade da Prefeitura de Jales, que não o conservava adequadamente. “Considerando que não havia aceiro entre as pastagens e o bosque, o fogo acabou atingindo este e queimando também grande parte daquela reserva florestal. Acrescento que a responsabilidade pelo aceiro seria da Prefeitura e não minha, porque a minha área é objeto de loteamento já aprovado, havendo inclusive um alambrado entre a minha área e o bosque, havendo no local uma linha de guia de sarjeta, dando então a entender que ali trata-se de uma rua, porque do outro lado também tem um alinhamento de guia de sarjeta”.


Os dois policiais ambientais ouvidos pela Polícia Civil também citaram a falta de conservação do aceiro que deveria separar os dois terrenos e garantir o bloqueio do fogo. “Vale ressaltar que o fogo se propagou rapidamente em razão da baixa umidade do ar e fortes ventos, aliados ao fato de que os aceiros não estavam devidamente limpos, dificultando assim sua total extinção. O incêndio atingiu e destruiu uma área de cerca de 12 hectares do Bosque Municipal”, disseram ambos. 


Os policiais Gouveia e Ginez prestaram depoimento na condição de testemunhas porque estavam de plantão na base da Polícia Ambiental junto com o policial Viana, no dia do incêndio. 


“Esclareço que o bosque municipal possui uma vegetação pertencente ao Bioma Mata Atlântica, possuindo diversas espécies de árvores nativas, bem como várias espécies de aves e animais silvestres”, disseram.

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