Autor do hino oficial de Jales diz que não é convidado para eventos e reclama do esquecimento

230919095018.jpg
Moisés Landim, o Billy, diz que autoridades parecem ter vergonha de mostra-lo como autor do hino

Quem conversa com aquele homem simples e de fala tranquila ou cruza com ele pelas ruas da cidade ou até mesmo do seu bairro, o JACB 2, não imagina que está diante de um dos autores do hino da cidade. Aos 64 anos de idade, Moisés Landim de Souza, morador de uma casa modesta da Rua “Joaquim da Veiga Pimentel”, leva uma vida sossegada, ao lado da esposa Lourdes, a quem ainda chama de “amor”, mesmo depois de trinta anos de casamento. O tratamento carinhoso é recíproco. “Amor, tem um rapaz do jornal querendo falar com você aqui”, avisou dona Lourdes depois de atender a reportagem de A Tribuna, na tarde calorenta de quinta-feira, 19. Moisés, conhecido pelos amigos como Billy, é o autor dos versos do Hino Oficial do Município, onde se diz que Jales é um pedacinho de Ordem e Progresso.

Moisés – que é o autor, também, do hino de São Francisco – parece orgulhoso de ter composto um dos símbolos da cidade, mas, ao mesmo tempo, se mostra chateado com o que ele chama de “desprezo” das autoridades. Ele reclama que, nos últimos anos, não tem sido chamado para os eventos oficiais da cidade. “O pessoal não tem se lembrado de mim. Não sei o que acontece, mas parece que o hino não tem sido tocado nos eventos e eu estou esquecido pelas autoridades, que não me chamam pra nada. A última vez em que fomos convidados para um evento, já faz alguns anos. Eu me preparei, juntamente com o meu parceiro, pra cantar o hino, mas, quando cheguei lá já vieram me avisar que o hino seria cantado por outra pessoa. Parece que o pessoal tem vergonha de me apresentar como autor do hino....”, lamenta Moisés.

Ele ressalva, porém, que pelo menos nas escolas o hino tem sido bastante divulgado. “Do pessoal da Educação eu não posso reclamar, pois o hino vem sendo ensinado nas escolas todos os anos. Um dia desses, meu neto de cinco anos chegou aqui em casa dizendo que tinha aprendido uma música nova na escola e aí começou a cantar o hino”. Sem ter conseguido, por enquanto, se aposentar, Moisés diz que ganha a vida cantando. “Eu canto em bares, lanchonetes, festinhas de amigos, etc, e ganho algum dinheiro. Atualmente, estou cantando sozinho, com o nome de Billy Vegas. Eu cantava com meu parceiro, o Bob, mas, as nossas agendas não andavam batendo ultimamente e nós resolvemos acabar com a dupla”.

Além do que ganha cantando, Moisés recebe também alguns direitos autorais. “Eu tenho mais de 800 músicas, algumas delas gravadas pela nossa dupla (Billy e Bob) e por outras duplas. Tem dupla de Americana, Campinas e outras cidades que cantam minhas músicas e aí, de vez em quando, pinta uma grana do direito autoral”. Ele fez questão de esclarecer, no entanto, que o hino não lhe rende nada. “Eu nunca ganhei um centavo de direito autoral pelo hino. A única coisa que ganhei foi o dinheiro do concurso realizado em 2002 para escolha do hino. Mas eu também não faço nenhuma questão de ganhar dinheiro com ele. Acho que o orgulho e o reconhecimento por ter feito o hino da minha cidade são mais importantes que qualquer outra coisa”, complementa Moisés.

Ele não se lembra quem era o prefeito em 2002 (era o falecido José Antonio Caparroz) quando o concurso para escolha do hino foi realizado. “Eu me lembro que foi o Valdo (Francisco Valdo de Albuquerque) quem organizou tudo. Na verdade, eu nem sabia do concurso. Foi um amigo que me avisou e aí, a poucos dias do concurso, eu resolvi concorrer, escrevi a letra em algumas horas e, com a ajuda do meu parceiro Bob (Edson Antonio da Silva), fizemos a melodia. Concorremos contra outros cinco hinos, todos muito bonitos, mas, no final, o júri escolheu o nosso”. Moisés destacou, ainda, que foi o autor do hino de São Francisco e chegou a escrever um hino para Palmeira D’Oeste, mas o prefeito da época queria que os autores dessem a co-autoria para algumas pessoas da cidade, o que não foi aceito por Moisés e o parceiro Edson.

“Graças a Deus, sempre tive esse dom de escrever versos e transformá-los em música. Eu já classifiquei músicas para muitos festivais como dos de Barretos, Avaré e aqui em Jales. Em Barretos, por exemplo, teve um festival em que foram inscritas mais de 1.200 músicas e eu consegui colocar duas entre as 40 escolhidas para o festival”, revelou Moisés. Apesar de reclamar do esquecimento, o compositor lembra com orgulho o dia em que ele e o parceiro receberam a medalha XV de Abril. “Foi em 2012, quando o Parini ainda era prefeito”. E se lembra, igualmente com orgulho, de outro evento da Câmara, realizado em 2014, quando o desembargador José Manoel Ribeiro de Paula, do Tribunal de Justiça de São Paulo - que morou em Jales nos anos 70, antes de se mudar para Osasco - revelou em seu discurso, ter se emocionado com o hino de Jales. “Isso não tem preço”, conclui Moisés.

Lei obriga a execução do hino em todos os eventos oficiais do município

Uma lei municipal de 1971 autorizou o Poder Executivo de Jales a contratar os serviços de um compositor ou realizar um concurso entre compositores para escolha do hino oficial do município. Apesar de autorizado, o executivo não tomou nenhuma providência para instituir o hino e, somente 31 anos depois, em 2002, graças a um projeto da então vereadora Aracy de Oliveira Murari (PT), a Secretaria de Esportes e Cultura foi autorizada pelo prefeito José Antonio Caparroz, a realizar o concurso que escolheu o hino. Em seu projeto, a vereadora justificou que “a valorização da terra onde nascemos contribui para a formação e o aprimoramento do espírito cívico”. Em 2006, uma lei de autoria do vereador Jediel Zacarias passou a obrigar a execução do hino em todos os eventos oficiais, nas datas comemorativas do município e em eventos das secretarias municipais.

Deixe um comentário

Parceiros

050315164829.jpg
050315165005.jpg
050315163746.jpg
050315172328.jpg
050315171824.jpg

Colunistas

Últimas Notícias

A Tribuna TV

Enquete

Para combater o mosquito que transmite Zika,Dengue e Chikungunya, os agentes de saúde devem ou não entrar nos locais com suspeita de foco mesmo sem a autorização do proprietário?



Resultados