Apesar de prejudicados, fotógrafa e líder de banda musical são favoráveis ao isolamento social

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O coronavírus está causando abalos à economia brasileira, que já não andava bem das pernas, e causando transtornos e preocupações em todos os níveis, desde os grandes empresários às microempresas e profissionais autônomos. É o caso da fotógrafa Lívia Cardoso, que se viu obrigada a suspender suas atividades por tempo indeterminado. “Tive que cancelar ou reagendar todos os ensaios fotográficos que estavam agendados para este final de março e para abril/maio. Eu recebo muita gente de outras cidades e de outros estados e não poderia colocar em risco os meus funcionários e meus familiares. Dei folga aos sete funcionários do estúdio – alguns deles estão trabalhando em casa – e estou me dedicando a fazer alguns trabalhos que estavam atrasados e outros que podem ser feitos pela internet. É uma forma de não ficar totalmente no prejuízo”, afirma a fotógrafa.

Especialista em newborn – fotografias de bebês – e em fotos de gestantes, Lívia é requisitada também para casamentos e festas. “Os casamentos e as festas foram todos adiados, atingindo diretamente atividades como a fotografia e os buffets, mas, mesmo assim, sou totalmente favorável às medidas que estão sendo tomadas, principalmente o distanciamento social. Acho que a saúde vem em primeiro lugar e temos que fazer um sacrifício agora, para não chorar a perda de entes queridos lá na frente”, arrematou Lívia.

 

Buffet: festas canceladas ou reagendadas

Gerente de uma empresa especializada em organizar festas infantis – o Buffet Doce Mistura Kids, localizado na Avenida “João Amadeu” – a jovem Elizandra Toledo tem comparecido ao trabalho apenas para atender o telefone e reagendar festas. “Nossa última festa foi realizada na semana passada. Das outras seis que estavam marcadas para março, uma foi cancelada e as outras cinco reagendadas. Da mesma forma, as 14 festas que estavam agendadas para abril estão sendo todas reagendadas para maio, junho e até para setembro. Os mais otimistas estão programando para maio e eu espero que até lá já tenha passado essa fase”. Segundo Elizandra, além dela, o buffet proporciona trabalho a outras 12 pessoas, entre garçons, monitoras e a faxineira. “Eu fico mais triste por essas pessoas, que são as mais vulneráveis e não podem ficar sem trabalhar”, disse. Elizandra não se disse favorável e nem contra o isolamento. “Acho que o isolamento está trazendo sofrimento a muita gente, mas, por outro lado, a doença também poderá causar sofrimentos”.

 

Banda Jafferson: shows cancelados até junho

Na estrada há mais de 30 anos, a Banda Jafferson – que se formou em Estrela da Barra (MG), em 1986, e desde 1991 está sediada em Jales – nunca passou por uma fase como essa. Márcio Menezes, o Marcinho, um dos fundadores e crooner da banda, que é uma microempresa e emprega pelo menos 17 pessoas, disse que o último show foi realizado alguns dias depois do carnaval. “Depois disso, fomos obrigados a paralisar nossas atividades. O nosso setor – o de shows e entretenimento – foi um dos primeiros a ser diretamente atingido pelo problema do coronavírus, já que, bem antes de decretarem o isolamento social, as autoridades proibiram as aglomerações, tornando impossível a realização de bailes, shows e outros eventos”, resumiu Márcio.

Marcinho explicou que a banda já tinha eventos programados para os próximos três meses. “90% desses eventos, que incluem bailes, festas do peão, casamentos, etc, foram cancelados, enquanto os outros 10% foram adiados. O nosso prejuízo mensal está entre R$ 70 mil e R$ 80 mil”. Ele disse que, apesar do prejuízo, a banda continua pagando os salários e cachês de seus integrantes. “Nós somos praticamente uma família e para manter essa união, a banda está retirando dinheiro do seu capital de giro para pagar os salários do pessoal, mas não sabemos até quando poderemos manter isso. Estamos torcendo para que essa situação seja superada o mais breve possível”. Marcinho ressaltou que, independentemente dos prejuízos, ele é favorável ao distanciamento social. “Nós temos que preservar, em primeiro lugar, a saúde das pessoas, principalmente os mais idosos. Por isso, acho que as medidas estão corretas”, concluiu. 

 

 

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