Assassino de motorista jalesense é condenado a 30 anos de reclusão

220221112016.jpg
O corpo de Luciana foi encontrado em um local ermo nos fundos de um loteamento, em Fernandópolis. O assassino tentou fugir com o seu carro

O juiz Vinícius Castrequini Bufulin, da 4º Vara Criminal de Fernandópolis, condenou o lavrador Jovanilson Soares de Nogueira, de 19 anos, a 30 anos de reclusão e 15 dias/multa pelo assassinato cruel da motorista jalesense Luciana Cordioli. A sentença foi proferida durante audiência virtual no último dia 10 de fevereiro. O julgamento aconteceu em prazo considerado curto para os padrões da justiça (menos de dois meses depois do crime), bem como curta também é a sentença (três páginas), mas a pena alcança o período máximo permitido pela legislação brasileira. 

Todas as teses da defesa foram negadas pelo juiz. Entre elas a de que a vítima o teria atacado primeiro porque “implicou” com sua cor, com sua vida de cigano, com o fato de estar sujo, xingando e arranhando-o enquanto dirigia o carro em plena rodovia SP-320.  

Ao contrário. Para o juiz, o assassino premeditou o crime e agiu com “maldade pura e vontade de matar”. Os registros do telefone celular da motorista e o depoimento da namorada do assassino corroboram o fato. 

“A pena base deve ser estabelecida substancialmente acima do mínimo legal em razão das circunstâncias do crime e culpabilidade incomum, por ter havido premeditação e escolha de vítima que já o conhecia, havendo, assim, empatia entre o agente e a vítima alvejada, algo que deveria levar a conduta diametralmente oposta. Maldade pura de quem revelou, na presente data não ter qualquer arrependimento de ter desferido 71 golpes de faca, com intensa vontade de matar. Está presente a agravante da dissimulação e surpresa, porque o réu, que se armara para assaltar, dissimulou ter contratado serviço da vítima, posicionou-se atrás desta para facilitar a rendição com ataque de surpresa”, afirmou o juiz na sentença.

O magistrado rechaçou a versão da defesa de que o assassino tenha atacado a vítima para se defender de agressões que ela teria cometido contra ele. Por outro lado, acatou a tese de que o crime tenha sido premeditado, já que o criminoso teria usado a confiança conquistada em outras corridas para convencê-la a fazer uma corrida de longa distância sem levantar suspeitas. 

A materialidade e a autoria dos fatos estão comprovadas, inicialmente, com o auto de prisão em flagrante, auto de exibição e apreensão do celular da vítima e do veículo subtraído, laudo de exame no local do encontro do veículo e no próprio veículo, laudo de exame do local onde o aparelho celular da vítima foi encontrado e laudo de exame necroscópico do corpo da vítima, a revelar a gravidade e intensidade dos golpes de faca que foram desferidos para se obter a morte da vítima. Ainda, as conversas encontradas no aplicativo de mensageria existente no aparelho celular da vítima permite apurar que o criminoso se valeu do serviço de taxista prestado pela vítima, solicitando esses préstimos, a permitir o acesso ao veículo sem outras testemunhas. Fica fácil concluir que o réu premeditou o crime, armou-se e aproveitou do contato prévio que tinha com a vítima para conseguir uma viagem por rodovia sem que houvesse receio”, escreveu o juiz.

REU DISSE QUE FOI ATACADO PRIMEIRO

Apesar da crueldade do crime e da frieza do assassino, que desferiu 71 facadas nas pernas, tronco, peito e rosto da vítima, enquanto o carro ainda estava em movimento, surpreendendo a motorista e dificultando a sua defesa, os advogados de Jovanilson requereram a sua absolvição, alegando que ele apenas se defendeu porque teria sido a vítima que o atacou primeiro. “Em Juízo, o réu apresentou versão fantasiosa, aduzindo que a vítima ‘implicou’ com sua cor, com sua vida de ‘cigano’, com o fato de estar sujo, xingando-o e, em seguida, arranhou-o. Com o início do conflito, ainda de acordo com o réu, a vítima ‘jogou o carro para o acostamento’ e se armou com uma faca, desferindo um golpe no pescoço do réu, que, nesse cenário, teve de usar a faca que trazia consigo para reagir e acabou matando a vítima. A histórica é incrível; dizer que os policiais forçaram a confissão é tão incrível quanto porque o réu foi conduzido como vítima à Delegacia de Polícia”, ressaltou o juiz.   

Jovanilson, morador de Urânia está preso em uma penitenciária de Andradina, onde deve permanecer inicialmente.  

O CASO

Luciana Aparecida Cordioli, de 41 anos, uma moradora de Jales que era motorista de aplicativo, foi morta com 71 golpes de faca por Jovanilson Soares Nogueira, um morador de Urânia, de 19 anos, que alega ser lavrador, mas não tem ocupação fixa, 

De acordo com o seu próprio depoimento, ele solicitou uma corrida pelo aplicativo na tarde de domingo, 13 de dezembro, com a intenção de roubar o carro da taxista, um Toyota Corola preto, e teria matado Luciana ainda dentro do carro. O corpo da motorista foi abandonado por ele em um local ermo, onde está sendo erguido um loteamento, em Fernandópolis. 

O carro de Luciana foi encontrado na margem da rodovia Euclides da Cunha (SP-320), próximo ao Conjunto Habitacional Antônio Brandini, também em Fernandópolis. 

Em depoimento no plantão policial, o assassino contou que solicitou uma corrida por meio do aplicativo Via Mobb, de Jales, e que no caminho entre Jales e Fernandópolis anunciou o roubo, deu uma “gravata” na vítima, que reagiu. Por isso, passou a golpeá-la com uma das facas que trazia consigo. Em seguida, a puxou para o banco de trás e continuou a desferir os golpes. A perícia concluiu que o carro estava em movimento, ficou desgovernado e chegou a bater na proteção lateral da pista. 

Ele também confirmou que abandonou o corpo em Fernandópolis e ao tentar retornar para Urânia, foi obrigado a abandonar o veículo que parou sem motivo aparente. A seguir, fugiu a pé pelo mato, até chegar a uma horta, onde pediu socorro, alegando ter sido assaltado.

Os donos da horta chamaram o SAMU, cujos atendentes desconfiaram da situação e acionaram a polícia, que prendeu o rapaz em flagrante.  

O crime comoveu a população. Luciana era bastante conhecida e muito querida. Era filha de um dos mais conhecidos empresários do ramo de alimentação na cidade (Valdir Cordioli), que por muitos anos foi dono do bar do Clube do Ipê e mantém na Avenida Francisco Jalles, um dos mais bem frequentados e tradicionais restaurantes da cidade. Seu irmão, Alexandre Cordioli, é um dos mais antigos funcionários do Sindicato dos Servidores Municipais. Luciana deixou dois filhos. 

 

Deixe um comentário